Puig em negociações com Estée Lauder para unir Jean Paul Gaultier e Clinique

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As acções da Puig, proprietária das marcas de perfumes Jean Paul Gaultier e Rabanne, subiram 16% nesta terça-feira, a caminho do seu melhor dia de negociação de sempre, depois de o grupo espanhol de beleza e a Estée Lauder terem anunciado, na segunda-feira, que estavam em negociações sobre uma potencial fusão.

Um acordo criaria um grupo de beleza de luxo no valor de cerca de 40 mil milhões de euros com uma forte presença na indústria global de perfumes, que enfrenta um abrandamento da procura, com a confiança dos consumidores ainda mais abalada pelas preocupações com a inflação devido ao conflito no Médio Oriente. Mais de 70% das receitas da Puig provêm de linhas de perfumes.

A fusão ocorreria apenas alguns meses depois de a gigante francesa de beleza L’Oréal ter comprado os activos de beleza da Kering, proprietária da Gucci, com alguns analistas a afirmarem que as dificuldades de crescimento na indústria global de beleza poderiam alimentar uma onda de consolidação. “O crescimento está a diminuir, a incerteza está a aumentar devido à geopolítica e ao mercado chinês. Entretanto, a concorrência está a tornar-se mais intensa, pelo que a consolidação e a dimensão são a resposta se se quiser vencer neste contexto”, contextualiza Stefan Bauknecht, gestor de carteiras da DWS do Deutsche Bank.

Desafio ao segmento de luxo da L’Oréal

Os detalhes financeiros do negócio previsto entre a Puig e a Estée Lauder não foram divulgados, mas os analistas afirmaram que a transacção poderá implicar um prémio substancial na avaliação da Puig, caso a empresa espanhola de gestão familiar renuncie à sua independência após mais de um século, o que impulsionaria o valor das suas acções.

Isso poria fim à era de dois anos da Puig como empresa cotada em bolsa. As suas acções têm vindo a desvalorizar-se constantemente desde a sua estreia no mercado e estão a ser negociadas cerca de 30% abaixo do seu valor em Maio de 2024.

Alguns analistas afirmam que o negócio planeado poderá constituir uma distracção para a Estée Lauder, que está a passar por uma recuperação após anos de vendas fracas. “A Estée está no meio de uma recuperação que se estende por vários anos, o que exige que a administração se concentre em investimentos na marca, inovação e execução no mercado após anos de queda nas vendas”, afirma o analista da Morningstar, Dan Su, num comunicado.

As acções da Estée Lauder, cotadas em Nova Iorque, fecharam com uma queda de 7,7% na segunda-feira. Os analistas afirmam que o negócio combinado, que abrangeria marcas como os cosméticos Clinique da Estée Lauder e os perfumes Rabanne da Puig, teria receitas de pouco mais de 20 mil milhões de euros, superando os 15,6 mil milhões de euros da divisão Luxe da L’Oréal, que comercializa produtos sob marcas como Armani e Yves Saint Laurent.

Xavier Brun, gestor de carteiras da Trea Asset Management em Barcelona, afirmou que o facto de a Puig ser proprietária das suas marcas de perfumes, em vez de apenas deter licenças, constitui uma vantagem. “Carolina Herrera, Paco Rabanne e Jean Paul Gaultier estão, cada uma, perto de mil milhões em vendas, são marcas reconhecidas mundialmente, pelo que se pode tirar partido disso; além disso, adquiririam a Charlotte Tilbury, que está em expansão.”

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