Trump despede Kristi Noem e abre dúvidas sobre o futuro da agenda migratória

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Uma das figuras responsáveis pela supervisão da ofensiva de imigração do Presidente Donald Trump, a secretária de Segurança Interna dos Estados Unidos, Kristi Noem, deixará o cargo, anunciou o Presidente norte-americano nesta quinta-feira.

Trata-se de uma importante mudança que levanta questões sobre o rumo da agenda de imigração do Presidente republicano. “Tenho o prazer de anunciar que o muito respeitado senador dos Estados Unidos pelo grande estado de Oklahoma, Markwayne Mullin, se tornará secretário de Segurança Interna (DHS) dos Estados Unidos, com efeitos a partir de 31 de Março de 2026”, escreveu Trump na rede social Truth Social.

Noem servirá como “enviada especial para O Escudo das Américas”, disse Trump. Noem, ex-governadora da Dakota do Sul, tornou-se uma das secretárias da Administração Trump com maior visibilidade, através de publicações nas redes sociais que retratavam os imigrantes em termos duros, destacando casos de alegados criminosos e utilizando uma linguagem polarizadora. Enfrentou críticas em Janeiro quando classificou dois cidadãos dos EUA, mortalmente baleados por agentes federais de imigração (ICE) em Minneapolis, como tendo cometido “terrorismo doméstico”.

Vídeos que surgiram após as mortes desmentiram a afirmação de Noem e de outros responsáveis de Trump de que os dois mortos— Renee Good e Alex Pretti — eram agressores violentos. A reacção pública às mortes levou a Administração Trump a transitar para uma abordagem mais direccionada na aplicação das leis de imigração no Minnesota, após meses de rusgas em cidades dos EUA que levaram a confrontos violentos com residentes que se opunham à ofensiva.

Os democratas na Câmara dos Representantes dos EUA avançaram com um processo de destituição contra Noem e pelo menos dois republicanos no Congresso pediram a sua demissão após os incidentes. Durante as audições parlamentares em Março, os democratas e alguns republicanos criticaram Noem pela sua abordagem à ofensiva de imigração e pela gestão do DHS, incluindo a preocupação com uma campanha publicitária de 220 milhões de dólares (cerca de 209 milhões de euros) que apresentava Noem com grande destaque.

Esta mudança levanta questões sobre se a Administração Trump poderá procurar intensificar a sua pressão de deportação em massa ou recuar para uma abordagem mais direccionada. Sob a liderança de Noem, agentes de imigração mascarados avançaram sobre Los Angeles, Chicago e Washington, DC, fazendo rusgas em bairros e parques de estacionamento da Home Depot.

A popularidade da abordagem de imigração de Trump caiu à medida que os agentes detiveram cidadãos nacionais e lançaram gás lacrimogéneo nas ruas, numa tentativa de aumentar as deportações, que no ano passado ficaram aquém da meta da Administração de um milhão por ano.

Adesão à linha dura de Trump

Nas redes sociais, Noem, de 54 anos, referiu-se a imigrantes condenados por crimes como “escumalha”, mesmo quando o número de inocentes detidos pelas autoridades de imigração aumentou sob a presidência de Trump. Juntou-se a operações de fiscalização de imigração no terreno, em Nova Iorque, e visitou uma prisão de alta segurança em El Salvador, onde imigrantes venezuelanos deportados pela Administração Trump estavam detidos sem acusações ou acesso a advogados.

O número de migrantes apanhados a tentar atravessar ilegalmente a fronteira entre os EUA e o México caiu drasticamente sob as políticas restritivas de Trump, uma descida acentuada após os elevados níveis de imigração ilegal sob o ex-Presidente democrata Joe Biden.

Noem, reflectindo a agenda de Trump, também tomou medidas para cortar programas de imigração legal e aumentar a fiscalização. Terminou vários programas de Estatuto de Protecção Temporária que forneciam autorizações de trabalho a centenas de milhares de imigrantes da Venezuela, Haiti e outras nações, suscitando desafios legais.

Depois de um imigrante afegão ter sido acusado de atacar membros da Guarda Nacional em Washington, Noem disse ter recomendado que Trump impusesse “uma proibição total de viajar a todos os malditos países que têm inundado a nossa nação com assassinos, sanguessugas e viciados em subsídios”. Durante o mandato de Noem, o número de mortes em centros de detenção de imigrantes subiu para o valor mais alto em duas décadas, enquanto o pessoal nos gabinetes de supervisão do DHS foi drasticamente reduzido.

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