No novo álbum, Harry Styles promete disco ocasional — mas entrega ainda menos

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Não podemos acusar Harry Styles de não nos ter avisado. O cantor inglês lançou nesta sexta-feira Kiss All the Time. Disco, Occasionally, o seu mais recente álbum. O título já o vaticinava: é um disco de dança, mas só às vezes. Poucas vezes. E isso não seria um problema se Styles não passasse grande parte das 12 canções a piscar o olho à pista, só para depois desviar o olhar.

O quarto longa-duração do ex-One Direction não peca por ser preguiçoso, cliché ou pouco ambicioso, erros que tanto se cometem entre artistas pop de alto gabarito quando chegam a um certo patamar de carreira. Harry Styles quis, evidentemente, experimentar uma palete de cores nova, com sons antigos. Taste back tem ecos dos The Postal Service, enquanto Ready, steady, go! faz lembrar Yeah Yeah Yeahs em inícios de carreira. Findas as 12 músicas, é também praticamente certo que Styles passou a pente fino a discografia de LCD Soundsystem antes de construir o disco.

Depois do sensaborão Harry’s House (2022) — cuja piada praticamente começava e acabava em As it was, que acabou por ser tocada ad nauseam, é refrescante ver Styles a querer aventurar-se para fora de pé. Só que as canções ficam muitas vezes a meio do caminho. Nem caem para a pop colorida e saltitona de Watermelon sugar (do disco Fine Line, de 2019), nem abraçam o funk mais sujo (da melhor maneira) de Ready, steady, go!, um dos momentos mais bem conseguidos do novo álbum.

Kiss All the Time. Disco, Occasionally é coeso, sim, consistente também, mas muito pouco entusiasmante, assentando numa pop amorfa que nos faz abanar a cabeça meia dúzia de vezes, mas raramente nos puxa pelo braço para dançar. Há vários momentos que nos deixam água na boca, como Aperture e a sua linha de baixo pulsante ou o refrão viciante de Ready, steady, go!. Noutros momentos promissores como Season 2 weight loss ou Are you listening yet?, o gás vai-se perdendo e Harry Styles soa acanhado, receoso de se embrenhar nos caminhos que ele próprio escolheu abrir. Há, inclusivamente, canções nas quais Styles parece ter martelado uma bridge para quebrar a monotonia, como se ele próprio a tivesse reconhecido.

É, curiosamente, nos momentos mais mornos que o cantor é mais eficaz. Coming up roses, acetinada balada envolvida em cordas, e Paint by numbers, regresso à pop acústica e descomplexada do álbum de estreia, são lufadas de ar fresco. Talvez porque não tentam, de forma alguma, levar-nos para uma pista de dança que nem Harry Styles parece querer pisar.

Kiss All the Time. Disco, Occasionally mostra a inquietude de um artista com sede de fazer diferente, de se distanciar do óbvio e do aborrecimento que corre nas veias de tanta pop no masculino dos dias que correm. É pena que tenha perdido tanto tempo a tentar decidir se quer ser mais George Michael ou mais James Murphy quando podia ser só o Harry Styles que elegantemente retirou a etiqueta de “ex-One Direction” e construiu uma carreira a solo, toda em maiúsculas. Talvez fique para a próxima.

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