SATA propõe encerrar processo de privatização da Azores Airlines sem adjudicação

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A administração da SATA vai propor ao Governo dos Açores que o processo de privatização da Azores Airlines “seja encerrado sem adjudicação” ao único consórcio admitido, por motivos de “interesse público”, adiantou esta sexta-feira a empresa.

“O conselho de administração do grupo SATA, após receber e apreciar o relatório do júri do concurso para alienação da Azores Airlines, manifestou concordância com as conclusões apresentadas”, refere a administração da SATA numa nota enviada à agência Lusa.

Para a SATA, as conclusões do júri “demonstram prudência e responsabilidade, num processo de elevada relevância para a viabilidade económica imediata” e para a “estabilidade a médio e longo prazo da Azores Airlines e a protecção dos trabalhadores e do interesse público”.

Por essas razões, é acrescentado, “o conselho de administração propõe ao Governo Regional que este processo concursal seja encerrado sem adjudicação”.

O consórcio Atlantic Connect Group apresentou em 24 de Novembro de 2025 uma proposta de 17 milhões de euros por 85% da capital social da Azores Airlines. Em 28 de Janeiro, o júri da privatização da Azores Airlines anunciou que iria propor a rejeição da proposta do consórcio admitido no concurso, por entender que não “salvaguarda os interesses” da SATA e da região.

Para o júri, liderado pelo economista e professor universitário Augusto Mateus, a proposta do consórcio coloca a região e a SATA “numa posição globalmente mais desfavorável do que aquela que resultava da proposta apresentada pelo mesmo consórcio em 2023”. Após a contestação do consórcio, o júri elaborou o relatório final e remeteu para o conselho de administração da SATA.

Consórcio contesta decisão

Esta sexta-feira, o Atlantic Connect Group manifestou “profunda preocupação” com a fase final da privatização da Azores Airlines, alegando que a decisão sobre a sua proposta “aparentava estar consolidada antes de concluída a audiência dos interessados”.

O consórcio sustentou em comunicado que, “logo após a divulgação do relatório preliminar – e não por iniciativa do agrupamento –, o presidente do conselho de administração [da SATA] declarou concordar com o júri quanto à alegada inaceitabilidade da proposta” apresentada, tendo essa posição sido “tornada pública antes de concluída a fase de audiência dos interessados”.

Para o grupo de investidores, que reúne Tiago Raiano, e Nuno Pereira, Paulo Pereira e Carlos Tavares (este último ex-presidente executivo do fabricante automóvel Stellantis), “tudo indica que o conselho de administração está a empurrar o processo de privatização para um imbróglio jurídico que apenas contribui travar o processo, prolongando a situação de fragilidade financeira da SATA”.

“O Atlantic Connect Group não deixará que este procedimento seja encerrado sob uma narrativa artificial e irá até às últimas instâncias, nacionais e internacionais” para contestar a decisão, segundo o comunicado.

Numa entrevista recente à RTP/Açores, o presidente do conselho de administração da SATA, Tiago Santos, considerou que a proposta do consórcio “não serve os interesses” do grupo, dos açorianos e do Governo Regional.

A SATA recebeu 453 milhões de euros em ajudas de Estado na altura da pandemia de covid-19, e deveria ter privatizado 51% ou mais do capital da Azores Airlines até ao final do ano passado, bem como autonomizar e alienar o negócio de assistência em terra (handling).

Como isso não aconteceu, Bruxelas deu mais 12 meses, até ao final deste ano, para se encerrar o processo. Em contrapartida, a SATA terá de devolver três milhões de euros, e manter um tecto de 14 aviões na frota até à privatização.

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