Portugal continua entre os países europeus que mandam mais de metade do lixo para aterros

0
4

Portugal está entre os países europeus com maior dependência de aterros sanitários, com mais de 57% dos resíduos urbanos produzidos no país a terem esse destino — bem acima da média de 37% registada para a região da Europa e Ásia Central.

Os dados são da terceira edição do relatório What a Waste, o inventário global mais abrangente sobre a produção e gestão de resíduos no mundo, lançado esta semana pelo Banco Mundial. O documento marca a agenda do Dia Internacional do Lixo Zero, assinalado a 30 de Março por iniciativa das Nações Unidas — e os dados sobre Portugal, com base em informação de 2022 fornecida pela Agência Portuguesa do Ambiente,​ não são animadores.

Os países europeus mais dependentes de aterros sanitários para a gestão dos seus resíduos urbanos são Malta, Roménia, Grécia e Chipre, seguindo-se Bulgária, Portugal, Letónia, Hungria e Croácia, que continuam a enviar mais de metade do seu lixo para aterros.

Em contraste, oito Estados-membros da UE já apresentam taxas de deposição em aterro iguais ou inferiores a 5%, com destaque para países como a Áustria, Dinamarca, Bélgica, Países Baixos e Suécia, e o bloco europeu está no caminho certo para atingir a meta de 10% até 2035.

O retrato global é ainda mais desigual. A nível mundial, apenas 21% do lixo é reciclado ou compostado, e 72% dos resíduos nas regiões de baixo rendimento ficam por recolher — indo parar maioritariamente a lixeiras a céu aberto sem qualquer controlo ambiental.

Fosso entre Portugal e líderes mundiais

Portugal tem recolha formal quase universal e pertence ao grupo de países de rendimento elevado, que são também os maiores produtores de resíduos per capita do mundo. Mas estar no pelotão da frente em termos de infra-estrutura não tem significado estar na frente em termos de circularidade.

O contraste com as cidades de referência é expressivo. Liubliana, na Eslovénia, recicla mais de 68% dos seus resíduos e reduziu em 95% os que vão para aterro na última década. São Francisco desvia 80% do lixo dos aterros. Kamikatsu, no Japão, recicla ou composta mais de 80% dos resíduos que produz.

Portugal, com uma taxa de reciclagem de resíduos urbanos de 32% — segundo os dados mais recentes do Relatório do Estado do Ambiente 2025 —, está a menos de metade desses resultados. E a meta europeia de 55% para 2025 afigura-se cada vez mais difícil de alcançar.

Menos gente, mais lixo

As projecções do What a Waste 3.0 apontam para um agravamento progressivo do problema. Em 2022, Portugal gerou 5,27 milhões de toneladas de resíduos urbanos. Entretanto, o Relatório Anual de Resíduos Urbanos (RARU) de 2024 revela que o país gerou 5,55 milhões de toneladas de lixo nesse ano.

O relatório do Banco Mundial previa, com base nos dados de 2022, que esse valor suba para 5,6 milhões em 2030, 5,8 milhões em 2040 e atinja os 5,84 milhões em 2050 — um aumento de 10% em três décadas.

O dado mais intrigante é o contexto em que esse crescimento ocorre: a população portuguesa deverá diminuir no mesmo período, passando dos actuais 10,4 milhões para cerca de 9,8 milhões de habitantes. Mais lixo, menos gente: uma equação que o país ainda não aprendeu a resolver.

Estado do Ambiente

O relatório What a Waste 3.0 usa dados de referência de 2022. Desde então, o Relatório do Estado do Ambiente 2025 (REA 2025) e o RARU 2024 apresentam uma leitura mais actualizada e ligeiramente mais preocupante.

A proporção de resíduos urbanos subiu de 507 kg por habitante por ano — estimativa do Banco Mundial — para 502 kg registados oficialmente em 2023 pelo REA, e disparou para 519 kg por habitante por ano de acordo com o RARU 2024, numa convergência que confirma a estabilidade do problema: Portugal produz quase um quilo e meio de lixo por pessoa por dia.

A taxa de deposição em aterro, que o Banco Mundial estima em 57% para 2022, subiu para 59% em 2023, segundo os dados nacionais. O Orçamento do Estado para 2026 já reconhece o risco de esgotamento iminente da capacidade dos aterros e aposta no Plano de Acção TERRA como resposta estrutural.

Ainda assim, há sinais positivos nos fluxos específicos. Em 2022, Portugal superou as metas europeias de reciclagem de embalagens de papel e cartão (64,4%), plástico (37,3%), metal (52,1%) e madeira (79,5%). O vidro continua a ser a excepção: com 56,9%, falha a meta de 60%.

Desperdício alimentar

Os últimos números divulgados pelo INE apontam que cada português desperdiça por ano 182,7 quilos de alimentos — meio quilo por dia.

Em 2023 desperdiçaram-se em Portugal 1,9 milhões de toneladas de alimentos, com 66,8% desse desperdício atribuído às famílias.

O sector do comércio e distribuição foi responsável pelo desperdício de 12% do total, a restauração, hotelaria e similares por 11,5%, a produção primária por 6,8% e a indústria por 2,9%. com Lusa

Disclaimer : This story is auto aggregated by a computer programme and has not been created or edited by DOWNTHENEWS. Publisher: feeds.feedburner.com