Na ilha de Bornéu, um gelado de durião em Kota Kinabalu

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Estamos no norte da grande ilha do Bornéu, mais precisamente na cidade de Kota Kinabalu, capital da província de Sabah, uma das seis províncias da Malásia (duas situam-se na ilha do Bornéu), não muito longe do sul das Filipinas. Trata-se de uma grande cidade costeira, com influências chinesas e inglesas e que há cerca de cem anos era apenas uma aldeia de pescadores. Uma fotografia, existente no Museu de Sabah, e datada de 1911, é bastante elucidativa a este respeito, numa época em que a localidade era denominada de Jesselton.

Esta cidade foi duramente bombardeada durante a Segunda Guerra Mundial, tendo sido posteriormente reconstruída e apelidada de Kota Kinabalu, a partir de 1967.

Uma das principais atrações de Kota Kinabalu é o Parque Marinho Tunku Abdul Rahman, constituído por cinco ilhas paradisíacas, Mamutik, Manukan, Sapi, Sulug e Gaya. Existem múltiplos e variados programas para as visitar. Nós optámos por navegar até às primeiras três, num único dia, pois ficam todas muito próximas umas das outras. Num pequeno porto, denominado Jesselton Point, diversas embarcações asseguram viagens de ida e volta a todas as cinco ilhas que integram este parque natural. Os passageiros, que lotam todos os barcos, são essencialmente turistas chineses que procuram as aprazíveis praias de areia branca existentes em todas as ilhas. O passeio vale a pena e em todas as ilhas, para além da beleza tropical, há pelo menos um restaurante de apoio aos veraneantes.

Em Kota Kinabalu existe igualmente o Museu de Sabah, que merece ser visitado, sendo constituído por duas secções principais, a Etnográfica e a de História Marítima, onde é feita referência à presença e influência portuguesa no século XVI, onde os nossos navios atracavam quando navegavam até Macau, no sul da China, e que se situa exatamente a norte da ilha do Bornéu. A loja de artesanato do museu merece uma demorada visita.

Pedro Mota Curto

Junto ao mar existem diversos restaurantes — locais, chineses, japoneses e até um italiano —, privilegiando essencialmente os pratos de peixe e de marisco, o mesmo acontecendo no mercado local, na mesma zona e com diversos restaurantes mais populares.

O durião é uma árvore, muito comum nos países orientais, que produz um grande fruto, com o mesmo nome, do tamanho de um melão ou de uma melancia, com uma casca espinhosa, exalando um cheiro intenso e repugnante, de tal maneira que à entrada de muitas lojas, restaurantes e hotéis está afixado um letreiro avisando que é proibido entrar com essa fruta. Ora, numa das nossas deambulações por Kota Kinabalu, encontrámos à venda gelados de durião. Comprámos, provámos, e contra todas as expectativas o sabor era bastante agradável. Supostamente, esta fruta é bastante benéfica para a saúde, sendo utilizada para combater a depressão, a ansiedade e o stress. Talvez por essa razão esteja à venda por todo o lado e seja frequente ver os locais transportando esse grande e pesado fruto, apesar do seu cheiro horrível.

Pedro Mota Curto

Kota Kinabalu situa-se na costa oeste da província de Sabah, Sandakan fica na costa este, a cerca de uma hora de avião. Este é o local de partida para um maravilhoso circuito, terrestre, marítimo e fluvial, que possibilita uma verdadeira imersão na selva da ilha do Bornéu.

Durante alguns dias e pernoitando quer em Sandakan, quer nas aldeias de Abai e Sukau, mergulhámos na imensidão desta luxuriante selva, caminhando, de dia e de noite, e navegando em pequenas embarcações, por serpenteantes e longos rios, com especial destaque para as margens do rio Kinabatangan, observando a flora e a fauna locais, numa biodiversidade deveras impressionante. Macacos narigudos, orangotangos, ursos malaios, ou urso do sol, o urso mais pequeno do mundo, elefantes pigmeus, esquilos vermelhos voadores, calaus enormes, cobras verdes, tudo animais em risco de extinção.

Aqui temos turismo de natureza ao seu mais alto nível, sendo o centro de reabilitação de orangotangos, situado em Sepilok, o seu melhor exemplo. Observar orangotangos no seu habitat natural é uma experiência inesquecível. Orangotango significa “homem da floresta”, e realmente a sua semelhança com o ser humano é notável, tal como a forma como também nos observavam.

O mesmo se poderá dizer dos macacos narigudos, que do alto das árvores nos miravam, enquanto comiam as suas folhas, e pareciam questionar o que estaríamos nós ali a fazer. Realmente, não é muito comum, a presença de portugueses na província malaia de Sabah, no norte da enorme e inexplorada ilha do Bornéu, um dos locais com maior biodiversidade em todo o mundo. Por enquanto.

Pedro Mota Curto (texto e fotos)


O autor escreve segundo o Acordo Ortográfico de 1990

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