O reverendo Jesse Jackson, activista norte-americano pelos direitos civis e duas vezes pré-candidato à nomeação presidencial pelo Partido Democrata na década de 80, morreu nesta terça-feira, aos 84 anos, anunciou a família, citada pela NBC News. “O nosso pai foi um líder servidor — não só para a nossa família, mas para os oprimidos, aqueles que não têm voz e são esquecidos em todo o mundo”, declarou a família Jackson, após a morte. “Partilhámo-lo com o mundo, e, em troca, o mundo tornou-se parte da nossa família alargada. A sua fé inabalável na justiça, na igualdade e no amor elevou milhões de pessoas. Pedimos que se honre a sua memória continuando a lutar pelos valores que ele defendeu.”
A causa da morte ainda não foi divulgada. A família assegurou que Jackson morreu pacificamente rodeado dos seus entes queridos. Em Novembro, tinha sido internado e vivia há mais de uma década com paralisia supranuclear progressiva (PSP), doença que afecta a capacidade de andar e engolir e pode conduzir a complicações graves. Em 2017, revelou também que sofria de Parkinson, sendo tratado em regime ambulatório no Northwestern Medicine, em Chicago.
Nascido a 8 de Outubro de 1941 em Greenville, na Carolina do Sul, Jackson cresceu durante a era Jim Crow. Quando nasceu, a sua mãe tinha 16 anos e o pai, 33. Mais tarde, a mãe casou-se com outro homem, que o adoptou. A experiência de discriminação levou-o a transferir-se de uma universidade maioritariamente branca para uma outra historicamente negra. Foi nesse contexto que começou a militância pelos direitos civis, incluindo uma tentativa de entrar numa biblioteca pública reservada para brancos no seu estado natal, o que lhe valeu uma detenção.
Pouco depois juntou-se à Southern Christian Leadership Conference (SCLC) para trabalhar a tempo inteiro com Martin Luther King. Reconhecido pelo jovem líder, Jackson assumiu a liderança do programa Operação Breadbasket, dedicado ao desenvolvimento das comunidades negras. “Sabíamos que faria um bom trabalho, mas ele superou todas as expectativas”, disse, à época, Luther King. Em 1962, casou-se com Jacqueline Brown, com quem teve cinco filhos, incluindo Jesse Jackson Jr., ex-deputado pelo Illinois.
Frequentou o Chicago Theological Seminary, onde se tornou ministro baptista em 1968, apesar de não ter concluído a formação. Foi neste período que se aproximou de Martin Luther King Jr., de quem se tornou um colaborador próximo. Jackson estava no Lorraine Motel, em Memphis, um piso abaixo de King, no dia em que o este foi assassinado, em 1968. Jackson manteve a sua luta pela igualdade após a morte, fundando em 1971 a organização People United to Save Humanity (PUSH), após ter sido suspenso da SCLC por acusações de utilização da organização para benefício próprio. A PUSH teve como objectivo melhorar as condições económicas da população negra e expandiu-se posteriormente para incluir acção política e social, através de campanhas, programas de rádio semanais e prémios para a comunidade afro-americana.
A primeira candidatura presidencial de Jackson teve lugar em 1984, quando criou a National Rainbow Coalition em oposição às políticas do então Presidente Reagan e em defesa de programas sociais, direitos de voto e acção afirmativa. Nas primárias do Partido Democrata, conquistou mais de 18% dos votos. Em 1988, repetiu o sucesso, com 11 vitórias. Durante a campanha de 1984 viu-se envolto em polémicas após comentários depreciativos sobre judeus, pelos quais acabou por se desculpar publicamente.
Jackson desempenhou também um papel diplomático na libertação de cidadãos norte-americanos detidos pelo mundo: três soldados na Jugoslávia (1999), um piloto da Marinha na Síria (1984), 16 americanos em Cuba (1984), 700 mulheres e crianças no Iraque (1990) e dois cidadãos da Gâmbia (2012). Pelo seu esforço, recebeu em 2000 a Medalha Presidencial da Liberdade, entregue pelo ex-presidente Bill Clinton.
Nas últimas décadas, manteve-se crítico em relação a líderes políticos, incluindo Barack Obama, e denunciou retrocessos nos direitos civis depois da tomada de posse de Donald Trump como Presidente dos EUA. Em 2020, apoiou Bernie Sanders na corrida presidencial.
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