O parque de viaturas do Estado (PVE) voltou a reduzir-se em 2025, tendo somado nesse ano a sexta descida anual consecutiva e também a mais notória (menos 888 viaturas face a 2024), sendo composto por 23.241 viaturas, ou menos 3,2% das que estavam registadas a favor do Estado em 2024. Mesmo abatendo à frota centenas de viaturas com uma idade média de 25 anos, o PVE continua, no entanto, a envelhecer, assentando em carros antigos e mais poluentes em termos de emissões.
A maioria (13.749) está afecta a serviços da administração directa (59%), com as forças de segurança (10.891), Forças Armadas (3857) e INEM (2966) a concentrarem mais de três quartos (76%) das viaturas a cargo do Estado português.
Aliás, um único ministério (o da Administração Interna) representa precisamente 50% do PVE. E a lista das dez entidades com mais viaturas na sua mão é liderada pela GNR (5970), com PSP (4921), Exército (2042), Polícia Judiciária (1483) e Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (1031) nos lugares seguintes, de acordo com o relatório anual do PVE, divulgado pela ESPAP – Entidade de Serviços Partilhados da Administração Pública, com dados até 31 de Dezembro de 2025.
Quase 16 mil viaturas são veículos especiais, 7253 são para serviços gerais, 101 são de representação e há mais sete para serviços extraordinários. Dez por cento da frota estatal foi adquirida por apreensão, 2% foi doada, mas a esmagadora maioria foi comprada (83%). São quase 14.200 ligeiros de passageiros, mais de 4800 ligeiros de mercadorias, cerca de mil pesados de mercadorias, 450 pesados de passageiros, 434 ambulâncias, entre outras categorias em menor número como reboques, motociclos, triciclos e quadriciclos.
No final do ano passado, 11% não tinha registo de quilómetros e 26% tinha feito mais de 300 mil quilómetros. A média de idade voltou a subir, pelo sexto ano consecutivo, situando-se no final de 2025 em 18,7 anos (17,9 em 2024). Quase dois terços do PVE tem mais de 16 anos, apenas 6% tem menos de quatro anos.
Frota poluente
Esta radiografia já permite adivinhar que o PVE continua também a ser bastante mais poluente do que se esperaria em 2026. Em Portugal, os carros eléctricos registaram em 2025 uma quota de mercado acima dos 23%. Na frota do Estado português, apenas 1,4% (324 viaturas) são carros eléctricos e os híbridos representam 1,7% (393).
Do ponto de vista das emissões, os dados da ESPAP são incompletos, sendo contabilizados quase dez mil viaturas “sem emissões definidas”. Porém, 47% dos veículos com emissões definidas emitem 111 gramas de CO2 por km ou mais. A presença de viaturas pesadas de transporte, e o facto de haver muitos veículos com tecnologia de motor mais antiga, podem ajudar a explicar essa repartição.
O motor a gasóleo está em 76% do PVE, ao passo que o de gasolina está em 20% das viaturas do Estado português. Em termos de marcas, os dez primeiros lugares têm apenas marcas europeias (seis) e asiáticas (quatro). Toyota e Renault são as marcas mais frequentes, seguindo-se Skoda, Volkswagen, Mercedes e Citroën. A presença europeia nestes dez primeiros lugares é inteiramente garantida por marcas alemãs e francesas.
Mitsubishi, Yamaha e Nissan completam o leque de marcas asiáticas no top-10 do PVE. No ano passado, entraram 805 viaturas no PVE e saíram 1693. A média de idades das viaturas abatidas à frota era de 25 anos (com cerca de 250 mil km percorridos em média). Mesmo tirando da frota carros tão antigos, a idade média do PVE segue a aumentar, o que pode sugerir falta de investimento em veículos com tecnologia com menos emissões.
Apesar de as regras para a compra de carros para o Estado privilegiarem os eléctricos, isso é verdade para os carros de serviços gerais, que não constituem a maior fatia, podendo, no entanto, ser trocados por veículos com motor a combustível fóssil quando, “excepcionalmente, não seja possível a aquisição onerosa de veículos com as características” previstas.
Já em Janeiro deste ano, foi adjudicada a compra de 275 ambulâncias para o INEM. Um negócio que envolve três fornecedores e que causou grandes dúvidas ao grupo parlamentar do PS, que pediu toda a documentação do processo, face à “opacidade da informação partilhada”.
A ESPAP revela que “a despesa total adjudicada” ultrapassou ligeiramente os 16 milhões de euros, “tendo-se alcançado uma poupança de 29,89% (6,8 milhões) em resultado da redução entre o preço máximo definido e o valor efectivamente adjudicado”. Uma vantagem, diz a ESPAP, da compra centralizada de veículos novos para o PVE.
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