Relações perigosas que desgastam as instituições

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Não é novidade que há, no Brasil, muita promiscuidade entre autoridades políticas e judiciais e o empresariado, em especial o que controla o capital financeiro. Lobistas do capital circulam livremente pelos gabinetes dos Três Poderes da República, em Brasília, e não ficam só na argumentação para defender os interesses de seus clientes.

Juízes de tribunais superiores confraternizam em almoços, jantares e festas com políticos e empresários que têm causas nesses tribunais. Escritórios de seus filhos e mulheres são contratados por quem será julgado por seus pais e maridos. Dirigentes e funcionários do Banco Central prestam favores a banqueiros. E, quando deixam os cargos ou se aposentam, vão trabalhar no mercado financeiro.

Deputados e senadores são agraciados e agradados por empresários em reconhecimento por projetos e emendas que apresentam e por votos que emitem, e também pelas convocações e desconvocações para depor em comissões. Dirigentes de organismos de Estado teoricamente autônomos recebem ordens, e as cumprem, do presidente da República e de seus ministros.

Os que julgam as contas de políticos e governantes são íntimos deles e participam de convescotes que promovem. Juízes, políticos e governantes aceitam participar, com despesas pagas e palestras muito bem remuneradas, de eventos patrocinados por bancos, lobistas e empresas, incluindo as que têm contratos com o poder público e processos nos tribunais. E há os que viajam pelo Brasil e para o exterior em seus jatinhos.

E ainda: jornalistas recebem altos valores para publicar matérias e artigos em defesa dos interesses de banqueiros e empresários.

Nenhuma novidade em nada disso, para quem acompanha de perto os poderes da República. Mas essa promiscuidade fica mais clara e evidente com as investigações, ainda não concluídas, sobre as fraudes do Banco Master. O envolvimento de parlamentares, governadores, juízes e autoridades do governo anterior e do atual, mostra relações nada éticas e republicanas entre a sociedade política e judiciária com os donos do banco investigado. Um jornalista é acusado de receber dinheiro para escrever em defesa do banco investigado.

A associação entre o mercado financeiro e organizações criminosas, responsáveis por fraudes, extorsões, violência física e lavagem de dinheiro, já desvendada em operações policiais anteriores e reforçada agora, piora a situação dos que, de alguma maneira, mantiveram com os banqueiros do Master relações que são, pelo menos, promíscuas. Se essas relações foram também criminosas, só as investigações ainda em curso poderão dizer.

Circula em Brasília a informação de que a Polícia Federal tem em seu poder gravações que mostram altas autoridades em festas animadas por garotas de programa trazidas do exterior pelo poderoso e influente sócio principal do Banco Master. Conta-se que a preferência por estrangeiras deve-se ao fato de não entenderem o que os convidados ilustres diziam, deixando-os mais à vontade para tratar de negócios.

A degradação da política, dos políticos e das instituições assusta e desanima as pessoas comuns e é o caldo de cultura do discurso demagógico, cínico e hipócrita da extrema-direita que ataca o “sistema” e a “casta” como se não fosse parte desse sistema e não integrasse a casta. O que tem aparecido nas investigações em andamento sobre o Banco Master — e em outras, como a das fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) — mostra que a extrema-direita brasileira é que está mais afundada na lama, que sobe de nível a cada dia.

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