Milhões de cidadãos norte-americanos estavam de olhos pregados à televisão a ver a Super Bowl quando um pirata informático acedeu ao arquivo de ficheiros relacionado com Jeffrey Epstein. Só na manhã seguinte é que o FBI se apercebeu da intrusão, num momento em que perto de 500 terabytes (TB) de dados tinham já sido roubados.
Isto aconteceu a 12 de Fevereiro de 2023, quando o caso Epstein estava longe de ser a batata quente em que se transformou nos últimos meses. O ataque informático foi noticiado logo nos dias seguintes, e fontes ouvidas pela CNN disseram que o pirata tinha conseguido entrar num sistema onde se alojavam as investigações a crimes de pedofilia, mas o nome do milionário e abusador sexual não surgiu então.
Foi só com a divulgação de três milhões de documentos relacionados com Epstein, no fim de Janeiro, que foi possível ligar os pontos. Ao analisar o vasto arquivo, a revista francesa Marianne encontrou um documento em que um agente especial do FBI, Aaron Spivack, relata detalhadamente como se apercebeu de que alguém tinha acedido ao seu computador e se tinha apoderado de um volume muito significativo de dados. Agora, a Reuters noticia que o pirata informático era estrangeiro.
Uma fonte ouvida pela agência, que tem conhecimento directo do caso, diz acreditar que se tratou de um criminoso que não tinha noção de que estava a aceder a computadores do FBI e não de um agente ao serviço de um Governo estrangeiro. Diz essa fonte que o hacker, ao deparar-se com imagens pornográficas de crianças, terá ameaçado denunciar o dono do computador às autoridades. O FBI terá conseguido demovê-lo através de uma videochamada em que apareceram agentes a mostrar as suas identificações.
No documento, o agente Spivack explica como se apercebeu às 7h30 do dia 13 de Fevereiro de 2023, a seguir ao “domingo da Super Bowl”, que o seu computador e os servidores do escritório do FBI em Nova Iorque estavam a comportar-se de forma estranha. Depois de tentar várias medidas para repor a normalidade, sem sucesso, só às 17h é que constatou que tinha sido pirateado. “Guardámos o nosso trabalho e desligámos tudo imediatamente. Desligámos a internet e certificámo-nos de que tudo o que contivesse um log de dados estava preservado”, detalha Spivack.
Mas era tarde de mais: “500 terabytes de dados foram-se em resultado da intrusão. Ainda assim, consegui recuperar cerca de 400 terabytes. Disseram-me para pesquisar no Google como recuperar os dados. Mais ninguém nos tentou ajudar.”
Jon Lindsay, um docente universitário norte-americano nas áreas de cibersegurança e geopolítica, comentou à Reuters que os ficheiros do caso Epstein têm muito interesse para agentes estrangeiros. Não são apenas os órgãos de comunicação social e polícias um pouco por todo o mundo que estão a escavar. “Eu ficaria chocado se as agências secretas estrangeiras não estivessem a pensar seriamente nestes ficheiros”, disse, questionando: “Se fôssemos os russos ou alguém interessado em material comprometedor, quem é que não iria aos ficheiros Epstein?”
O documento de Aaron Spivack foi escrito no contexto de uma investigação interna ao acto de pirataria em que o FBI procurava determinar se a responsabilidade era dele. O agente negava-o “categoricamente” e até se mostrava “disposto e ansioso” a submeter-se a um teste de polígrafo para o provar. Mais de três anos depois do incidente, o FBI disse à Reuters que “a investigação ainda decorre”.
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