Esteve no centro da acção, em dose dupla, naquele final dos anos 1970 nova-iorquinos em que irrompeu a vaga regeneradora do punk, rapidamente estendida às Ilhas Britânicas com explosivo impacto. Esteve na pré-história dos Blondie, tornou-se história enquanto baixista e componente indispensável do som dos Television. Fred Smith morreu esta quinta-feira, aos 77 anos. A notícia foi confirmada nas redes sociais dos Television. Não foram reveladas as causas da morte.
Nascido em Nova Iorque a 10 de Abril de 1948, Fred Smith foi primeiro baixista dos Angel and the Snake, nome inicial de uma banda que conheceríamos mais tarde como uma das mais destacadas da new wave, os Blondie. Abandonou-os ainda em fase embrionária, convicto de que a banda era uma entidade turbulenta condenada a desintegrar-se. Em 1975, abriu-se uma oportunidade. Juntou-se àquela que, como confessou retrospectivamente, era a sua banda favorita. Falamos dos Television de Tom Verlaine, que começavam a chamar a atenção no célebre CGBG’s com um lirismo punk surpreendente – referimo-nos tanto à poesia de Tom Verlaine, quanto ao rock expansivo das suas canções, de energia punk mas de intrincados jogos de guitarra e interpretação instrumental virtuosa.
Richard Hell saíra para criar os Heartbreakers com Johnny Thunders, dos New York Dolls, e Fred Smith aproveitou a oportunidade. Nos Television partilhou várias noites o palco com a sua antiga banda, já rebaptizada Blondie, e com eles gravou o histórico álbum de estreia, Marquee Moon (1977) um dos pontos mais altos do punk nova-iorquino, e o seu sucessor, Adventure (1978), bem como um álbum homónimo lançado já na segunda vida da banda, em 1992.
Johnny Rip, membro dos Television desde 2007 até ao fim definitivo da banda, que chegou com a morte do seu vocalista, guitarrista e compositor, Tom Verlaine, em 2023, deixou nas suas redes sociais um sentido elogio ao amigo de mais de quatro décadas, parceiro musical em diversas ocasiões. “O seu sentido de humor, muito de acordo com a sua voz musical, era seco, subtil, na mouche, hilariante”, escreveu, elogiando depois os seus talentos enquanto músico. “Se é um apreciador de linhas de baixo melódicas e de contraponto, poderia utilizar como escola o que o Fred criou com tanta naturalidade. Era um talento nato – nunca exibicionista, sempre essencial –, sempre ao serviço da canção de uma forma apenas ao alcance dos maiores músicos”.
Além dos Television, Fred Smith tocou também em álbuns a solo de Tom Verlaine e Richard Lloyd, na banda de Willie Nile e com as The Roches. Foi membro dos Peregrins e, durante um breve período no final dos anos 1980, integrou os The Fleshtones, banda de culto do garage rock nova-iorquino.
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