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A relação entre Portugal e Brasil tem uma profundidade histórica e cultural que poucos países no mundo podem reivindicar. Partilhamos língua, laços humanos, comunidades empresariais dinâmicas e uma posição geográfica complementar no espaço atlântico. Mas, se a história nos une, os números recordam-nos que ainda estamos longe de transformar essa afinidade em verdadeira densidade econômica.
Os dados mais recentes mostram sinais encorajadores: crescimento sustentado das exportações portuguesas até 2024, melhoria do coeficiente de cobertura e redução do déficit comercial em 2025. Contudo, seria um erro confundir melhoria conjuntural com transformação estrutural. A relação continua assimétrica, o volume de trocas permanece modesto face à dimensão das duas economias e a presença empresarial bilateral está aquém do seu potencial.
Para uma câmara de comércio e indústria com 114 anos, mas com visão progressista, esta realidade não é motivo de resignação — é um apelo à ação. Precisamos assumir que a relação luso-brasileira deve ser encarada como um eixo estratégico e não apenas como um ativo simbólico.
O Brasil é uma das maiores economias globais, com escala industrial, capacidade tecnológica e um vasto mercado consumidor. Portugal, por sua vez, é uma economia aberta, integrada à União Europeia, com crescente especialização em setores de valor acrescentado, inovação e serviços avançados. Esta complementaridade exige uma agenda econômica ambiciosa e orientada para resultados.
Defendemos uma estratégia baseada em cinco pilares. Primeiro, foco setorial. Devemos concentrar esforços em áreas onde a convergência é clara: energias renováveis, economia do mar, agroindústria sustentável, tecnologia, turismo de valor acrescentado e transição digital.
Segundo, apoio estruturado à internacionalização das PMEs. Muitas empresas têm qualidade e diferenciação, mas enfrentam barreiras de escala, financiamento e enquadramento regulatório. É essencial criar instrumentos financeiros e redes de apoio que reduzam risco e incentivem investimento bilateral.
Terceiro, diplomacia econômica com metas mensuráveis. Missões empresariais e protocolos são importantes, mas devem traduzir-se em contratos, investimento direto e cadeias de valor partilhadas.
Quarto, promoção de inovação conjunta. Universidades, centros tecnológicos e startups dos dois países podem cooperar mais intensamente, criando ecossistemas transatlânticos de conhecimento.
Quinto, estabilidade e previsibilidade regulatória. A confiança empresarial se constrói com regras claras e continuidade política.
A melhoria recente do equilíbrio comercial mostra que há espaço para avançar. Mas não podemos depender apenas de ajustamentos conjunturais. Precisamos de crescimento sustentado das exportações, maior presença empresarial no terreno e projetos estruturantes de investimento cruzado.
Portugal e Brasil têm capital histórico. Agora é tempo de o transformar em capital econômico. Uma relação moderna, competitiva e progressista não se constrói apenas com memória — constrói-se com estratégia, coragem e execução. Fazer mais não é uma opção. Fazer melhor é uma responsabilidade.
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