Movimento antinuclear denuncia pressões para prolongar operação de Almaraz

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O Movimento Ibérico Antinuclear (MIA) denunciou nesta quarta-feira, no dia em que passam 15 anos sobre o desastre na central nuclear japonesa de Fukushima, causado por um poderoso terramoto e tsunami, a existência de pressões para prolongar o funcionamento da central de Almaraz, em Espanha.

O Conselho de Segurança Nuclear, o órgão que supervisiona esta energia em Espanha, está a avaliar se a central de Almaraz, na província de Cáceres, tem condições para continuar a funcionar até 2030 – conforme pediram as eléctricas proprietárias da central, que querem ir além da data de 2028, prevista pelo Governo espanhol. As conclusões devem estar prontas até ao Verão, noticiou o jornal espanhol El País. A última palavra será do Ministério para a Transição Ecológica, a menos que o parecer seja negativo.

O MIA, em comunicado, disse ver com preocupação estas movimentações. “Continuam a surgir pressões para prolongar o funcionamento da central, adiando uma decisão que é essencial para a segurança das populações e para a protecção do ambiente.” Forças políticas da Extremadura, inclusivamente o PSOE (que está no Governo central) fazem pressão no sentido de prolongar a vida de Almaraz.

A empresa pública espanhola Enresa tinha lançado concurso público para serviços de engenharia destinados ao desmantelamento de Almaraz, que previa que as duas unidades da central junto ao rio Tejo e a cerca de 100 km da fronteira com Portugal deixassem de operar até Outubro de 2028.

O MIA recordou que, no início do mês, um dos reactores da central de Almaraz foi temporariamente desligado, na primeira paragem “por razões essencialmente económicas”. A energia nuclear enfrenta “dificuldades crescentes num sistema eléctrico cada vez mais dominado por fontes renováveis mais baratas e flexíveis”, frisa a organização.

“Risco transfronteiriço”

Para Portugal, defendeu o MIA, Almaraz “representa um risco transfronteiriço que não pode ser ignorado”.

Provas de resistência realizadas após o acidente de Fukushima, a pedido da Comissão Europeia, alertaram para a falta de planeamento em caso de “risco de agressões externas, como atentados ou queda de aeronaves”, referiu o MIA, que é constituído por associações ambientalistas e instituições de Portugal e de Espanha. Em Portugal, integra cerca de 30 colectivos, entre os quais as associações ambientalistas Zero e a Quercus.

O movimento demonstrou ainda preocupação com a contaminação radioactiva associada às descargas de Almaraz, com os valores de trítio em níveis superiores ao normal no rio Tejo. O trítio, um isótopo radioactivo do hidrogénio, pode representar um risco de radiação se inalado, ingerido através de alimentos ou água, ou absorvido pela pele, mas só é perigoso em doses concentradas muito elevadas.

O MIA avisou ainda que o risco sísmico “poderá estar subavaliado”, uma vez que as análises consideraram apenas sismos registados desde 1970 e não “eventos sísmicos de grande magnitude”, como o de 1755. O encerramento de Almaraz “é uma questão de segurança ambiental, de protecção da saúde pública e de responsabilidade para com as populações da Península Ibérica”, defendeu o movimento.

O movimento exigiu igualmente “um plano social justo” para os trabalhadores da central, assegurando a reconversão profissional e a criação de empregos “verdes e dignos”, associados à transição energética e à protecção do ambiente.

Ainda segundo o El País, que cita análises de várias empresas de análise, a central representava, em 2020, 60,21% da receita dos impostos de Almaraz, e gera de forma directa ou indirecta cerca de 3000 postos de trabalho. Dada a sua importância económica na região, a maior parte da população da zona está contra o seu encerramento e desmantelamento.

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