Por que é que este vinho vale 700 mil euros?

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Em 2018, uma garrafa de Domaine de la Romanée-Conti 1945 foi arrematada por 558 mil dólares num leilão em Nova Iorque. Tornava-se o vinho mais caro de sempre leiloado, ultrapassando um Lafite Rothschild de 1869 (menos de metade, 233 mil dólares). Oito anos depois, o mesmo octogenário Romanée-Conti dá um salto de gigante, valorizando a colheita em quase 50%: ultrapassou os 800 mil dólares, mais de 700 mil euros, num leilão também em Nova Iorque.

Ao encontro anual e leilão “La Paulée”, focado nos vinhos de Borgonha e levado a cabo pela influente distribuidora e leiloeira Acker, acorrem os entusiastas e coleccionadores mais endinheirados. Realizou-se no último fim-de-semana de Março, entre o culto e o investimento nos Borgonhas. Sendo o Domaine de la Romanée-Conti 1945 tão valorizado, era nele que recaiam os holofotes. E não houve surpresas: uma garrafa foi arrematada por precisamente 812,5 mil dólares (702,6 mil euros ao câmbio do dia), confirmou a Acker. Por quem? Não se sabe: a casa não adianta nomes.

“Mais caro do que um apartamento em Paris”, resume bem o jornal francês Le Figaro. Mas por que vale tanto este vinho? Segundo regista o jornal, além de outros detalhes apetitosos, há um verdadeiro fascínio com a vinha que deu origem a este rei dos vinhos. “O acaso quis que 1945 fosse uma excelente colheita nas vinhas da Borgonha. Como se o tempo, nesse ano, também se tivesse alegrado com o fim da guerra. Um Verão quente e seco, algo pouco comum na época, permitiu ao pinot noir uma maturação lenta e plenamente completa, resultando em vinhos com um potencial de envelhecimento excepcional.”

O ano de “1945 revela-se, na realidade, duplamente simbólico na propriedade da Romanée-Conti, uma vez que, tratando-se da parcela rainha, aquela que produz precisamente a Romanée-Conti, as vinhas foram arrancadas logo após a vindima”, resume-se. Mas eram ainda pré-filoxera e não tinham sido alteradas para resistirem à catastrófica peste.

São muitos milhões em vinhos
Acker

“As videiras, que datavam do século XIX e até então tinham sido poupadas pela filoxera, só deram para produzir 600 garrafas, reforçando, mais uma vez, o carácter mítico daquele que ainda hoje é considerado um dos melhores vinhos do mundo.”

A ficha de registo de leilão indica que a garrafa em questão é proveniente “da colecção particular de Robert Drouhin”, um dos herdeiros da francesa Maison Joseph Drouhin, imponente na Borgonha e também com outras propriedades vinícolas pelo mundo. “É uma de apenas 600 garrafas produzidas — o último vintage antes das vinhas terem sido replantadas”.

“Fizemos história este fim-de-semana”, disse, em comunicado, John Kapon, o presidente da Acker, que se apresenta como “a mais antiga e respeitada empresa de comercialização de vinhos dos Estados Unidos — e a principal casa de leilões de vinhos finos do mundo”. E comenta: “Tive o privilégio de provar o Romanée-Conti de 1945 apenas três vezes na minha vida, e é o melhor vinho que já provei. Esta venda notável foi apenas uma das centenas de conquistas recordistas num leilão que destacou a procura crescente por vinhos de colecção no segmento mais alto do mercado de vinhos finos.”

Durante o encontro e leilão da empresa foram leiloadas mais de sete mil garrafas, num valor registado pela Acker em mais de 25 milhões de dólares. Nos valores, DRC domina (Romanee Conti 1999 e La Tache 1971, cada a 325 mil dólares, por exemplo, entre muitos outros em redor ou acima dos 100 mil), mas a empresa destaca “460 novos recordes mundiais” repartidos por muito mais vinícolas. Em alta, apontam: Domaine Dujac, Domaine Leflaive, Coche-Dury, Duroche, Ramonet, Alex/Bernard Moreau, Bouchard Pere & Fils​.​

Os vinhos Romanée-Conti são célebres por serem dos mais valorizados e desejados por enófilos e coleccionadores. A Romanée-Conti “produz entre 5000 e 6000 garrafas de vinho por ano”, assinala, por seu lado, a influente revista Forbes, salientando que é das produtoras de vinhos “mais dominantes em termos de vendas em leilão, tanto em volume vendido como em preços alcançados”.

“Os vinhos deste produtor representaram, por si só, 17% do volume de vendas de vinho da Sotheby’s no ano passado, mais do dobro do segundo produtor mais vendido, Petrus, com 7%. A vinha detém o recorde de 2025 para o lote mais caro vendido em qualquer casa de leilões”, segundo dados citados da leiloeira.

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