Sem esperar por apoios do Governo, municípios avançam com ligações por satélite

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Perante a persistente fragilidade das comunicações em situações de emergência e sem esperar os apoios prometidos pelo Governo, vários municípios portugueses estão a avançar com soluções próprias para garantir a conectividade das populações em situações como a do apagão ou agora com os danos provocados pelas depressões Kristin e Leonardo.

Entre os exemplos mais recentes estão os concelhos de Penela e Ferreira do Zêzere, que apostaram na instalação do Vihu Pole, uma solução inovadora de comunicações de emergência com ligação por satélite através da tecnologia Starlink, desenvolvida pela SpaceX. Esta infra-estrutura permite assegurar comunicações básicas, mesmo em cenários de falha total das redes móveis e fixas, uma situação que se tem tornado recorrente durante os episódios de mau tempo severo.

O equipamento foi concebido para funcionar de forma totalmente autónoma, assumindo um papel essencial na coordenação da Protecção Civil, das juntas de freguesia e dos serviços municipais. O primeiro Vihu Pole foi instalado em Ferreira do Zêzere no dia 20 de Fevereiro, na freguesia de Nossa Senhora do Pranto. No dia seguinte, foi instalado um segundo equipamento na localidade de Cabeça Redonda, no concelho de Penela.

Segundo informação avançada pela agência Lusa, a 4 de Fevereiro, também a Câmara Municipal de Castelo Branco anunciou a instalação de antenas de comunicação via satélite em algumas juntas de freguesia do concelho, permitindo o acesso da população à internet. Esta solução já está a ser implementada nas freguesias de Santo André das Tojeiras e Malpica do Tejo em resposta às sucessivas falhas de comunicações registadas em várias áreas do território.

No caso de Penela, o município instalou um poste urbano inteligente com ligação à internet por satélite através da Starlink, um projecto desenvolvido pela empresa Vihu Pole, de São João da Madeira, com o apoio da Comunidade Intermunicipal da Região Metropolitana de Coimbra. Segundo a autarquia, trata-se de uma infra-estrutura urbana sustentável, implementada na sequência da tempestade Kristin, com o objectivo de “assegurar o acesso contínuo a energia, comunicações e serviços essenciais, mesmo em cenários adversos”.

O equipamento oferece cobertura funcional até cerca de 150 metros, integra iluminação nocturna, dispõe de um sistema de carregamento de dispositivos móveis e garante ligação à internet por satélite com elevada estabilidade. Está equipado com tecnologia anti-apagão, permitindo o funcionamento contínuo em situações de falha eléctrica ou condições meteorológicas adversas, com até 10 dias de autonomia sem exposição solar e capacidade para 128 dispositivos conectados em simultâneo.

O presidente da Câmara Municipal de Penela, Eduardo Nogueira dos Santos, destacou “a importância da instalação desta resposta para a população local que continua privada de conectividade”, agradecendo a disponibilidade da empresa de São João da Madeira.

Em Ferreira do Zêzere, o município reforçou a segurança, a conectividade e a capacidade de resposta a situações de emergência com a instalação do primeiro Vihu Pole, anunciou em comunicado. A iniciativa surgiu, igualmente, na sequência da tempestade Kristin, após as falhas registadas nos serviços de telecomunicações tradicionais, que deixaram parte da população sem acesso a comunicações essenciais.

Em declarações à imprensa, Bruno Gomes, presidente da Câmara Municipal de Ferreira do Zêzere, agradeceu à Vihu Pole por ter sugerido esta solução e salientou que “ferramentas como estas vêm, de facto, marcar a diferença e podem chegar a muitas pessoas”. Acrescentou que, após analisar o raio de actuação das operadoras, a autarquia concluiu que a expansão da fibra óptica iria “demorar bastante tempo”, sendo necessário alargar este tipo de soluções “a todo o concelho, caso seja possível”.

O CEO da Vihu Pole, Hugo Almeida, também presente na instalação do poste em Ferreira do Zêzere sublinhou o carácter social da iniciativa ao disponibilizar gratuitamente a instalação do equipamento neste município.

Estas iniciativas surgem pouco depois de o Governo ter anunciado a intenção de distribuir, a todas as 3258 juntas de freguesia do país, “um telefone SIRESP, um telefone-satélite e uma ligação de dados Starlink”. A medida foi apresentada no âmbito do programa Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR), divulgado no dia 20, como resposta aos estragos causados pelas recentes depressões atmosféricas.

No entanto, a falta de prazos definidos e de financiamento imediato levou várias autarquias a avançarem por iniciativa própria, de modo a não prolongar os períodos de ausência de telecomunicações nas zonas mais afectadas.

Paralelamente, a Associação de Protecção Civil (APROSOC) criticou, no seguimento do PTRR, a prioridade atribuída à distribuição de terminais Starlink às freguesias, defendendo que o investimento deveria incidir na instalação de equipamentos de rádio da Rede Estratégica de Protecção Civil, de forma a reforçar a coordenação local em situações de emergência.

Texto editado por Ana Fernandes

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