De pouco ou nada valeu o apelo público de “recato” que o líder parlamentar do PSD fez na sexta-feira a propósito das negociações em curso para indicações aos órgãos externos do Parlamento. A abrir as jornadas parlamentares do CDS-PP, o ministro dos Assuntos Parlamentares atirou ao PS por querer “manter a sua omnipresença” nos órgãos do Estado, com os socialistas a responder que no Governo estão a “queimar as pontes todas”.
Com o impasse a manter-se nas indicações para os órgãos externos — e com os nomes para juízes do Tribunal Constitucional (TC) à cabeça —, o ministro Carlos Abreu Amorim abriu as jornadas centristas a subir o tom. Citado pela Lusa, o governante disse que os socialistas “são a grande força conservadora deste país” porque “resistem à mudança com todas as suas forças, preferem sempre a inacção à transformação”. “Força de conservadorismo granítico”, chamou-lhe mesmo.
Para Abreu Amorim, os socialistas “nunca afrontam os interesses instalados” e a política passa por “manter a sua omnipresença nos órgãos do Estado”, dos quais “nunca querem sair, seja qual for a lógica da democracia e seja quais forem os resultados eleitorais”. A crítica está implícita relativamente ao esticar de corda que o PS fez na última semana sobre as negociações em curso para os órgãos externos e que, de resto, como o PÚBLICO noticiou no sábado, o Governo interpretou como chantagem.
Para o PS, estas palavras não auguram nada de bom. Também à Lusa, o vice-presidente da bancada socialista, Pedro Delgado Alves, considerou que se se está a “procurar encontrar uma solução”, estas declarações têm o efeito de “queimar as pontes todas e não mostrar manifesto interesse em fazer isso”.
Delgado Alves lamentou “este grau de acrimónia” nas declarações do ministro dos Assuntos Parlamentares e sublinhou que “nunca passou pela cabeça ao PS”, quando era o PSD a ter menos votos ou “menos peso”, “dizer que ficava de fora da equação”.
Recusando “estados de alma”, o deputado ainda considerou o tom do ministro “pouco construtivo”, sobretudo um governante que deveria ser, em teoria, “o mais diplomático dos membros do Governo”.
Sobre este mesmo tema, o presidente do Supremo Tribunal de Justiça também se pronunciou nesta segunda-feira, dizendo ser “extremamente nocivo” partidarizar a escolha dos juízes. João Cura Mariano defendeu que “os juízes de carreira não têm filiação partidária” e que esta vinculação é “extremamente inibidora” para os magistrados.
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