Depois de ter assinado no final de Outubro um acordo de governação com o PS com a atribuição dos pelouros ligados à economia, emprego e gestão de fundos, o presidente social-democrata da Câmara Municipal de Cascais, Nuno Piteira Lopes, assinou agora um acordo também com os dois vereadores eleitos pelo Chega, a quem deu os pelouros da transparência e do desporto. O vereador socialista João Ruivo confirmou ao PÚBLICO que nesta terça-feira o partido vai entregar, na reunião pública da câmara, os pelouros que lhe tinham sido atribuídos, assim como a Alexandra Domingos.
“Cada um escolhe com quem quer trabalhar e nós não aceitamos trabalhar com o Chega”, diz ao PÚBLICO Ruivo. “Cada um escolhe as suas companhias”, acrescenta, lamentando a opção do presidente Nuno Piteira Lopes. No início do seu mandato, o autarca afirmara que iria dar pelouros a quem quisesse aceitá-los e trabalhar com o executivo da coligação PSD/CDS-PP “Viva Cascais”. Nas autárquicas de Outubro, a coligação da direita elegeu cinco vereadores, ao passo que os restantes seis foram divididos de igual forma pelo PS (dois), pelo movimento de João Maria Jonet (dois) e pelo Chega (dois). A assinatura do acordo de governação com o PS dava a Piteira Lopes a estabilidade política decorrente da maioria absoluta.
“O acordo com o PSD tem duas linhas fundamentais: não fazemos parte de nenhum executivo que integre o Chega e não vamos capitular em relação às nossas propostas, isto é, não ficamos inibidos de ter a nossa iniciativa política”, garantira ao PÚBLICO Ruivo em Outubro. Os candidatos autárquicos socialistas assinaram um compromisso antes das eleições em que prometiam não integrar qualquer executivo que tivesse a participação de eleitos do Chega. “Eu concordo com isso e assinei o compromisso”, recorda o socialista.
Na reunião da Assembleia Municipal de Cascais desta noite de segunda-feira, o deputado do Chega Carlos Reis anunciou que o partido assinou um “acordo de governação autárquica até 2029 com o PSD” que foi “validado pela direcção nacional” do Chega e elogiou a “visão política do executivo” de Piteira Lopes, que assim contraria o princípio do presidente do PSD, e primeiro-ministro, Luís Montenegro, de continuar a dizer “não é não” a acordos com o partido liderado por André Ventura.
Pelo Chega vão assumir os pelouros os vereadores João Rodrigues dos Santos e Pedro Teodoro dos Santos.
O acordo “representa responsabilidade, maturidade democrática e compromisso com os cascalenses”, salientou o deputado municipal, acrescentando que não se tratou de “um processo automático”, mas que implicou “ponderação” e aproveitou para salientar a “normalização” que o gesto de Piteira Lopes representa e garantir que “o acordo respeita a identidade de cada partido”. Carlos Reis desafiou ainda o PS a cumprir o que prometera, ou seja “abandonar as funções de vereação caso o Chega assumisse funções executivas, como se o Chega fosse de segunda categoria”.
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