No segundo e último dia de negociações entre russos e ucranianos em Genebra houve pelo menos uma coisa com que os dois lados concordaram: foram conversas “difíceis”.
O balanço de dois dias de encontros no Hotel Intercontinental de Genebra (uma reunião de seis horas na terça-feira e outra de apenas duas na quarta) é pouco promissor quanto à possibilidade de a guerra chegar ao fim rapidamente.
Aparentemente, e tal como sucedeu na ronda de negociações em Abu Dhabi, no final de Janeiro, os dois lados partiram da Suíça com as mesmas divergências com que chegaram.
Os principais pontos de discórdia continuam a ser o estatuto dos territórios ocupados pela Rússia no leste da Ucrânia e o futuro da central nuclear de Zaporijjia, controlada pelas forças russas, explicou o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, a alguns jornalistas, numa conversa por WhatsApp, pouco depois da conclusão do encontro desta quarta-feira.
“Podemos ver que foram feitos progressos, mas, por enquanto, as posições divergem porque as negociações foram difíceis”, disse Zelenskiy, citado pela Reuters.
O líder ucraniano acusou o lado russo de estar a arrastar deliberadamente o processo negocial, embora tenha ficado apalavrado um encontro num futuro próximo, segundo adiantou o seu chefe de gabinete, Kyrylo Budanov.
O Guardian dá conta que Zelensky revelou que as conversas de Genebra abrangeram a esfera militar e a esfera política, incluindo a forma como um possível cessar-fogo poderá vir a ser implementado. “Os militares sabem como monitorar um cessar-fogo e o fim da guerra, se houver vontade política”, afirmou o Presidente da Ucrânia.
À saída do encontro, o chefe da equipa de negociação de Kiev, Rustem Umerov, que é secretário do Conselho Nacional de Segurança e Defesa da Ucrânia e ex-ministro da Defesa descreveu o segundo dia como “intensivo e substantivo”.
Umerov, que à chegada a Genebra disse que a sua equipa estava a trabalhar “sem expectativas excessivas”, explicou que o primeiro dia se centrou em “questões práticas e na mecânica de possíveis decisões”.
Mas a Reuters refere que as agências noticiosas russas citaram uma fonte que afirmou que as conversações na terça-feira foram “muito tensas” e decorreram em diferentes formatos bilaterais e trilaterais (na equipa norte-americana estão os dois enviados especiais Steve Witkoff e Jared Kushner, amigo e genro do Presidente Trump, respectivamente).
“Espírito” de Anchorage
Para o principal negociador da Rússia em Genebra, o historiador e diplomata Vladimir Medinsky, as negociações foram “difíceis, mas profissionais”.
A agência noticiosa estatal russa RIA noticiou, entretanto, que, após as reuniões formais, Vladimir Medinsky, assessor do Presidente russo Vladimir Putin e ex-ministro da Cultura, ficou mais duas horas no Hotel Intercontinental, para uma reunião à porta fechada com o lado ucraniano.
Em Moscovo, a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Maria Zakharova, afirmou em conferência de imprensa que os negociadores russos receberam instruções para “agir dentro do quadro de entendimentos” da cimeira russo-americana no Alasca, em Agosto do ano passado.
A agência noticiosa estatal russa TASS descreve que, quando um jornalista japonês pediu a Zakharova que definisse o chamado “espírito” de Anchorage, a porta-voz explicou que o termo se refere principalmente ao que ficou acordado entre Vladimir Putin e Donald Trump.
“Neste caso, o espírito é a fórmula, a atmosfera, o entendimento. Anchorage é um lugar no Alasca. Combine os dois e você terá os entendimentos alcançados durante a cimeira Rússia-EUA no Alasca”, disse a diplomata.
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