O Vitória viu Yann Bisseck – não viu foi muito bem

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Pense, caro leitor, em quantos futebolistas conhece que tenham jogado no Campeonato de Portugal (quarta divisão) e na final da Liga dos Campeões. Vem algum à memória? Se sim – e esse é um gigantesco “se” –, esse futebolista fê-lo em menos de cinco anos? Se houver uma bastante improvável resposta afirmativa agradecemos um e-mail para o endereço no final deste texto. Se não, confira a história que se segue.

Yann Bisseck marcou neste domingo no triunfo do Inter de Milão frente ao Sassuolo, por 5-0. O defesa alemão continua sólido na equipa italiana, depois de 46 partidas disputadas na temporada anterior – e presença na final da Liga dos Campeões.

Há quatro anos, Bisseck andava por campos como Fafe, Felgueiras, Maria da Fonte ou Mirandela. Na equipa B do Vitória de Guimarães, o jogador não chegou a fazer sequer dez jogos e, por extensão, não conseguiu impressionar o clube ao ponto de justificar a compra – estava emprestado pelo Colónia e tinha 20 anos.

Quis desistir em Portugal

É um caso claro – talvez dos mais claros da história do futebol nacional – para justificar uma questão: é o maior desperdício da década no futebol português ou estamos apenas a acertar no Totobola à segunda-feira?

Moreno, treinador do Vitória B, já tentou ajudar a que cheguemos a uma resposta. “Notava-se que era diferenciado pelos pormenores como a qualidade do passe, da recepção e, claro, a velocidade estava lá, tal como se vê agora. Notava-se que tinha tido uma boa formação”, explicou ao jornal A Bola no ano passado.

O técnico aponta que o problema de Bisseck não era o talento: “Lembro-me de que também tivemos de fazer algum trabalho com ele, ao nível da motivação, já que sentimos que estava desmotivado”.

A tese de Moreno já chegou a ser confirmada pelo próprio jogador. “Se não tivesse o Jonas Carl e o Elias Abouchabaka [ex-companheiros no Vitória B] ao meu lado, teria terminado a minha carreira profissional no Vitória. Pensei em deixar de jogar e mudar-me com o Elias para um apartamento em Berlim e estudar na universidade”, apontou à revista 11 Freunde, falando do sonho de ser cardiologista.

Vitória utilizou-o pouco

Segundo Moreno, Bisseck tinha chegado a Guimarães como um projecto para a equipa principal, mas isso não aconteceu na primeira metade da temporada – em rigor, nem na equipa B jogou grande coisa.

Foi já nos derradeiros dois meses da época, com Moreno a chegar para a equipa B, que Bisseck foi aposta em Guimarães, na altura para ajudar a equipa a subir à Liga 3.

Foi, ainda assim, insuficiente para justificar a aposta do clube. Moreno aponta que havia uma cláusula avultada – motivo que poderá ter levado a direcção a temer uma aposta desse tipo num jogador com menos de dez jogos disputados.

João Henriques e Bino Maçães foram os treinadores que não quiseram apostar em Yann Bisseck, sendo que mesmo Moreno, que utilizou o jogador na fase decisiva da quarta divisão, reconhece não ter visto tudo o que ali estava.

“Vejo com alguma surpresa. Não é fácil sair da equipa B do Vitória e estar numa equipa que vai disputar uma final da Champions e que a pode ganhar. Se na altura me perguntassem se o valor dele era para andar em equipas B ou de menor dimensão, dizia que não. Mas se me questionassem que iria estar, passado tão pouco tempo, ao mais alto nível em Itália e na Liga dos Campeões, também diria que não. Tenho de ser sincero”, assumiu.

Central completo

O motivo para Bisseck estar a este nível não é difícil de explicar – embora seja uma história incomum. Quando saiu do Vitória foi parar à Dinamarca, para jogar no Aarhus. Na Liga dinamarquesa destacou-se durante duas temporadas ao ponto de convencer um clube de Liga dos Campeões a pagar sete milhões de euros para o ter.

Bisseck tem exibido predicados físicos e técnicos bastante completos. Como definiu Moreno, é um jogador que mistura uma estampa física impressionante com uma velocidade tremenda – é, nesse sentido, um central moderno.

E a qualidade com bola, apesar de não estar ao nível dos melhores do mundo nessa vertente, não o deixa envergonhado. Consegue colocar passes verticais, sair em condução e até rematar – é o central da Liga italiana que mais remata por jogo.

A velocidade que tem permite-lhe ser muito útil num sistema de três centrais, quase sempre como central mais aberto à direita – e é maioritariamente nessa base que trabalha o Inter. Esse perfil permite que o lateral/ala possa projectar-se ainda mais, já que Bisseck “tem pernas” e mobilidade para cobrir uma área vasta.

Em suma, Bisseck faz um pouco de tudo. Resta saber se em Guimarães fazia assim tão pouco.

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