Pureza diz que Montenegro “não deixará cair a ministra dos patrões” porque o Governo é “dos patrões”

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O líder do BE considerou este sábado que o primeiro-ministro “não vai deixar cair a ministra dos patrões porque este é um Governo dos patrões”, num almoço em que Fernando Rosas alertou para uma “aliança entre direita e extrema-direita fascizante”.

No almoço que assinalou o 27.º aniversário desde a fundação do BE, em 1999, organizado em Lisboa, José Manuel Pureza apontou para a “urgência de mudar o mundo” que disse estar na génese do partido e que actualmente motiva os bloquistas contra o anteprojecto laboral apresentado pelo Governo PSD/CDS-PP.

Em dia de manifestações em Lisboa e Porto contra esta proposta, Pureza defendeu que “a unidade de todos os trabalhadores e de todos os sindicatos está a mostrar uma força como há muito não víamos”.

“Essa unidade e força são imprescindíveis para derrotar o extremismo e o autoritarismo da ministra do Trabalho, mas não nos enganemos: isolar a ministra não é suficiente. Sabemos que [Luís] Montenegro não deixará cair a ministra dos patrões nem a reforma dos patrões pela simples razão de que este é um Governo dos patrões”, criticou.

Sobre os 27 anos do BE, Pureza lembrou causas fundadoras do partido, como a luta pelos direitos das mulheres ou o combate às alterações climáticas, e afirmou que os bloquistas continuam a lutar “com a mesma genica” dos seus fundadores: Francisco Louçã, Luís Fazenda, Fernando Rosas e Miguel Portas, que morreu em 2012.

O coordenador defendeu que “a base antifascista” do BE não está apenas no passado e que as suas causas foram transformando-o no “partido mais detestado pelos chefes da direita e pelos senhores dos negócios”, que acusou de “mentiras e campanhas de ódio”.

“Eles inventam de tudo e chega a ser comovente ver o tempo que perdem connosco os deputados da extrema-direita, os senhores dos negócios e os spin doctors cuja inteligência artificial é realmente a única que têm”, atirou.

Momentos antes, Fernando Rosas subiu ao púlpito para deixar alguns alertas, nomeadamente para a “aliança que paulatinamente se está a forjar em Portugal, entre a direita e a extrema-direita fascizante”.

Rosas realçou que esta aliança já é “maioritária em muitos aspectos na Assembleia da República” e “tem uma arma nova e potente: a manipulação algorítmica e informática dos instintos primários da despolitização da iliteracia”.

“Ou seja, a intoxicação massiva, diária, constante, através das redes sociais. E não podemos ignorar a consequência disso em certos sectores da opinião pública”, avisou, perante uma plateia que contou com várias figuras bloquistas, como as antigas coordenadoras Mariana Mortágua e Catarina Martins, os fundadores Francisco Louçã e Luís Fazenda, o deputado Fabian Figueiredo ou a ex-candidata presidencial Marisa Matias.

Alertando que “esses valores ganham terreno, explorando o desespero, o medo e a raiva” de vários sectores da sociedade, Rosas apontou que o “projecto em marcha” é o de “transformar o descontentamento com os efeitos da crise do capitalismo tardio em força política cega e obscura”.

Perante esta “vaga que progride”, Rosas pediu aos bloquistas que o ouviam organização colectiva, voltando a apelar à presença em empresas, sindicatos, comissões de trabalhadores, escolas ou bairros, e “ousar recrutar” novos militantes, formando-os e não os deixar “pendurados”.

No início da sua intervenção, Rosas não escondeu que o BE vive o momento “mais difícil da sua curta história” e que “é bom não ter ilusões” porque “a situação vai piorar” e o partido tem que estar pronto para “lutas duras, tentativas de cancelamento e até de liquidação” da sua área política.

Contudo, terminou a pedir aos presentes que “ousem ir contra a corrente” e não temer estar em minoria, “pois a minoria, muitas vezes, tem razão”.

O Bloco de Esquerda nasceu em 1999 em grande parte pela união de três forças políticas: o Partido Socialista Revolucionário (PSR), a União Democrática Popular (UDP) e a Política XXI.

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