Nissan deu à Renault prejuízo de quase 11 mil milhões de euros em 2025

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A fabricante automóvel francesa Renault anunciou esta quinta-feira, 19 de Fevereiro, um prejuízo de 10.931 milhões de euros em 2025, contra um lucro de 752 milhões no ano anterior, um resultado negativo que a empresa explicou com o impacto financeiro da participação na Nissan.

No comunicado divulgado, a Renault acrescentou que, sem o impacto nas suas contas da participação na Nissan, o lucro teria atingido 715 milhões de euros. Ou seja, também recuaria face ao ano anterior, mas seria positivo.

A facturação do grupo no ano passado ascendeu a 57.922 milhões, um aumento de 3%, sustentado pelas marcas de automóveis complementares, que cresceram graças ao plano de desenvolvimento internacional e à electrificação da gama, informou a empresa.

A Renault destacou a resistência dos seus resultados num contexto económico complexo e garantiu que encara o futuro imediato com optimismo, ao mesmo tempo que indicou que revelará a sua estratégia industrial para os próximos anos no próximo dia 10 de Março.

Novos modelos este ano

A fabricante automóvel adiantou que, para este ano, conta com vários lançamentos de novos modelos, centrados essencialmente no segmento eléctrico e híbrido: 2026 marcará a chegada ao mercado do novo Clio, do Twingo E-Tech, da carrinha Trafic e de um novo Dacia do segmento A eléctrico, além de um novo modelo do segmento C do fabricante romeno, além do Alpine A390.

No plano internacional, o grupo espera lançar o Renault Boreal na América Latina e na Turquia, o Duster na Índia e o Filante na Coreia do Sul e em outros mercados, bem como uma nova pick-up na América Latina.

Custo 400 euros inferior por carro

Para este ano, a Renault estabeleceu como meta atingir uma margem operacional do grupo de cerca de 5,5% da facturação.

Graças ao seu desenvolvimento internacional, especialmente no segmento eléctrico, a Renault conta que a facturação cresça em 2026, quando a redução de custos continuará a ser a prioridade, para manter nos próximos anos.

Assim, pretende reduzir 400 euros por veículo, em média, no custo variável de fabrico anual, graças a melhorias técnicas e de competitividade ligadas à externalização da produção de motores Horse, ao mesmo tempo que manterá uma disciplina sólida sobre o custo fixo.

O ganho de tesouraria no ano corrente incluirá 350 milhões da secção de financiamento, contra os 300 milhões de 2025.

A médio prazo, sem dar um horizonte preciso, a Renault pretende ver a margem operacional entre 5% e 7% do volume de negócios – em qualquer dos casos acima das suas margens históricas – e uma libertação de tesouraria de 1,5 mil milhões por ano.

Em 2025, as contas do grupo reflectem uma margem operacional do sector automóvel de 3632 milhões, 631 milhões a menos que no ano anterior, o que se explica por um impacto negativo da taxa de câmbio, ligado essencialmente à cotação do peso argentino.

Vendas globais crescem acima do sector

No ano passado, a Renault vendeu 2,3 milhões de veículos em todo o mundo, um aumento de 3,2% num sector que cresceu 1,6%, com aumentos nas suas três marcas: Renault, Dacia e Alpine.

Em particular, as vendas fora da Europa cresceram 11,7%, graças ao dinamismo da América Latina (+11,3%), Coreia do Sul (+55,9%) e Marrocos (+44,8%).

A fabricante destacou ainda o aumento das vendas de veículos eléctricos na Europa, com um crescimento de 77,3%, representando 14% do total das vendas da marca, enquanto os híbridos representaram 30%, depois de terem crescido 35,2%.

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