Diamanda Galás, uma força sem etiquetas
Desengane-se quem pensa que a peculiaridade artística de Diamanda Galás se fica pela voz, descrita como “singular e inconfundível, capaz de transitar entre o grito e a oração, entre o exorcismo e a redenção”, dita a nota de imprensa.
As suas actuações têm tanto de bizarro e hipnótico quanto de ritual onde som e silêncio se juntam para dar lugar a uma experiência de catarse, de expressão visceral, sobre temas que são tudo menos leves – como o genocídio, a doença, o isolamento ou a condição humana. Mais: consegue o feito de, depois de quatro décadas de uma carreira ao serviço da vanguarda, continuar a desbravar caminhos e desafiar fronteiras, mantendo por perto “uma linguagem que une a espiritualidade e a confrontação, a beleza e o abismo”. Ousadia e intensidade são, portanto, notas dadas como certas no alinhamento dos concertos que a cantora, compositora e pianista norte-americana com origem grega se prepara para dar em Portugal.
É o início da digressão internacional que, a par de todos os créditos e adjectivos, mostra dois trabalhos “profundamente simbólicos” de Galás: You Must Be Certain of the Devil, lançado em 1988 e recentemente remasterizado e reeditado, e De-formation: Second Piano Variations, gravado ao vivo e à luz das velas, na Primavera de 2025.
Às Vezes o Amor anda pelo país
Já é uma tradição: com o São Valentim vem um festival de concertos que espalha a cartilha do romantismo pelo país. Às Vezes o Amor acontece, nesta 12.ª edição, em 15 cidades (Lisboa, Porto, Amarante, Aveiro, Gondomar, Lagoa, Leiria, Penafiel, Torres Novas e Vila do Conde são algumas das coordenadas no mapa), devidamente embrulhado em 16 concertos intimistas e diverso em linguagens e formatos. Tal como é o amor.
No lote de anfitriões estão As Canções de Amor de Sérgio Godinho – Biografias do Amor, GNR, Delfins, Aurea, Buba Espinho, Carolina Deslandes, Carolina de Deus, Fernando Daniel, João Pedro Pais, José Pinhal Post-Mortem Experience, Luís Trigacheiro, Marisa Liz, Rui Massena e Ricardo Ribeiro & Sociedade Filarmónica Ouriense.
A poesia do fim e do que vem depois
Começamos pelo fim. Num palácio decadente, um “casarão húmido” de “cores mortas” onde o jardim está entregue às ervas, habita uma rainha doente e solitária, rodeada por “uma pequena corte de nobres” e por criados vestidos com “roupa fora de moda”. O retrato de um país parado no tempo foi traçado por António Patrício em 1909, pouco antes da queda da monarquia portuguesa e da implantação da Primeira República, a 5 de Outubro de 1910.
Descrito como “uma alegoria sobre o declínio inexorável de uma era e o início ainda incerto de outra”, com validade que se estende aos dias de hoje, O Fim é levado à cena pelo Ensemble – Sociedade de Actores, segundo a encenação de Carlos Pimenta. Emília Silvestre, Jorge Pinto, Marta Bernardes, Pedro Mendonça, António Durães e Mário Moutinho compõem o elenco, que conta ainda com Daniela Baganha, Daniela Soares, Jorge Martins e Lara Lima (alunos de Artes Dramáticas da Universidade Lusófona do Porto) e a narração de Rui de Noronha Osório.
Grandes Mestres em pontas
Sleight of Hand (2007), da dupla de coreógrafos Sol León & Paul Lightfoot, junta o universo das figuras dos jogos de cartas à música “hipnótica” de Philip Glass para mostrar a “inquietante e vertiginosa procura humana pela compreensão do destino e as suas possibilidades de transformação”, anota a folha de sala. Symphony of C (1947), de George Balanchine, bailado em quatro andamentos que se baseia na Sinfonia em Dó Maior de Georges Bizet e remata com um “grandioso e vibrante final”. Apresentadas pela primeira vez em Portugal, juntam-se a Four Reasons (2008), coreografia de Edward Clug com banda sonora de Milko Lazar, que põe dois músicos e oito bailarinos a “moldar o espaço e o ambiente”, desafiando-se em diferentes dimensões, numa revisitação da peça que a Companhia Nacional de Bailado dançou há quase duas décadas.
São estes os três eixos que compõem o programa Grandes Mestres, levado à cena pela companhia neste arranque de temporada. De épocas e estéticas distintas, aliam “exigência técnica e profundidade artística” e vêm musicadas pela Orquestra de Câmara Portuguesa, dirigida por Pedro Carneiro. Ateliês de dança para crianças e famílias e conversas pré e pós-espectáculo completam o cardápio.
Vibração Rara
Catarina Miranda e o grupo Instável estreiam aqui uma peça que se move entre a vigília e a vertigem de cinco performers. Não são os únicos elementos em palco: a servir de motor a este “espaço de dilatação, exaltação e transformação do corpo” está a vibração sonora e a vivência colectiva que dela brota. Rara propõe-se a criar “paisagens ressonantes a partir da manipulação de objectos sonoros e esculturas de luz, concebidos a partir de instrumentos de sopro”, assim descreve a sinopse, e a fazer eco de tradições culturais onde a intensidade da experiência está intimamente ligada à sua vibração sonora. Exemplos? “O Entrudo da Galiza e do Norte de Portugal, as festividades Rara e Vodu do Haiti e o Carnaval pernambucano”, elenca a equipa.
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