Quem disse que o clima saiu da agenda política?

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A chuva e as mazelas do mau tempo não têm dado tréguas – e única coisa que nos apetece perguntar aos meteorologistas é quando é que este tormento acaba. (O nosso desespero era tal que ligámos ao IPMA e obtivemos a resposta, pode encontrá-la no fim desta newsletter.)

Desejamos respostas simples e soluções rápidas quando olhamos para o país e vemos, para além da terrível perda de vidas humanas, ruas alagadas, fábricas sem telhados, casas destruídas, escolas fechadas, carros submersos e milhares ainda sem electricidade. É próprio da condição humana. A realidade atmosférica, contudo, não obedece aos anseios humanos, mas sim às leis da Física: num planeta mais quente, há mais energia no sistema climático e os fenómenos extremos, que sempre existiram, tornam-se agora mais intensos e frequentes.

Não há soluções rápidas para o sofrimento das populações afectadas, que levarão tempo a reconstruir aquilo que foi desmantelado pela força do vento e da água, mas temos caminhos possíveis para estarmos mais preparados para os próximos fenómenos extremos. Estas soluções passam, como é sobejamente conhecido, por medidas de adaptação e mitigação climática.

Portugal tem desde 2022 uma Lei de Bases do Clima, onde grande parte do roteiro para alcançar estas soluções está traçado. Está quase tudo ali, condensado e explicadinho, faltando apenas o mais importante e difícil – tirar a legislação do papel. Foi isso mesmo que alguns partidos – o PS, o Livre e o PAN – reivindicaram no Parlamento na sexta-feira passada, mas sem qualquer sucesso.

Quem também não foi bem-sucedida foi a Iniciativa Liberal, que escolheu o pior momento possível para propor mais de 40 alterações à Lei de Bases do Clima, numa proposta que foi caracterizada pela oposição como um “delírio negacionista” e uma diluição do diploma.

É claro que o projecto, a pedido dos próprios liberais, desceu à comissão sem nem sequer ser votado pelo hemiciclo. Evitou-se assim uma retumbante rejeição num contexto em que o país se desunhava para salvar pessoas e bens de zonas fustigadas pela tempestade Kristin.

Se dúvidas houvesse sobre a urgência de valorizar e aplicar as Leis de Bases do Clima, elas deveriam estar sanadas pelo cenário desolador que Portugal está a testemunhar. Precisamos mais do que nunca de adaptação climática para estarmos mais preparados para as tempestades, secas e incêndios que ocorrerão nos anos vindouros. E está mais do que na hora de o clima voltar em força para a agenda política nacional e europeia.

Esta necessária acção climática não consiste numa solução mágica única nem em tecnologias fabulosas que ainda nem existem, antes depende de múltiplos mecanismos e estratégias escolhidos consoante a realidade de cada território ou população. Não são respostas perfeitas nem absolutas, mas são as que dispomos hoje para proteger seres vivos, meios de subsistência e a economia portuguesa.

Para aqueles que me acompanharam até aqui, o meu agradecimento. Como prometido, deixo a ligação para o texto que responde à pergunta: Quando é que este mau tempo finalmente acaba?


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