1. Quem, a que título for, vive o mundo do desporto, por vezes acaba como sufocado pela omnipresença do mesmo e, desse modo, a sua visão fica enevoada quando mira o restante social, seja ele qual for, carregando sinais positivos ou negativos. A ideia de ilha, também neste plano, pode formar-se com alguma facilidade. Mas, na verdade, como fenómeno social marcante do nosso tempo, o desporto interage necessariamente com o todo social.
2. De Inglaterra chega-nos a notícia de que no Ramadão, os jogos da Premier League e da English Football League, vão ser interrompidos para que os jogadores muçulmanos possam quebrar o seu jejum (abstenção de comer e beber desde o amanhecer até ao pôr do sol). A interrupção ocorrerá num momento natural do jogo, como um pontapé de baliza, um livre ou um lançamento de linha lateral, nunca no decurso da partida. Os capitães de equipa e os árbitros irão acordar previamente se é necessária uma pausa e em que momento aproximado esta terá lugar. Devido ao horário do pôr do sol no Reino Unido, que durante este período varia entre as 17h00 e as 19h00, apenas os jogos com início às 17h30 de sábado e às 16h30 de domingo poderão ser afectados por estas pausas.
3. Noutro patamar religioso, merece destaque a Carta do Papa Leão XIV, de 6 de Fevereiro (A vida em abundância. Sobre o valor do Desporto), por ocasião da celebração dos Jogos Olímpicos de Inverno e dos Jogos Paralímpicos de Inverno. O documento, de 16 páginas, percorre o desporto em múltiplas dimensões (Deporto e Construção da Paz, O valor formativo do desporto, Desporto, escola de vida e areópago contemporâneo, Desporto e desenvolvimento da pessoa, Os riscos que põem em perigo os valores desportivos, Competição e cultura do encontro, Desporto, relacionamento e discernimento e Uma pastoral do desporto para a vida em abundância). Sugerindo a leitura, o espaço permite somente alguns destaques.
4. Afirma, impressivamente, o Papa que “[…] a prática desportiva é uma actividade comum, aberta a todos e saudável para o corpo e o espírito, a ponto de constituir uma expressão universal do ser humano”. Citando Michel de Montaigne: “Não educamos uma alma, nem educamos um corpo: educamos uma pessoa. Não devemos dividi-la em duas partes”. E adita o Papa: “ainda hoje, o desporto continua a desempenhar um papel significativo na maioria das culturas. Ele oferece um espaço privilegiado de relacionamento e diálogo com os nossos irmãos e irmãs pertencentes a outras tradições religiosas, bem como com aqueles que não se identificam com nenhuma delas”.
5. Deixemos ainda uma última reflexão do Papa, a propósito do desporto e desenvolvimento da pessoa: “Ampliando ainda mais o olhar, é importante lembrar que, justamente porque o desporto é fonte de alegria e favorece o desenvolvimento pessoal e as relações sociais, deveria ser acessível a todas as pessoas que desejam praticá-lo. Nalgumas sociedades que se consideram avançadas, onde o desporto é organizado segundo o princípio de ‘pagar para jogar’, as crianças provenientes de famílias e comunidades mais pobres não podem suportar as quotas de participação e ficam excluídas. Noutras sociedades, as jovens e as mulheres não estão autorizadas a praticar desporto. Por vezes, na formação para a vida religiosa, especialmente feminina, persistem desconfianças e receios em relação à actividade física e desportiva. É, portanto, necessário empenhar-se para que o desporto seja acessível a todos. Isto é muito importante. Confirmaram-no os testemunhos comoventes de membros da equipa Olímpica dos Refugiados, ou de participantes nas Paraolímpicas, nas Special Olympics e na Homelsse World Cup. Como vimos, os valores autênticos do desporto, abrem-se naturalmente à solidariedade e à inclusão”.
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