
O PSD pediu, nesta segunda-feira, uma audição parlamentar urgente do ministro da Administração Interna, Luís Neves, para “apurar os factos” sobre o incidente com um objecto incendiário ocorrido no sábado na Marcha pela Vida, em Lisboa.
Num requerimento entregue no Parlamento, a bancada social-democrata considera que o “recente incidente ocorrido no passado dia 21 de Março” na Marcha pela Vida “constitui um preocupante sinal de degradação e radicalização do debate público”.
“Independentemente das convicções pessoais de cada um, e que motivaram os presentes a sair à rua em manifestação das suas ideias e vontades, o inusitado ataque que se seguiu não é compatível com uma sociedade livre e democrática, que se pretende plural e respeitadora da diferença”, sustenta o partido.
A Marcha pela Vida, realizada no sábado à tarde no centro de Lisboa, terminou com um incidente, sem feridos, em que uma pessoa atirou um objecto incendiário, do tipo “cocktail molotov”, contendo gasolina, na direcção dos participantes.
De acordo com a PSP, o suspeito, que não participava na manifestação, foi detido no local.
O PSD escreve que esta condenação “só por um acaso não é um voto de pesar” e sublinha que a “liberdade de expressão e de manifestação, enquanto direitos fundamentais inalienáveis do Estado de Direito Democrático, têm de estar disponíveis para todas as opiniões”.
O partido considera ainda que a “agressividade do discurso político, e a polarização da sua expressão, semeiam o ódio e a intolerância, incompatíveis com uma sociedade democrática e plural”.
Os sociais-democratas “condenam, de forma veemente” o ataque contra os participantes da Marcha pela Vida e pedem uma audição com “carácter de urgência” do ministro da Administração Interna, Luís Neves, na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias.
Neste requerimento, o partido do Governo elogia a “acção e a determinação da Polícia de Segurança Pública na defesa e salvaguarda dos cidadãos” e a actuação do ministro Luís Neves, que “pronta e veementemente condenou este acto de extremismo e radicalização social”.
No momento do incidente, participavam no protesto cerca de 500 pessoas, incluindo crianças e bebés. O engenho embateu junto de um grupo de manifestantes, mas não chegou a deflagrar no momento do impacto.
Ainda assim, a PSP relata, num comunicado divulgado, nesta segunda-feira, que o incidente gerou “um clima de alarme e perturbação no local” e algumas pessoas foram atingidas pelo líquido inflamável.
Além do suspeito, estavam no local outras pessoas, que acabaram por fugir e que, segundo a PSP, estariam integradas “num grupo alegadamente de conotação anarquista, tendo mais tarde sido identificados três membros em outra artéria”.
A Marcha pela Vida, realizada em Lisboa no quadro da Caminhada pela Vida, que teve lugar em 12 cidades do país contra a interrupção voluntária da gravidez, começou no Largo do Carmo e seguiu até ao Palácio de São Bento.
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