Este Vinha Pan 1996 é uma preciosidade, de um ano vitícola considerado clássico na Bairrada, mas que os vitivinicultores da região recordam como tendo disso horrível, com a chuva a causar-lhes muita dor de cabeça.
Com uma cor incrível ao fim de tantos anos, dá-nos uma prova igualmente surpreendente: tanino ainda presente, acidez, equilíbrio e um perfil que, provando mais Bagas, se percebe ser o fio condutor do argilo-calcário da região — a fruta que este Baga tinha já foi, mas está lá o lado balsâmico-medicinal dos bagas bairradinos.
É um grande, grande vinho — experimentado, não velho: está numa forma belíssima —, e que tem outra virtude: conta a história da monda de cachos na Bairrada. Luís Pato começou a fazer monda — redução dos cachos de uva ainda verdes, para limitar a produção e, com isso, conseguir mais concentração e qualidade nas uvas que chegam à vindima — em 1990.
À data, atirar cachos para o chão era um sacrilégio. “Era contra a natureza” e “os trabalhadores [da vinha] recusavam-se” a fazê-lo, recordou o produtor há umas semanas, num almoço promovido pelos Baga Friends no Porto, em jeito de antecipação do Dia Internacional da Baga que aí vem (ler texto na página seguinte).
Pato queria colher uvas com maturação completa. E a tempo de evitar as chuvas que, não raras vezes, caem em plena vindima. Como os produtores estavam obrigados a esperar mais pela Baga, o grande problema é que a casta, sendo mais sensível à podridão do que outras, ficava mais exposta nessa altura. E recorde-se: falamos de um terroir de influência atlântica, com muita humidade.
Só cinco anos mais tarde, em 1995, é que Pato, engenheiro químico de formação — um background que nunca o largou enquanto enólogo —, conseguiu fazer a monda que preconizava, em duas parcelas, a Vinha Pan e a Vinha Barrosa, introduzindo (já agora) na altura o conceito de “local”, como prefere chamar-lhe — “terroir é coisa de francês”. Os vinhos correram-lhe, bem, conta, mas um ano não valida uma experiência deste género. Podia ser do método, podia ser do ano. Não havia como saber ao certo.
No ano seguinte, 1996 — uma porcaria de ano na Bairrada (Pato usa outro termo para se lhe referir, o leitor consegue chegar lá) —, o produtor a quem se atribuem os epítetos “senhor Baga” ou “senhor Bairrada”, não teve dúvidas. Era do método.
Este vinha Pan 1996 já não está à venda no produtor, mas Luís Pato diz que ainda tem garrafas que vai abrindo para provas no enoturismo. Só na sua adega, portanto — ou se tiver a sorte de o encontrar numa garrafeira mais especializada (da nossa pesquisa, percebermos que ainda há quem o tenha). No dia 2 de Maio, pelo Dia Internacional da Baga, o produtor e enólogo terá à prova a colheita de 2015 do mesmo vinho.
Nome Luís Pato Vinha Pan 1996
Produtor Luís Pato;
Castas Baga
Região Bairrada
Grau alcoólico 13,5%.
Preço (euros) 134,95 (Garrafeira Nacional)
Pontuação 93
Autor Ana Isabel Pereira
Notas de prova Com uma cor incrível ao fim de tantos anos, dá-nos uma prova igualmente surpreendente: tanino ainda presente, acidez, equilíbrio e um perfil que, provando mais Bagas, se percebe ser o fio condutor do argilo-calcário da região — a fruta que este Baga tinha já foi, mas está lá o lado balsâmico-medicinal dos bagas bairradinos.
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