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Pela primeira vez, desde a sua criação, em 2023, o bloco Qui Nem Jiló, vai pôr oficialmente uma turma mirim para brincar o carnaval nas ruas da Penha de França, em Lisboa. Neste ano, segundo o fundador da agremiação, o mineiro Enrique Matos, 40 anos, o bloco dos Jilozinhos vai fazer sua estreia no desfile, que acontecerá no dia 15 de fevereiro (domingo). A concentração será no Largo da Igreja da Penha de França, a partir das 15h. O cortejo seguirá até a Praça Paiva Couceiro.
“É o primeiro bloco infantil brasileiro em Portugal”, afirma ele. “Todos os anos temos crianças no evento, só que, agora, estamos organizando melhor a participação delas”, diz Enrique. “Nosso bloco sempre foi muito voltado para a família. Não é uma festa onde as pessoas vão para beber, para fazer aquela bagunça”.
Bloco que desfila ao som do forró, Qui Nem Jiló tem no seu repertório grandes sucesso do gênero, além de releituras de músicas da MPB. No final do cortejo, o show da cantora brasileira Xyss Bastos, que também toca triângulo, promete animar ainda mais os foliões – adultos e crianças –, com músicas de artistas como Jorge Ben Jor; Joelma, da banda Calypso; e muito piseiro. “Tocamos axé também, tudo na versão do arrasta-pé, do ritmo do baião”, garante o fundador.
O nome Qui Nem Jiló é uma homenagem ao pernambucano Luiz Gonzaga (1912-1989), o Rei do Baião. “Para batizar o nosso bloco, pegamos uma lista de músicas do Gonzagão e começamos a ler os nomes em voz alta. Quando alguém falou Qui Nem Jiló, eu disse: ‘é esse o nome, ele pega muito bem’”, relembra. “E o infantil só podia ser Jilozinho, com a criançada fantasiada também com a cor verde”.
Apoio da Junta de Freguesia
Nascido em Conceição do Mato Dentro, Enrique conta que aprendeu a gostar de música e de dança quando ainda era criança, observando o avô tocar. “Ele saía com destaque na Marujada [manifestação folclórica]. Aquilo fez parte da minha infância”, explica ele, que complementa. “As pessoas, principalmente as nordestinas, não têm ideia do tamanho de Minas Gerais e o tanto de cultura popular que existe lá”. Desde 2024, a manifestação cultural e religiosa da Marujada de São Benedito é Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, sendo a mais famosa a do Pará, no Norte do país.
Diferentemente de muitos blocos de brasileiros, em Portugal, o Qui Nem Jiló tem o apoio da Junta de Freguesia da Penha de França desde a sua estreia pelas ruas do bairro. “Tivemos esse privilégio de já nascer com esse suporte”, comemora Enrique. “Eu e minha esposa trabalhamos 100% com cultura. Não temos outra fonte de renda na nossa casa. Seria impossível pagarmos para fazer essa festa”.
Há 17 anos em Lisboa, Enrique pontua que o carnaval é importante não só pela sua representatividade cultural mas pelo reencontro com a celebração mais aguardada do ano pela maioria da comunidade brasileira. “Com o bloco, tentamos levar conforto e alegria aos corações dos nossos conterrâneos, porque é muito difícil morar longe de casa. A gente se acostuma, mas, nem por isso, deixa de sentir saudade”, declara Enrique.
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