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Escrevo enquanto rajadas sopram na cidade, derrubando árvores, bloqueando ruas e interrompendo rotinas que até recentemente pareciam estáveis. Já é rotina para muitas pessoas. Não é um episódio isolado. É algo que invade a vida psíquica e altera a forma como habitamos o mundo.
Por muito tempo, organizamos nossas vidas em torno da previsibilidade. Casas, ruas, estações, horários, pequenos rituais diários. A repetição permite que o corpo construa um senso de segurança e expectativa de continuidade. Quando o ambiente perde regularidade, a segurança interna começa a escorregar.
Tenho observado, também na clínica, um aumento consistente desse tipo de sofrimento. Chegam relatos de inquietação, insónia, irritação e fadiga. Muitas vezes, sem uma associação consciente com o contexto ambiental. Ainda assim, o pano de fundo costuma ser semelhante. Um estado de angústia, medo crónico de cataclismos ambientais, desespero e desamparo diante das mudanças climáticas, hoje frequentemente nomeado como ecoansiedade ou ansiedade climática.
Importa sublinhar que não se trata de uma doença mental, mas de uma resposta psíquica a um cenário real de instabilidade. Se soma a isso um deslocamento importante. Aquilo que tradicionalmente era vivido como refúgio, a própria casa, já não garante a mesma sensação de proteção.
Quando chegamos em casa, tendemos a acreditar que estamos seguros. No entanto, a natureza, na sua potência de criação e de destruição, atravessa essa fantasia. Imagens que circulam diariamente mostram casas derrubadas, levadas, desaparecidas. O espaço doméstico deixa de representar um limite claro entre perigo e proteção. Isso começa a gerar ansiedade e insegurança mesmo dentro de casa.
Do ponto de vista psicológico, a segurança reside na capacidade de imaginar minimamente o amanhã. Essa função de antecipação é enfraquecida por mudanças constantes. A mente entra em estado de alerta. O sistema nervoso passa a agir como se o perigo nunca deixasse de existir.
Esse medo não se aplica apenas a algo específico. Está conectado ao contexto. Em algumas pessoas, assume a forma de angústia difusa. Em outras, se organiza como medo intenso de determinados fenómenos, se inserindo no campo das fobias específicas. Podem surgir, por exemplo, a lilapsofobia, associada a tornados, furacões ou ciclones, ou a ceraunofobia, relacionada a trovões e relâmpagos. A pergunta silenciosa que surge, no entanto, permanece a mesma. O mundo ainda é um lugar onde se pode viver.
Quando o medo não encontra palavras, ele aparece no corpo ou no pensamento. Pode surgir como tensão, cansaço ou ruminação contínua. Em certos casos, se manifesta também como uma dor ligada à perda do ambiente conhecido, à sensação de que o lugar de origem já não é o mesmo, experiência que se aproxima do que se denomina solastalgia.
Dizer estou com medo porque o ambiente é instável dá contorno psíquico e oferece algum limite à experiência. Nomear não resolve, mas organiza. É importante diferenciar responsabilidade pessoal de onipotência. Lidar com a seriedade da situação não significa carregar sozinho o peso da solução.
Outro movimento necessário é compartilhar. Explorar como cada pessoa vivencia essas mudanças promove conexão e reduz isolamento. O sofrimento silencioso tende a crescer. O sofrimento partilhado encontra mais possibilidades de elaboração.
Eventos extremos também desafiam a fantasia de supremacia humana sobre a natureza. Esse confronto pode gerar angústia e desorientação. Pode também abrir espaço para uma relação mais consciente com limites, interdependência e pertencimento.
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