“Não é justo” que Trump continue a pressionar publicamente a Ucrânia, diz Zelensky

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A segunda ronda de conversações trilaterais entre a Ucrânia, a Rússia e os Estados Unidos em Genebra realiza-se esta quarta-feira, depois de ataques russos durante a madrugada terem causado mais cinco mortos civis e 30 feridos em vários pontos do território ucraniano.

Um dos enviados especiais do Presidente norte-americano à Suíça, Steve Witkoff, escreveu na rede X, depois do primeiro dia de negociações, que houve “progressos significativos” graças ao “sucesso” de Donald Trump em reunir os dois lados do conflito.

Porém, o significado de palavras como “sucesso” e “progresso” não é o mesmo para todos os que vão sentar-se à mesa das negociações, a cerca de uma semana data que marca o quarto aniversário da invasão russa da Ucrânia (24 de Fevereiro de 2022).

Em entrevista ao site norte-americano Axios, na terça-feira, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, reiterou que os ucranianos rejeitarão qualquer acordo de paz que envolva a retirada unilateral da Ucrânia da região oriental do Donbass (que os russos ainda não controlam) e aconselhou os EUA a não tentarem forçá-lo a vender uma visão de paz que o seu povo veria sempre como uma “história mal-sucedida”.

“Não é justo” que Trump continue a pressionar publicamente a Ucrânia, e não a Rússia, para fazer concessões de maneira a chegar a um acordo de paz, disse Zelensky numa entrevista telefónica.

Tal como tem feito habitualmente, nos últimos dias, o Presidente dos EUA repetiu que cabe a Zelensky fazer concessões para chegar a acordo com a Rússia. “Espero que seja apenas uma táctica [de Trump] e não uma decisão”, disse Zelensky.

Embora possa ser mais fácil para Trump pressionar a Ucrânia do que a Rússia, que é muito maior, o Presidente ucraniano insiste que a maneira de criar uma paz duradoura não é “dar a vitória” a Vladimir Putin.

Zelensky revelou que pediu à sua equipa que procurasse negociar em Genebra um encontro cara a cara com Putin, porque diz ser essa a melhor maneira de avançar na questão territorial.

Os ucranianos já se mostraram disponíveis para chegar a compromisso sobre o território, sugerindo uma zona desmilitarizada em Donetsk, onde as tropas dos dois lados se retirassem de idêntica porção de território. Cenário que a Rússia recusa.

Por outro lado, Kiev rejeita que a Rússia possa reclamar soberania sobre esses territórios e insiste que a questão da terra não pode estar desligada das garantias de segurança ocidentais, que previnam futuras investidas russas.

Garantias de segurança são prioridade

Durante o fim-de-semana, Volodymyr Zelensky escreveu no X que os ucranianos querem saber “o que significam as garantias de segurança do líder mundial – os Estados Unidos da América”.

“Os nossos amigos americanos estão a preparar garantias de segurança. Mas eles disseram: primeiro esta troca de territórios, ou algo do género, e depois garantias de segurança. Eu penso: primeiro, garantias de segurança”, explicou o Presidente ucraniano.

“Não vamos abdicar dos nossos territórios porque estamos prontos para um compromisso. Que tipo de compromisso estamos prontos para fazer? Não um compromisso que dê à Rússia a oportunidade de recuperar rapidamente e voltar a ocupar-nos. Isto é importante”, escreveu o líder ucraniano na rede social X, frisando que a Ucrânia quer “acabar com a guerra com dignidade”.

Na entrevista ao Axios, Zelensky agradeceu a Trump pelos seus esforços de pacificação e disse que as suas conversas com Steve Witkoff e Jared Kushner (o genro do Presidente dos EUA que é também um dos seus mediadores nas questões ucraniana e iraniana) não envolvem o tipo de pressão que Trump usa em público.

Segundo o Axios, os dois enviados especiais de Trump garantiram a Zelensky que a Rússia deseja verdadeiramente acabar com a guerra, mas Zelensky está muito mais pessimista.

EUA e Ucrânia já acordaram que qualquer solução terá sempre de ser referendada pelos ucranianos. Se o acordo passar simplesmente pela retirada das tropas ucranianas dos cerca de 10% do território do Donbass que ainda dominam, Zelensky acredita que será rejeitado: “Emocionalmente, as pessoas nunca perdoarão isso. Nunca. Elas não perdoarão… a mim, não perdoarão [os EUA]”, afirmou.

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