Trump quer aliviar regras sobre emissões de mercúrio para centrais a carvão

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A Administração de Donald Trump planeia flexibilizar as restrições às centrais termoeléctricas a carvão esta semana, permitindo que emitam mais poluentes perigosos, incluindo mercúrio, informou o New York Times (NYT). Dirigentes da Agência de Protecção Ambiental (EPA, na sigla em inglês) devem anunciar a medida durante uma viagem a Louisville, Kentucky, nesta sexta-feira, informou o jornal.

A EPA, que anunciou recentemente que deixará de calcular o valor monetário da preservação de vidas humanas para definir novas regras para a qualidade do ar, já isentou 47 empresas das regulamentações para reduzir o mercúrio e outros produtos tóxicos das centrais eléctricas a carvão por dois anos. Em Junho passado, propôs a revogação das regras aprovadas pelo ex-Presidente Joe Biden para reduzir as emissões de dióxido de carbono, mercúrio e outros poluentes emitidos pelas centrais eléctricas. Essa proposta está agora a ser revista, e uma regra final será publicada assim que a revisão for concluída e assinada pelo administrador Lee Zeldin, informou a EPA.

“A medida é um dos muitos esforços do Governo Trump para tornar mais fácil e barato produzir e usar combustíveis fósseis, apesar das evidências científicas contundentes de que a poluição causada pela queima de petróleo, gás e carvão prejudica a saúde pública e contribui para o aquecimento global”, refere a notícia do New York Times.

Poupança para as empresas ou saúde humana?

Ao flexibilizar os limites para o mercúrio, uma poderosa neurotoxina que pode prejudicar o desenvolvimento cerebral de bebés, entre outros danos graves para a saúde humana e ambiente, a EPA argumenta que isso reduziria custos injustificados para as concessionárias que operam centrais a carvão em todo o país, informou o NYT, citando documentos internos da agência.

A EPA estima que a mudança economizaria às empresas até 670 milhões de dólares (570 milhões de euros) entre 2028 e 2037, de acordo com os documentos a que o NYT teve acesso.

As centrais termoeléctricas a carvão são uma das maiores fontes de emissão de mercúrio para a atmosfera. A queima de carvão liberta este metal pesado tóxico, que pode viajar longas distâncias, depositar-se em solos e bacias de água, acumulando-se na cadeia alimentar, particularmente em peixes, representando um risco grave para a saúde humana e ecossistemas.

Altos níveis de exposição podem causar danos graves ao sistema nervoso, ao cérebro e aos rins, além de ameaçar o desenvolvimento de fetos, bebés e crianças pequenas.

“Além do mercúrio, a medida desta semana deverá flexibilizar os limites para outros poluentes libertados pela queima de carvão, incluindo arsénico, cádmio, crómio, chumbo e níquel. O chumbo, em particular, é outra neurotoxina potente associada a atrasos no desenvolvimento das crianças”, acrescenta o NYT.

As centrais a carvão são responsáveis por quase metade de todas as emissões de mercúrio nos Estados Unidos, de acordo com a EPA.

O presidente Donald Trump tomou medidas para alterar substancialmente a política energética dos Estados Unidos incluindo a revogação de regulamentações destinadas a reduzir a poluição e promover o carvão como solução potencial para a procura energética EPA/JUSTIN LANE
EPA/JUSTIN LANE

A “emergência energética” de Trump

O presidente Donald Trump prometeu acelerar a infra-estrutura energética para responder à crescente procura de electricidade, acelerada pelo crescimento da inteligência artificial e dos centros de dados.

Trump declarou uma “emergência energética” para justificar medidas para manter em funcionamento minas e centrais de carvão antigas que deveriam encerrar e isentar essas centrais de regulamentações importantes relacionadas com qualidade do ar.

“Nos últimos nove meses, o Departamento de Energia tomou a medida extraordinária de ordenar que oito unidades a carvão que estavam prestes a ser desactivadas permanecessem em funcionamento. O Governo afirma querer impedir o encerramento do maior número possível de centrais a carvão nos próximos três anos”, escreve o NYT. Foi emitida uma ordem para que o Pentágono compre electricidade produzida nas centrais a carvão, para garantir a procura.

Em resposta a perguntas do diário norte-americano, Brigit Hirsch, porta-voz da EPA, disse num e-mail que a agência “está empenhada em cumprir a promessa do presidente Trump de libertar a energia americana, reduzindo os custos para as famílias, garantindo ar limpo para TODOS os americanos e cumprindo a missão central da agência de proteger a saúde humana e o ambiente”.

“A EPA começou a regulamentar as emissões de mercúrio das centrais a carvão em 2011, durante a presidência de Barack Obama. Na altura, a administração Obama estimou que a regra custaria à indústria 9,6 mil milhões de dólares por ano, tornando-a a regulamentação de ar limpo mais cara até à data. A avaliação dos benefícios para a saúde pública da redução do mercúrio foi de 6 milhões de dólares por ano”, lembra o NYT.

A administração Trump também removeu recentemente incentivos fiscais para projectos eólicos e solares e abrandou emissão de licenças para energia renovável em terras federais, bem como em terras privadas e estaduais.

É difícil acompanhar o ritmo de Donald Trump quando olhamos para o conjunto de decisões tomadas com total desprezo pelas alterações climáticas e pela saúde humana e ambiental. Se recuássemos ao início do mandato, a lista seria assustadoramente longa. Centrando a atenção apenas no caso mais recente, recorde-se apenas que há poucos dias Donald Trump puxou o tapete a um dos principais pilares da acção pelo clima com a decisão de revogar a conclusão científica que estava na base das regulamentações climáticas dos EUA.

Com Reuters

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