O projecto da ponte internacional Alcoutim/ Sanlúcar do Guadiana caiu um impasse: “É absolutamente urgente que os bons ventos de Madrid cheguem ao baixo Guadiana”, diz o presidente da Comissão de Coordenação Regional do Algarve (CCDR/Algarve), José Apolinário. O avanço está pendente há mais de dois anos de um parecer do Ministério para a Transição Ecológica de Espanha.
A obra, acordada em duas cimeiras luso-espanholas, está consignada no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), mas corre o risco de perder o financiamento e de ficar, mais uma vez, registada numa nota de rodapé das agendas políticas. Desde há três décadas que o investimento é apresentado como exemplo (não concretizado) da cooperação transfronteiriça em duas regiões atingidas pelo despovoamento e desertificação do interior da Península Ibérica.
O presidente do município de Alcoutim, Paulo Paulino, não encontra, aparentemente, motivo para se continuar a adiar um investimento “emblemático” de coesão territorial: “Do lado português tudo está pronto para avançar”, enfatiza. Onde é que o processo está encalhado? “Na burocracia, apenas isso”, responde o presidente do município de Sanlúcar de Guadiana, José Maria Perez.
Os dois autarcas, sintetizam: “Nos últimos anos demos um passo em frente, agora parece que estamos a dar um passo atrás”. O “filme”, prossegue Paulo Paulino, é visto desde 1995, quando pela primeira vez o Programa Interreg I inscreveu a obra no âmbito da Cimeira de Cooperação entre o Governo do Reino de Espanha e o Governo português.
Nesta quinta-feira, em Alcoutim, começam as Jornadas do Mundo Rural, um encontro onde mais de duas dezenas de especialistas em sustentabilidade dos territórios de baixa densidade debatem as “pontes” da memória e da história que unem as duas margens do Guadiana. “Durante dois dias vamos discutir o futuro do interior algarvio e Baixo Alentejo, tendo presente os problemas comuns com o interior da Andaluzia”, afirma Paulo Paulino, enfatizando: “Há um rio que nos une e não pode continuar a ser visto como fronteira – ele é a via para o futuro”.
O presidente da CCDR, José Apolinário, por seu lado, salienta “o empenho” no avanço do projecto, manifestado pelos sucessivos primeiros-ministros de Portugal, desde Cavaco Silva até Luís Montenegro, passando por António Costa. Porém, admite que, neste momento, a situação está num impasse, por indecisão do Governo espanhol. “É absolutamente urgente que os bons ventos de Madrid cheguem ao baixo Guadiana”, informa. Do lado português, informa, o projecto e estudos complementares foram aprovados e o financiamento está inscrito no PRR. O custo estimado são 15 milhões de euros, inscritos por Portugal no plano de recuperação europeu.
“Nós, [município de Sanlúcar], província de Huelva e junta de Andaluzia, temos a firme vontade de avançar com a construção da ponte, mas há problemas burocráticos a resolver a partir de Madrid”, diz José Maria Perez, destacando a importância internacional da ponte, com três quilómetros de extensão. “Todo o interior do Algarve e Baixo Alentejo passarão a estar integrados na rede nacional das estradas espanholas”.
Chegado o momento de decidir, concluem os autarcas dos dois lados da fronteira, “fica-se com a sensação que o processo está parado”. Embora a Junta da Andaluzia tenha aprovado o projecto e comunicado ao governo central de Madrid, repete José Maria Perez, “faltará o parecer do Ministério da Transição Ecológica do Governo do Reino de Espanha”.
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