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O empresário argentino Ariel Kogan, sócio-fundador da Casa Tão Longe Tão Perto, projeto que mantém unidades em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e, há quase dois anos, em Vila Nova de Gaia, no Porto, apresentou, na quinta-feira (26/02), uma degustação de vinhos brasileiros em Portugal.
Com gestão local dos brasileiros Carlos Chaves e Ana Carolina, o espaço propõe ampliar o repertório sobre a produção vinícola do Brasil, valorizando agricultores familiares e rótulos de baixa ou nenhuma intervenção química, além de adotar modelo sustentável de envase, que é a transferência do líquido do barril ou tanque para a garrafa através de torneiras, a exemplo das clássicas cervejarias.
Desde o início, o projeto se dedica a evidenciar vinhos brasileiros e fortalecer a conexão entre agricultores e viticultores familiares e o consumidor final. A proposta inclui o armazenamento em barris de inox de 20 litros, com extração em torneira, sistema que reduz a geração de resíduos e a emissão de carbono. O barril retorna ao produtor, diminuindo o descarte de garrafas e a pegada ambiental. A comercialização de rótulos de vinícolas nacionais parceiras também reforça a valorização da produção local.
A proposta é oferecer vinhos brancos, laranjas, rosés, claretes e tintos em taça, com preço acessível. No Brasil, a taça é vendida a R$ 20 (3,22 euros). A primeira das unidades da Casa Tão Longe Tão Perto foi fundada por Ariel Kogan e a sommelier e empresária brasileira Gabriela Monteleone, em São Paulo.
O projeto oferece, entre outros, fermentado de cupuaçu, fruta típica da Amazônia; espumante da vinícola Guatambu, da Serra Gaúcha; o Alvarinho do Coop, da vinícola Outro Vinho; tintos brasileiros; além de um licoroso de açaí do Acre, o Florisa. A meta é evidenciar a diversidade da produção nacional e o potencial das frutas brasileiras na elaboração de fermentados.
“Falar do vinho brasileiro é falar da construção de identidade, de estética e de produtores que estão fazendo um trabalho sensacional”, afirma Kogan. Para ele, o Brasil precisa redescobrir a própria diversidade e apresentar ao mundo o potencial de suas uvas e frutas, como cupuaçu e açaí.
Encurtando distâncias
Nascido em Mendoza, na Argentina, Kogan formou-se em engenharia industrial na França, com especialização em sustentabilidade. Ele vive no Brasil há 20 anos e atua como empresário no mercado de vinhos há 18. Já trabalhou com importação, manteve um food truck especializado e organizou eventos antes de fundar, com sócios, o projeto da Casa Tão Longe Tão Perto. “Quem entra no universo do vinho dificilmente não se apaixona. O vinho fala de encontro, cultura, família, história, agricultura e viagens”, assinala.
O nome do projeto dialoga com o filme Tão Longe, Tão Perto, do cineasta alemão Win Wenders. A referência, segundo Kogan, vai além da admiração pela obra. “É sobre o produtor estar tão longe geograficamente e a gente querer trazê-lo para perto do nosso dia a dia, para o centro da conversa, para a mesa”, explica. A proposta é aproximar quem produz de quem consome, encurtando distâncias simbólicas e comerciais.
Em Portugal, Kogan destaca a receptividade ao projeto e o papel dos sócios locais. “A gente só conseguiu abrir essa casa por causa deles, Carlos Chaves e Ana Carolina. Eles fizeram isso aqui acontecer”, afirma. Segundo ele, a parceria com produtores é o coração do negócio, ao propor novos modelos de distribuição e consumo — entre eles, a torneira.
Embora o sistema de vinho em barril já exista em outros países, Kogan ressalta que sua formação em sustentabilidade foi determinante para adotá-lo como eixo central de seu projeto. “A geração de lixo é mínima, a pegada de carbono é menor e conseguimos oferecer um preço mais baixo ao consumidor”, diz.
Para o empresário, o crescimento do interesse dos brasileiros pelo vinho é um movimento consistente. “É um universo gigantesco. O mais importante é que as pessoas estão experimentando mais e tendo mais acesso.” Democratizar o consumo, com qualidade e responsabilidade ambiental, é, segundo ele, o objetivo central da Casa Tão Longe Tão Perto — no Brasil e em Portugal.
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