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Formada em Design de Moda e com pós-graduações em Moda e Criação e em Ilustração e Animação Digital, a artista pernambucana Bárbara Penaforte, natural do Recife, escreve na cidade do Porto um novo capítulo para a sua trajetória criativa. Desde Outubro de 2020 vivendo em Portugal, ela criou o Ateliê Bárbara Penaforte, espaço dedicado à cerâmica e que, segundo ela, se tornou não apenas local de produção artística, mas também um ponto de encontro entre pessoas de diferentes origens.
No Brasil, Bárbara já atuava como designer de superfície, ilustradora e ceramista. Começou a trabalhar nessas áreas em 2016 e, após a mudança de país, deu continuidade à mesma atividade profissional, algo que, segundo ela, é motivo de grande satisfação. Hoje, a artista divide o tempo entre a produção autoral e as atividades do ateliê, que abriga oficinas e momentos de partilha.
“Sempre digo que quero que as pessoas, ao entrarem no ateliê, sintam que estão entrando em um lugar familiar e acolhedor, quase como uma extensão das suas próprias casas”, confirma Bárbara. A atmosfera do espaço foi pensada exatamente para transmitir essa sensação de acolhimento. O ambiente, segundo a própria artista, tem uma espécie de “cara de casa de vó”: um lugar tranquilo, cheio de memórias e afetos, onde o ritmo parece desacelerar. Ali, além de aprender técnicas de cerâmica, os frequentadores conversam, trocam experiências e constroem novas relações.
Com o tempo, o local passou a reunir pessoas de diferentes nacionalidades. No início, a maioria dos alunos e clientes era formada por brasileiros, mas pouco a pouco o interesse pelo espaço cresceu entre pessoas de outras nacionalidades. A rotina das oficinas, no entanto, também guarda momentos inesperados. Uma das histórias mais curiosas aconteceu durante um workshop de cerâmica, segundo ela conta.
Divulgação
“Enquanto as peças estavam secando, uma aluna pegou um soprador térmico, que pode chegar a cerca de 600 graus Celsius de temperatura, e resolveu usá-lo como se fosse um secador de cabelo. Foi tudo tão rápido que nem deu tempo de eu avisar. Quando percebi, ela já tinha queimado uma pequena mecha do cabelo… e estava rindo da própria situação. Ainda bem que levou tudo com bom humor”. Desde então, a recomendação virou parte obrigatória das aulas. Ela sempre lembra aos participantes logo no início que o soprador ajuda a secar a argila, mas não é um secador de cabelo.
Cerâmica como desdobramento artístico
A equipe é formada por duas pessoas: a própria Bárbara e uma profissional responsável pelas redes sociais, também brasileira. A produção artística da ceramista começou quando ela trabalhava com estamparias e explorava superfícies, ritmos e texturas. Aos poucos, teve vontade de levar estas pesquisas para o tridimensional, de estar mais próxima do material e sentir a forma se transformar nas mãos.
“A cerâmica acabou se tornando um desdobramento natural desse percurso, um lugar onde gesto, processo e matéria se encontram. É nela que continuo experimentando, estudando superfícies e formas, explorando minha linguagem e encontrando novos modos de expressão”. Segundo Bárbara, trabalhar com cerâmica também trouxe aprendizados que ultrapassam a dimensão técnica. “A cerâmica teve um papel muito importante nesse caminho, porque me ensinou a ter paciência, a respeitar o tempo das coisas e a lidar com o erro”, acrescenta.
Atualmente, a artista organiza uma nova etapa do seu percurso. “Estou preparando uma exposição para uma galeria em Lisboa, a Casa Oxente. A ideia é apresentar ao público todo o processo da cerâmica: desde a fase da argila até aquilo que muitas vezes chamamos de ‘erros’, mas que podem se transformar em acertos”.
À medida que o projeto avança, o ateliê no Porto continua sendo o centro de sua atividade criativa e também um espaço aberto a novos participantes. Ela diz que não existe idade ou gênero para começar a fazer trabalhos em cerâmica. O fundamental é ter curiosidade e vontade de experimentar a arte.
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