O Presidente norte-americano, Donald Trump, acusou na noite domingo a imprensa norte-americana de “traição” pela sua cobertura da guerra no Irão, declarando-se “entusiasmado” com o anúncio do regulador norte-americano das comunicações, a FCC, de que pondera revogar as licenças de transmissão de “algumas destas organizações ‘noticiosas’ corruptas e altamente não patrióticas”, dias após o secretário de Defesa, Pete Hegseth, ter congratulado a iminente aquisição da CNN por um aliado político da Casa Branca.
Ao longo dos últimos dias, Trump tem visado particularmente o Wall Street Journal e o New York Times como órgãos que “querem” que os EUA “percam a guerra” no Médio Oriente, acusando-os de publicar informação “exactamente contrária aos factos verdadeiros”.
Através da rede social Truth Social, o Presidente republicano tem contudo apontado exemplos que não sustentam as suas acusações de desinformação. É o caso de uma notícia publicada na sexta-feira pelo WSJ sobre um ataque iraniano com mísseis que danificou cinco aviões norte-americanos numa base na Arábia Saudita. Uma “notícia falsa”, acusa Trump, que contesta sobretudo o alegado uso da palavra “destruídos”, que na verdade não consta do artigo em causa, e cujas informações essenciais são confirmadas pelo próprio Presidente.
“Quatro dos cinco [aviões] não sofreram virtualmente qualquer dano, e já estão de regresso ao serviço. Um sofreu danos ligeiramente maiores, mas estará em breve no ar”, escreve Trump na Truth Social. “Os aviões de reabastecimento foram danificados mas não inteiramente destruídos e estão a ser reparados”, escrevia o WSJ, citando fonte militar.
Os EUA perderam outro avião reabastecedor KC-135 na quinta-feira, com a morte dos seus seis tripulantes, numa colisão aérea sobre o Iraque com outra aeronave que conseguiu aterrar em segurança em Israel.
Falha também o alvo outra acusação de desinformação que Trump dirigiu no domingo a jornalistas norte-americanos através da Truth Social: a alegada difusão de imagens geradas por inteligência artificial que mostravam o porta-aviões USS Abraham Lincoln em chamas. As referidas imagens foram difundidas nos primeiros dias da guerra pela agência noticiosa iraniana IRNA e por contas anónimas nas redes sociais, mas não pela imprensa norte-americana.
Pete Hegseth, por seu turno, atacou na semana passada uma peça da CNN que acusava a Administração Trump de ter desvalorizado documentos internos que sinalizavam a ameaça de um encerramento iraniano do estreito de Ormuz e o seu impacto no mercado petrolífero. “Quanto mais cedo David Ellison assumir o controlo daquela estação, melhor”, declarou o secretário da Defesa na quinta-feira no Pentágono.
A família Ellison, próxima de Trump, é proprietária da Paramount, que se encontra em processo de aquisição da Warner Brothers, por sua vez detentora da CNN. O negócio requer a aprovação do Governo norte-americano. A empresa dos Ellison já detinha desde 2025 a CBS News, desde então liderada por Bari Weiss, figura alinhada com o universo republicano que tem procedido a uma vasta operação de reconfiguração editorial que tem incluído despedimentos e cancelamento de programas.
Na sexta-feira, novamente na Truth Social e sem enjeitar as acusações de interferência política na comunicação social, Trump congratulou-se por “transformar os media” norte-americanos, partilhando um gráfico como os seus “feitos”: CNN com “novos donos”, a NPR e a PBS “sem fundos”, o humorista Stephen Colbert “de saída da CBS”, o pivô Lester Holt “fora da NBC” e o repórter Jim Acosta “fora da CNN”.
No sábado, Brendan Carr, líder da FCC, sublinhou na rede social X as críticas da Administração Trump. “As emissoras que difundem boatos e notícias distorcidas, também conhecidas como notícias falsas, têm uma oportunidade agora de corrigir o seu curso antes da renovação das suas licenças”, escreveu o regulador norte-americano das comunicações.
“A lei é clara. As emissoras têm de operar no cumprimento do interesse público, e perdem as suas licenças se não o fizerem”, reforçou, partilhando uma publicação de Trump na Truth Social em que o Presidente acusa os jornalistas do WSJ e do NYT de serem “pessoas verdadeiramente doentes e dementes que não fazem ideia do mal que fizeram aos Estados Unidos”.
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