Troca de flores de funeral por donativos financiou nova varanda do Hospital de Gaia

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Uma família de Ovar pediu aos convidados de um funeral para substituírem flores por donativos e financiou a renovação de uma varanda de 50 metros quadrados no Hospital Santos Silva, em Gaia, tornando-a mais agradável para doentes aí internados.

Segundo revela Natália Moreira à Lusa, o projecto surgiu após a morte do seu marido, em 2024, na sequência de um cancro do pulmão que o fez estar largas temporadas internado na referida unidade hospitalar de Vila Nova de Gaia, onde, sempre que possível, usufruía do terraço coberto junto às enfermarias dos serviços de Pneumologia, Cuidados Paliativos e também Medicina Física e Reabilitação, para estar algum tempo ao ar livre e espreitar a linha de mar ao longe.

“Nos últimos tempos cuidámos dele em casa, conversámos muito — sobre tudo — e ele disse-nos que achava uma estupidez todo o dinheiro que se desperdiçava em flores num funeral”, conta a viúva à Lusa. “Por isso, quando aconteceu, pedimos nos convites que, em vez de flores, nos oferecessem um valor simbólico para converter em algo que proporcionasse aos doentes do hospital um bocadinho mais de conforto”, recorda.

Chegado o dia da cerimónia fúnebre de Liberto Almeida, os donativos foram-se então acumulando “num pote que não deixava ver o valor com que cada pessoa contribuía” e, terminadas as exéquias, as contribuições dos familiares e amigos do comerciante de 59 anos tinham totalizado cerca de 4000 euros. Foi para esse orçamento que a filha do casal, Sara, concebeu então um projecto de esplanada-jardim que submeteu à apreciação dos directores do hospital.

Transformação foi feita pela família e demorou mais de um ano

Uma vez aprovada a mudança, ao trabalho juntaram-se depois os dois outros filhos de Natália, João e Manuel, assim como o seu genro Max, sendo que a transformação executada pelos cinco membros da família, nos seus tempos livres, demorou mais de um ano a ficar concluída — e envolveu outras doações materiais de amigos, sobretudo no que se refere a plantas.

Espaço foi decorado com plantas e flores e equipado com mobiliário de exterior
DR

Foi esta segunda-feira que o que antes era um varandim despojado, sem elementos decorativos, passou finalmente a exibir-se com diferentes áreas de estar e muitos apontamentos de cor. A varanda larga e comprida tem agora floreiras e vasos dispostos por todo o lado, com flores, ervas aromáticas e outras plantas que os utentes internados em Pneumologia e Cuidados Paliativos podem regar e tratar com os utensílios que a família Moreira deixou no local, para propiciar momentos de distracção e terapia.

“Também há cantinhos de descanso acolhedores e diferentes conjuntos de mesas com cadeiras confortáveis, para quem quiser ter as suas refeições cá fora”, realça Natália, “já que, apesar de a varanda estar virada para o estacionamento, até tem uma vista interessante, com muitas árvores e o mar em fundo”.

A directora de Pneumologia da Unidade Local de Saúde Gaia e Espinho, Margarida Dias, que integra o Hospital Eduardo Santos Silva, reconhece que foi “a generosidade da família e dos amigos” de Liberto Almeida que permitiu “transformar um gesto de memória numa melhoria que hoje beneficia todos os que passam pelo serviço”.

A médica afirma que a renovação operada “representa uma melhoria importante nas condições de internamento” dos doentes de Pneumologia e justifica: “O acesso a um espaço exterior, com luz natural e ar livre, não só é um complemento importante no processo de recuperação mas também passará a integrar o processo terapêutico de muitos doentes respiratórios, permitindo momentos controlados de reabilitação, pausa e contacto com o exterior durante o internamento”.

Natália Moreira admite que a inauguração da esplanada reavivou “muita saudade”, mas retira satisfação de ver cumprido o projecto da família e um dos últimos desejos do marido.

“Ele gostava de ir àquela varanda para não se sentir tão preso no hospital e acho que estará orgulhoso do que ali fizemos, por saber que pode ajudar outras pessoas”, explica. É com esse objectivo que um dos bancos de madeira dessa nova zona ajardinada exibe agora uma placa gravada com o que Liberto tantas vezes dizia: “Não há dias maus – apenas dias menos bons”.

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