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A União dos Blocos de Carnaval de Rua de Lisboa (UBCL) divulgou a programação oficial do Carnaval 2026. A festa acontecerá entre os dias 12 e 17 de fevereiro, em vários pontos da capital portuguesa, com expectativa de reunir cerca de 30 mil foliões, segundo a organização. O evento conta com o apoio da Embaixada do Brasil em Lisboa e da Câmara Municipal de Lisboa. No Porto, a programação carnavalesca, a depender das condições meteorológicas, ocorrerá nos dias 22 e 27 de fevereiro, com eventos comandados pela Batucada Radical. Por causa do mau tempo, alguns blocos lisboetas também têm um plano B na manga.
Além da agenda oficial organizada pela UBCL, os blocos ainda organizam festas próprias ao longo do período. Um deles é o Lisbloco, liderado por Júlio Brechó, que vai circular por diferentes cidades portuguesas. A agenda do Lisbloco começará nesta sexta-feira (13/02), com participação no Carnaval de Ovar, um dos mais tradicionais de Portugal, às 22h, marcando a estreia do grupo no evento do distrito de Aveiro.
Rodrigo Spherik/Divulgação
No sábado (14/02), o bloco promoverá um baile no Lat.A, na capital lisboeta, também às 22h. No domingo (15/02), a apresentação será em Loulé, às 15h. Na segunda-feira (16/02), o grupo desfilará na Fábrica Braço de Prata, a partir das 21h. Já na terça-feira (17/02), acontecerá o desfile oficial do Lisbloco em Lisboa, com concentração às 15h, na Praça do Comércio.
O tema do bloco em 2026 é A tecnologia do tambor – A caverna ligou no wi-fi. Segundo Brechó, “a tecnologia da comunicação é pré-histórica, e o tambor é um dos primeiros instrumentos de comunicação criado pelo homem”. “Com essa mensagem, a gente tenta reconectar as pessoas, que estão hoje muito conectadas com inteligência artificial (IA) e com as redes sociais. A tecnologia tem avançado, mas também tem separado as pessoas. E a batucada e o toque de tambor unem os foliões. Essa é nossa mensagem para este ano de carnaval”.
Raquel Pimentel/Divulgação
Som do tambor
O líder do Lisbloco também comenta a expectativa em relação ao clima e faz um convite ao público. “Parece que São Pedro vai colaborar com a gente e, a partir de sexta, 13, já deixa de chover. No sábado já vai abrir um sol. A gente convida a galera para vir sentir o som do tambor e se conectar com os foliões no carnaval em Lisboa”.
Outro destaque da programação é o Bloco Secretinho, fundado por Diogo Presuntinho, ao lado de Camila Rondon. O grupo realizará seu show de carnaval no domingo (15/02), no espaço 8 Marvila, em Lisboa, a partir das 16h. O evento terá entrada gratuita e contará com a participação da Escola de Percussão Pirâmide e discotecagem da DJ Sapatrux.
Em 2026, o Bloco Secretinho aposta em uma temática ligada ao fundo do mar, segundo o seu fundador. “Se o mundo acabar, há uma corrente da ciência que diz que só sobreviveriam os polvos. Vamos brincar com esse tema”. Na terça-feira (17/02), ocorrerá o Carnapatu, carnaval do Patú Sambá, na Fábrica Braço de Prata, às 16h. O evento adota o modelo de contribuição livre, em que cada folião paga o valor que desejar, informa Presuntinho.
Diversidade
Os projetos Patú Sambá, Bloco Secretinho e Pirâmide se destacam também pela diversidade do público. Atualmente, reúnem foliões de 19 nacionalidades diferentes. De acordo com a organização, cerca de 70% do público é formado por brasileiros, enquanto 30% são de outras nacionalidades, sendo 20% portugueses.
O desfile do Bloco Secretinho no 8 Marvila acontecerá em espaço coberto, com estrutura adequada para receber o público, independentemente das condições climáticas. O fundador do bloco reforça o convite: “Tá todo mundo convidado a participar do carnaval do Bloco Secretinho, onde vamos misturar Pitty com Olodum, Milton Nascimento com Bad Bunny, uma mistura bem eclética de ritmos, um carnaval pra todo mundo. Chamamos todos para virem fazer parte dessa festa”.
Por sua vez, a diretora de Articulação Institucional da UBCL, Bianca Mattos, destaca a importância do carnaval de rua para a cidade e o envolvimento institucional na realização da festa. “O carnaval que fazemos em Lisboa é sempre com muita emoção. Estamos contando com o apoio da Embaixada do Brasil em Lisboa, da Câmara de Lisboa e vamos fazer uma grande festa. Estamos torcendo para os ‘Deuses do Carnaval’ darem uma trégua nessas chuvas”.
Qui Nem Jiló
A produtora portuguesa Eva Matos, do bloco de forró Qui Nem Jiló, enfatiza que a Junta de Freguesia de Penha da França, que apoia o bloco, tem um plano B caso chova. “A saída do nosso bloco no domingo [15/02] está confirmada. Santa Clara vai nos ajudar e teremos sol neste fim de semana. Mas, caso isso não aconteça, a Junta de Freguesia de Penha da França tem um plano B. Não sairíamos à rua, mas nos reuniríamos numa escola secundária do bairro, num espaço coberto”.
Divulgação
Ela observa que mais do que nunca é importante levar alegria à população, que tem sofrido muito após a passagem da tempestade Kristin, que varreu cidades na madrugada de 28 de janeiro deste ano. “Somos completamente solidários ao que está a acontecer ao nosso país. Não estamos sendo desrespeitosos, de forma alguma. Mas, neste momento, penso que o bloco vai levar um pouco de alento às pessoas, que já estão tão fatigadas com tantas tempestades que têm atingido Portugal. É um pouco para desopilar o fígado, como vocês brasileiros dizem”, assegura. “E reforçar essa partilha, esse cruzamento multicutural com o Brasil“.
O bloco foi criado em 2023 e, neste ano, vai comemorar a estreia o bloco infantil dos Jilozinhos. A concentração está marcada para as 15h, no Largo da Igreja da Penha de França. O cortejo seguirá até a Praça Paiva Couceiro.
Cuiqueiros de Lisboa
O bloco Cuiqueiros de Lisboa, liderado por Giselly Mauri e o mestre de bateria Neném do Chalé, desfilará nesta quinta-feira (12/02), a partir das 15h. O trajeto será do Chapitô até o Campo das Cebolas. Mas, se a chuva persistir, a produção do bloco também tem um plano B. “Se chover, faremos a festa de carnaval dentro do Chapitô”, avisa a paulista Giselly, em Portugal há 22 anos. “Até para não estragar os instrumentos”.
Ela acredita que o carnaval é uma fonte de euforia que só quem participa dele entende. “É uma energia brutal, como dizem os portugueses”, celebra. “E trabalhamos o ano todo para que isso aconteça, para pôr o bloco na rua. Os alunos têm aulas de percussão o ano inteiro para se apresentarem agora no bloco. Com isso, eles ganham mais autoconfiança”.
O Cuiqueiros de Lisboa, segundo Giselly, também atrai cada vez mais portugueses e foliões de outras nacionalidades. “A cultura brasileira é muito consumida em Portugal. Não é só uma fase. E há muitos portugueses e estrangeiros que saem no Cuiqueiros de Lisboa, que se unem pela alegria que a musicalidade brasileira traz”.
Carmen Miranda
Esse é o terceiro ano do bloco, que conta com uma ala de passistas. Como o tema é uma homenagem a Carmen Miranda (1909-1955), elas virão fantasiadas com roupas inspiradas na cantora, nascida em Portugal, que ganhou fama no Brasil e no mundo. No ano passado, o enredo do Cuiqueiros de Lisboa foi inspirado no fado, fazendo sempre a ponte entre a cultura dos dois países. E há planos para o bloco se tornar uma escola de samba. “Estamos trabalhando para isso, mas ainda não será em 2026”.
Giselly avisa que como o bloco também participará nesta sexta-feira (13/02) do carnaval de Ovar. E para unir folia à solidariedade, o Cuiqueiros de Lisboa pede que os foliões levem alimentos não perecíveis e água para o Chapitô. As doações serão distribuídas às famílias que foram afetadas pelas tempestades dos últimos dias. “Vamos levar tudo para algum posto de recolhimento em Leiria”, explica Giselly, referindo-se a um dos distritos, no Centro do país, mais castigados pela tempestade Kristin.
Como em 2025, a criançada terá o Carnaval Kids, que este ano chega ao Algarve, no sábado (14/02), das 14h às 18h, no Off Market. O evento é gratuito para as crianças, mas adultos pagam 10 euros. “Tem pintura facial, concurso de fantasia, é uma festa voltada para o público infantil”, recomenda Giselly.
Estado de contingência
No Porto, no Norte de Portugal, por conta das chuvas, a Batucada Radical adiou o desfile que seria neste domingo (15/02) para o dia 22 de fevereiro, segundo Jorge Porto, fundador e líder do grupo. A programação começará às 15h, na Rua do Heroísmo e, cinco dias depois, a festa acontecerá nas Galerias de Paris, às 19h30. Em sua página no Instagram, o grupo informou que, em conjunto com autoridades, decidiu adiar o desfile por sete dias. “O momento pede contenção e muito cuidado. A cidade está em estado de contingência, e a proteção das pessoas é a prioridade”, diz a nota.
O comunicado acrescenta que os integrantes da Batucada Radical esperam que a situação melhore para realizar o cortejo. E finaliza: “Se o estado de contingência permanecer até o dia 22, o carnaval do Porto será cancelado definitivamente”. O estado de contingência é adotado pelas autoridades como medida de proteção e prevenção ante ao perigo efetivo ou iminente, que supera a capacidade de resposta municipal. O fundador do Batucada Radical, porém, está otimista: “As chuvas dificultaram, mas teremos desfile, e será grandioso. Com samba, axé, marchas, frevo, funk e muito mais”, planeja Jorge Porto.
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