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Com todo o respeito à primeira-dama da Espanha, e também ao meu marido, confesso que senti um impulso amoroso atípico, nos últimos dias: o desejo de me casar com Pedro Sánchez. Ou, mais exatamente, com as palavras dele.
Enquanto muitos chefes de Estado fazem coro à ladainha de que a guerra é inevitável, acumulando e aprimorando armas para garantir mais segurança, e transformando o mundo num lugar mais inseguro, Sánchez teve a coragem de entrar na contramão. Declarou não à guerra.
Embora eu não seja espanhola, me senti representada pelo discurso de Pedro à sua nação. Representada como ser humano e, curiosamente, como mulher.
Não há nada mais masculino do que a guerra. As batalhas mais sangrentas foram planejadas e travadas por homens. Se as mães pudessem escolher, aposto que a maioria impediria os filhos de embarcarem nesse destino terrível de matar ou morrer. No entanto, foi um homem quem despertou a minha surpresa e alegria, ao dizer publicamente o que precisava ser dito.
Não é a primeira vez que Sánchez se nega a ser cúmplice da ambição destrutiva de Donald Trump. Dessa vez, ele fez mais do que sustentar uma ação específica, com a recusa do apoio logístico às tropas dos Estados Unidos.
Ele sustentou a defesa do Direito Internacional. E deixou claro que essa decisão não decorre de um ato de nostalgia ou ingenuidade, frente à diplomacia global decadente, mas de uma luta pela sobrevivência, que precisa ser amplamente apoiada, antes que seja tarde.
A sobrevivência humana na Terra tem sido ameaçada pela emergência climática (capaz de gerar catástrofes meteorológicas, sociais e econômicas) e pela sofisticação da tecnologia bélica nas mãos de governos que parecem cada vez mais inclinados a fazer uso dela, em detrimento da cooperação necessária para solucionar essas crises.
Num contexto que conduz ao pessimismo, muitos pesquisadores dedicados aos Estudos de Futuros passaram a adotar uma nova perspectiva. Em vez de apenas projetar futuros possíveis, como cenários prováveis ou plausíveis, eles têm trabalhado com o conceito de futuros desejáveis.
Diante de um presente pouco promissor, não basta calcular a probabilidade de uma tendência de hoje se concretizar amanhã. Aumenta a nossa responsabilidade na construção de um cenário que julgamos o mais apropriado, já que o futuro nunca está definido de antemão: ele resulta do encontro entre as tendências que se desenham agora e o nosso esforço para endossá-las ou fazer oposição a elas.
Não vou me esforçar para me casar com Pedro, até porque eu exigiria como dote um tesouro que ele não estaria disposto a oferecer: a renúncia ao patrimônio arqueológico da Colômbia e de outros países hispano-americanos que Sánchez ainda acredita que pertence à Espanha.
Apesar desse paradoxo (e eu também não estou livre dos meus), declaro o meu amor pelas palavras do presidente espanhol. Quero me casar com elas. E torço para que muita gente compartilhe desse desejo, para celebrarmos um fecundo casamento coletivo.
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