Olá.
No sábado passado a RTP desvelou a sua montra anual de séries de produção ou encomenda própria. Quando se auto-intitula “a maior montra do melhor” da ficção audiovisual, não há como desdizer essa descrição. A estação pública está há cerca de uma década a apostar neste formato narrativo, contrapondo com as novelas atrás de novelas dos canais generalistas privados, e o crescimento é evidente.
Em 2016, noutra direcção de programas, noutra administração e com outra coordenação (a de Virgílio Castelo como consultor de ficção nacional da RTP), o plano era daí a cinco anos ter séries para exportar e apostava-se na produção de quatro séries para o horário nobre durante esse ano.
Em 2026, o mercado está ainda frágil e continua cheio de vontade, mas tudo o resto é diferente. A concorrência das plataformas de streaming e dos canais temáticos só aumentou, mas a viagem das séries RTP também já passou do low cost para, pelo menos, a classe económica. Não que os orçamentos cheguem para o que seria necessário para competir com os estrangeiros, mas as incontornáveis co-produções estão de facto a surtir efeito, com Islândia, Espanha e outros parceiros a aumentar não só os meios mas também a exportabilidade das séries portuguesas. Houve Glória, há Rabo de Peixe e vários acordos com serviços de streaming para acolher séries portuguesas em modo “direitos de exibição”.
O que falta é, quando chegam às plataformas, não ficarem presas à disponibilidade só para os mercados português e brasileiro, português e espanhol, etc. Não sucede na Netflix, mas na Amazon Prime Video ou na HBO Max sim.
Séries em série, portanto, e no sábado foram apresentadas 15 para este ano. Eram quatro em 2016. Entre estreias aguardadas como o promissor Projecto Global, de Ivo M. Ferreira, há também uma direcção clara (e menos onerosa, reconheça-se) para o streaming e os pequenos formatos: segunda-feira estreiam-se cinco micro-séries, 100 episódios no total e em formato vertical, para RTP Play mas também redes sociais da RTP.
A RTP Play vai também estrear Algodão a Frio, Novas Narrativas da Caça e o último projecto de Almeno Gonçalves, Se Me Deixasses Ser, Ecos do Mar e 3000 Depois de Cristo, que são projectos da RTP Lab. Vai haver segunda temporada de Felp, e também Adónis, no registo comédia. E a série Leonor, Marquesa de Alorna, protagonizada por Sara Matos, vai passar na RTP1 e depois na Netflix.
Fazer uma novela enche centenas de horas de televisão a um custo de produção económico devido às exigentes datas de filmagem e à intensidade do trabalho. É um compromisso bem maior para o espectador do que uma série, que já de si é um compromisso que, como dizia a jornalista Leonor Alhinho aqui no PÚBLICO, é arriscado porque nunca se sabe se vai manter a qualidade até ao fim. Quem pede um compromisso de meses à audiência também poderia sugerir um contratozinho de umas semanas, não, SIC e TVI?
O que anda a ver
Thomas Hirschorn, artista plástico
“Estou a ver Better Call Saul. Estou, penso eu, na terceira ou quarta temporada. Adoro-a. Em primeiro lugar, porque se vê como as pessoas da equipa toda estão a trabalhar nos pormenores, nos detalhes, e adoro que as pessoas estejam a trabalhar. E mesmo a actividade das personagens, é trabalho. Não se trata de algo abstracto. E adoro a intriga, claro, as personagens. Sinto-me ligado a elas, mas também ao seu lado negro. Adoro a sua energia criminosa.”
HBO Max
Segunda-feira, 2 de Março
DTF St. Louis – Uma minissérie de sete episódios protagonizada por Jason Bateman, David Harbour, Linda Cardellini sobre um triângulo amoroso entre três adultos que vivem a chamada crise da meia-idade. Azar de um deles, que vai acabar morto. Escrita e realizada pelo showrunner Steven Conrad.
Filmin
Segunda-feira, 2 de Março
The Hack – Estreia da primeira parte da nova série do criador de Adolescência, Jack Thorne, que tem vários argumentos a seu favor: o elenco, encabeçado por David Tennant (Dr. Who) e Robert Carlyle (Trainspotting), e o tema – o escândalo das escutas ilegais orquestrado pelo tablóide a britânico News of the World e que violou a privacidade das comunicações de figuras públicas tão distintas quanto o ex-primeiro-ministro Boris Johnson e a actriz Gwyneth Paltrow. Será exibida em duas partes: a primeira metade tem três episódios, a segunda, com quatro, chega à plataforma a 9 de Março.
Netflix
Sexta-feira, 27 de Fevereiro
Formula 1: Drive to Survive – Oitava temporada da série de não-ficção de sucesso que desta feita regista o campeonato de 2025, em dez episódios.
Accused – Uma série de acusações de má conduta sexual abala mais do que uma instituição, quando a ginecologista e cirurgiã Geetika Sen começa a questionar tudo ao perceber que é o seu casamento que pode estar em causa. Realizado por Anubhuti Kashyap, este thriller psicológico propala resistir ao sensacionalismo e ficar-se pela ambiguidade.
Quinta-feira, 5 de Março
Vladimir – Rachel Weisz, Leo Woodall e John Slattery protagonizam esta minissérie sobre uma professora que fica obcecada por um colega novo e carismático. Adaptação do romance de Julia May Jonas.
SkyShowtime
Sexta-feira, 27 de Fevereiro
The Burbs’ – Um jovem casal vai viver para a casa onde o marido do duo cresceu. São os subúrbios à americana, ou seja penteadinhos e arrumados. Mas um novo vizinho vem tramar a paz e revolver a terra dos segredos do passado. Os oito episódios estarão disponíveis em simultâneo.
Segunda-feira, 2 de Março
Marshalls: A Yellowstone Story – O universo de Taylor Sheridan expande-se alegremente (quer dizer… quão alegres são estas vidas de cowboys sempre em contenda com alguma coisa?) para uma nova série em que o rancho Yellowstone já não é o palco principal e Kayce Dutton se junta aos U.S. Marshals, “combinando as suas competências de cowboy e de Navy SEAL para levar a justiça até Montana”, diz a sinopse oficial. São, nada dramático, “a última linha de defesa na guerra contra a violência na região”. Estreia dos primeiros três episódios e depois há novos episódios a sair semanalmente até completar os 13 da temporada.
TVCine+
Sexta-feira, 27 de Fevereiro
Marilyn Manson: Revelado – Acusado de abuso sexual e violências diversas por várias mulheres, o músico Brian Warner continua por aí a dar concertos e a ser ouvido por legiões de fãs. Este documentário parte do princípio que o #MeToo de Manson afectou a sua carreira, algo de que aqui se discorda. Posto isto, é uma série de três realizada por Karen McGann que fala com algumas das suas denunciantes e analisa o efeito do movimento na música em geral.
Terça-feira, dia 3 de Março
Coldwater – Segredos Sombrios – Série britânica sobre um homem que recomeça a vida com a família numa vila escocesa depois de não ter conseguido impedir um violento ataque que testemunhou em Londres. Se esta série fosse só sobre como o lugarejo o acolheu e onde viveram felizes para sempre, não seria um thriller psicológico nem, a bem da verdade, uma série passada numa idílica povoação das ilhas (ok, podia ser O Veterinário de Província, mas não é) onde cada ovelha parece esconder um homicida. A coisa mete paranóia, o segundo vizinho estranho desta newsletter, os actores Andrew Lincoln (sim, o Rick de The Walking Dead) e Indira Varma e críticas positivas.
O Mistério de Grosse Pointe – E cá estamos de volta aos subúrbios e de facto desta vez focados nos seus jardins. Os membros de um clube de jardinagem partilham um segredo mortal, há um escândalo no bairro e alguém é morto. A terra serve só para as raízes das flores? Não parece. Criada por Jenna Bans (argumentista de Anatomia de Grey) e Bill Krebs. Treze episódios.
Apple TV
Sexta-feira, 27 de Fevereiro
Monarch: Legacy of the Monsters – Segunda temporada da série do universo dos monstros (Godzilla, King Kong, essa turma) que têm o peso da salvação do mundo sobre os ombros. Kurt Russell, ilha Skull, é isto.
O streaming é o futuro
Aquela palavra feia voltou e não é a que o portador de síndrome de Tourette gritou nos BAFTA a Michael B. Jordan e Delroy Lindo. É a palavra “reboot“. Vai haver um reboot de Ficheiros Secretos e o mesmo é verdade para Marés Vivas. No caso da segunda, podemos só citar a resposta do Romeiro de Almeida Garrett em Frei Luís de Sousa e dizer que quem pediu estas novas versões destas séries foi “ninguém”? Obrigada. Como os novos Ficheiros Secretos serão de Ryan Coogler, mantém-se reserva até prova em contrário. Entretanto, na Prime Video a primeira adaptação televisiva em língua espanhola A Casa dos Espíritos estreia-se a 29 de Abril.
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