O deputado do Chega Rui Afonso, número um do partido no Porto, afirmou que será aberto um “processo de averiguações interno” sobre a alegada fraude que é acusado de ter cometido nas eleições internas de 10 de Setembro de 2023, das quais saiu vencedor.
Como revelou neste domingo uma reportagem do PÚBLICO, Rui Afonso é acusado por vários antigos militantes e dirigentes do Chega de ter inscrito membros do grupo 1143 no partido nas vésperas das eleições distritais e de ter pago pelos seus votos.
Em declarações à Rádio Observador, o deputado negou todas as acusações, considerando-as um “perfeito disparate”. “Isto não é nenhuma notícia nacional, é uma trica intrapartidária de pessoas revoltadas com o partido e que querem prejudicar a minha imagem e a imagem do partido”, reagiu, acrescentando que já conversou com a direcção do Chega sobre o assunto.
Tanto Tirso Faria, militante do Chega e arguido na Operação Irmandade pelas ligações ao grupo 1143, como Artur Carvalho, ex-adjunto da direcção distrital de Rui Afonso, referem o pagamento de valores “acima de 3500 euros”, em “quotas e quantias para irem votar”, a dezenas de militantes recém-inscritos.
“Fala-se em dezenas de militantes e em 3500 euros, não sei se a cada um. Eu realmente devo ser uma pessoa muito rica e não sei”, começou por dizer à rádio do jornal Observador. “Ganhei aquelas eleições com 172 votos, o meu adversário ficou com 120 e tal votos. E eu já era o presidente incumbente, tinha as 18 concelhias. Portanto, não faz sentido absolutamente nenhum.”
Israel Pontes, candidato da lista C, derrotada nas eleições em causa, também sugeriu que o adversário terá comprado votos. Contra as alegações do antigo presidente da concelhia de Matosinhos do Chega, Rui Afonso disse apenas: “Não podemos deixar que pessoas com problemas psicológicos digam o que querem e sejam consideradas credíveis.”
O deputado argumentou ainda que, à data das eleições, em Setembro de 2023, “não existia nenhuma estrutura orgânica no Porto do grupo 1143“. O grupo liderado por Mário Machado, que se encontra a cumprir pena de prisão, refere o dia 5 de Outubro de 2023 como a data da sua fundação — ou reactivação, uma vez que surgiu há mais de 20 anos como uma facção da claque sportinguista Juventude Leonina.
Sobre se é possível a inscrição de novos votantes poucos dias antes das eleições internas, Rui Afonso afirmou não saber responder. “Falei com a direcção nacional, incluindo com o presidente, e vamos averiguar se houve ou não a entrada maciça desses militantes. Eu próprio entendo que tem de haver esse escrutínio.”
Quanto às suas ligações ao grupo 1143, com quem partilhou um autocarro alugado pelo Chega para uma manifestação do partido em Setembro de 2024, o deputado insistiu serem inexistentes. “Na altura da manifestação, conhecia o Gil [“Pantera” Costa, apontado como líder do grupo na ausência de Mário Machado], mas o Gil é simpatizante, apoiante da nossa causa.”
O PÚBLICO contactou Rui Afonso para obter esclarecimentos antes da publicação da reportagem sobre a alegada fraude, na manhã deste domingo, mas não obteve resposta.
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