Quase 400 mil imigrantes foram detidos entre 21 de Janeiro de 2025 e 31 de Janeiro de 2026, nos Estados Unidos, pelas mãos do ICE, o Serviço de Imigração e Alfândegas. Foram também agentes do ICE que mataram Alex Pretti e Renee Good, cidadãos norte-americanos. Apesar de só estarem autorizados a usar força letal se a pessoa apresentar um perigo grave, Pretti foi morto enquanto estava imobilizado no chão e Good tentava sair do local onde estava a acontecer a rusga.
São 22 mil agentes, geralmente com o rosto tapado, que entram nos bairros, estabelecimentos e escolas e levam imigrantes para centros de detenção – de onde podem ser, posteriormente, deportados. A violência das detenções tem gerado uma onda de indignação junto das comunidades, que se estão a organizar para protestar, ajudar e proteger os migrantes dos seus bairros. Impedir detenções é crime e interagir com os agentes pode ser perigoso, por isso, os cidadãos estão a superar testes de criatividade para denunciar o uso de força abusivo. Eis algumas das formas que encontraram.
Observar e filmar
A forma mais comum de acção é observar e filmar. Os chamados “observadores do ICE” são voluntários que documentam as detenções com os telemóveis. E são treinados para isso: o COPAL (Communities Organizing Power and Action for Latinos), grupo de defesa de imigrantes, disponibiliza um manual de instruções para cidadãos que queiram ser observadores — e pode atribuir-lhes um distintivo.
Entre as recomendações, o COPAL aconselha a utilização do distintivo de observador e a identificação verbal da função aos agentes, a gravação dos acontecimentos e sugere aos observadores que façam perguntas aos agentes aquando das detenções e exijam ver o mandado (ainda que os agentes não sejam legalmente obrigados a mostrá-lo, em muitos casos).
Estas provas podem depois ser partilhadas com advogados e grupos de defesa de direitos humanos, assim como utilizadas em tribunal.
Fazer barulho (literalmente)
As comunidades arranjaram uma forma de avisar os imigrantes que o ICE estava por perto. Buzinar ou assobiar com apitos tornaram-se as formas mais comuns. Quem não consegue vigiar, arranja outra forma de ajudar.
É o caso de Mark Selner, dono de uma loja de roupas fetichistas em Chicago, que decidiu comprar apitos para distribuir gratuitamente. Ao Guardian, contou como colou um papel na porta a informar que estava a dá-los. Ao fundo da loja, colou outro que dizia que agentes do ICE não estão autorizados a entrar naquela zona sem um mandado: “Não quero que os meus clientes tenham medo de estar aqui. Tenho um aviso no fundo da loja para que, se o ICE entrar, os meus clientes possam ir para lá em segurança.”
Ajudar os vizinhos
Vizinhos transportam vizinhos, vigiam as portas das escolas e levam comida aos imigrantes que têm medo de sair de casa para fazer compras. Ajudam nas tarefas do dia-a-dia.
No Mineápolis, um dos locais onde o ICE tem agido com mais violência, as comunidades estão a organizar doações de comida, os restaurantes e pequenos negócios estão a contribuir e as igrejas estão a distribuir refeições.
Identificar agentes
Os agentes do ICE – que passaram de dez mil para 22 mil desde que Trump entrou na Casa Branca – são “americanos patriotas e qualificados de todo o país”, diz o Departamento de Segurança. Têm formação de oito semanas para exercerem a função.
No site do governo, as características requeridas numa candidatura são “integridade e coragem”, “excelente condição física, capacidade de aguentar ambientes stressantes e pensamento crítico”. Mas é difícil saber quem são os escolhidos, já que geralmente actuam de cara tapada.
Foi assim que nasceram sites e grupos onde se identificam estes agentes. Um deles é o ICE List, sediado nos Países Baixos, criado pelo irlandês de 32 anos Dominick Skinner. Ao Irish Times, Skinner disse ter começado o site depois de Kristi Nom, secretária de Estado da segurança norte-americana, ter ameaçado prender quem identificasse agentes online.
“Partilhei aquilo e disse: isso é fixe, eu não estou nos EUA, por isso mandem-me que eu faço-o”, contou. E disse ter recebido nomes através de bartenders que vêem as identificações dos agentes e trabalhadores de hotéis onde ficam hospedados.
Protestar
Depois de agentes do ICE terem matado Renee Good, dezenas de milhares de pessoas marcharam por Mineápolis. Pouco tempo depois, era a morte de Alex Pretti que mobilizava manifestações pacíficas. Mas não só no Mineápolis norte-americanos saíram à rua durante semanas (acabando por levar à retirada parcial do ICE na cidade). A CNN dá conta de 200 protestos em 43 estados em memória de Pretti.
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