Presidente do Irão reaparece, organiza sucessão e promete vingança

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Acompanhe aqui a cobertura ao minuto das consequências do ataque de EUA e Israel contra o Irão.

Um dia após a morte do Guia Supremo do Irão e de boa parte da cúpula militar do país, no ataque de Estados Unidos e Israel, a teocracia busca demonstrar que está viva, dando os primeiros passos para a sucessão de Ali Khamenei.

Segundo os media estatais, o Presidente Masoud Pezeshkian reapareceu este domingo, depois de ter sido um dos alvos do ataque de sábado. Em comunicado, afirmou que o ataque foi “uma declaração de guerra contra os muçulmanos”, e a vingança, “um direito legítimo e um dever”.

Acto contínuo, foi confirmada a composição do chamado Conselho de Liderança Interina, que ocupará as funções de Khamenei até a escolha de um sucessor, o que ocorrerá quando for reunida a Assembleia dos Peritos, com 88 membros.

Além de Pezeshkian, integram o conselho o ayatollah Alireza Arafi, um dos 12 membros do Conselho dos Guardiões, e o chefe do Judiciário, Gholam-Hossein Mohseni-Ejei. Não há um prazo estimado para o processo de escolha, que é altamente opaco.

Com a morte do Presidente radical Ebrahim Raisi num obscuro acidente de helicóptero em 2024, o idoso Khamenei ficou sem sucessor óbvio. Desde então, especulava-se que um dos filhos do ayatollah, Mojtaba, hoje com 56 anos, seria o nome escolhido.

Ocorre que ser Guia Hereditário não é um direito hereditário, e outros nomes surgiram, a maior parte do campo religioso mais conservador. Donald Trump chegou a dizer que “tinha um nome em mente” para liderar o Irão, mas presume-se que conta primeiro com a queda do regime.

O regime tenta mostrar força com a campanha de retaliação ampliada neste domingo, algo que precisa enfrentar o teste de um conflito mais prolongado e mais pressão por parte dos EUA e de Israel. Além do conselho interino, a poderosa Guarda da Revolução, cujo comandante foi morto no sábado, tem um novo chefe anunciado.

O general Ahmed Vahidi tem um mandado de prisão emitido pela Interpol por suspeita de organizar o maior atentado da história da América do Sul, a explosão de uma entidade judaica em Buenos Aires que matou 85 pessoas em 1994.

A imprensa estatal iraniana confirmou este domingo que a cúpula militar do país foi morta durante uma reunião presencial para avaliar o ataque dos EUA e de Israel contra o país, em Teerão.

Morreram no bombardeamento o chefe da Guarda Revolucionária, Mohammad Pakpour, o poderoso conselheiro de Defesa Ali Shamkhani, o ministro da Defesa, Aziz Nasirzadeh, e o chefe do Estado-Maior, Abdolrahim Mousavi, além de outros oficiais. Israel afirma que cerca de 40 militares e cientistas nucleares foram mortos no ataque.

Na frente doméstica, Teerão tenta mostrar unidade, apesar de o regime ter acabado de reprimir violentamente os mais importantes protestos contra a teocracia islâmica instalada em 1979.

Foram divulgadas imagens de moradores da capital e de outras cidades nas ruas lamentando o que agora chamam de mártir Khamenei, uma cena que foi vista em locais como a Índia, Iraque e no Paquistão, onde uma confusão deixou nove mortes num protesto.

O Irão decretou luto oficial de 40 dias e as mesquitas passaram a envergar a bandeira vermelha, símbolo do xiismo para a vingança devido ao derramamento de sangue. O país persa é o centro deste ramo minoritário do Islão, que no Médio Oriente é muito forte também no Iraque.

Exclusivo PÚBLICO/Folha de São Paulo*

* O PÚBLICO respeitou a composição do texto original, com algumas adaptações ao português de Portugal

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