Trump terá o seu Iraque e Netanyahu o “Grande Israel”?

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Cessar-fogo ou invasão? Trump foi atraído para a armadilha desta guerra contra o Irão, da qual não sabe como sair. As suas consequências foram subestimadas, porque a capacidade iraniana de resposta foi subestimada. O Irão destruiu um Boeing E-3 Sentri, centro nevrálgico das operações da Força Aérea, que custa 300 milhões de dólares, e as reparações do porta-aviões USS Gerald R. Ford, na Grécia, devem ter uma explicação que os EUA não querem, evidentemente, revelar. Não se pode dizer que Teerão esteja a perder a batalha naval.

Um mês depois desta guerra irresponsável, o barril de Brent continua acima dos 116 euros, o estreito de Ormuz estrangulado e transformado em arma eficaz, de repercussão global. Ironicamente, diz a Economist, quem está a lucrar com isso é o próprio Irão. Os seus petroleiros continuam a navegar pelo estreito e o país terá duplicado as vendas de petróleo desde o dia em que as bombas começaram a ser despejadas no país dos ayatollahs. Conclui a Economist: o Irão “pode ser atacado no campo de batalha, mas o regime está a vencer a guerra energética”. A Rússia também não se pode queixar. Moscovo teve autorização dos EUA para que um petroleiro da sua frota-fantasma, com cerca de 730 mil barris de crude, furasse o bloqueio energético a Cuba, que era suposto ser o “próximo alvo” de Trump.

Em caso de invasão, Trump tem todas as condições para criar o seu Iraque. O Presidente dos EUA diz que quer ter acesso ao petróleo iraniano e controlar a ilha estratégica de Kharg, onde se localizam as instalações do principal terminal de exportação de crude, que acha que pode ocupar facilmente. Não era suposto. Mas o seu narcisismo e impreparação podem conduzi-lo a um crescendo da guerra.

Enquanto os EUA prometem concluir a “‘maravilhosa’ estada no Irão rebentando e completamente obliterando” os alvos que restam, Israel prepara-se para repetir no Sul do Líbano o que fez em Gaza (arrasar o território, demolir casas e infra-estruturas e ampliar as suas fronteiras). O Presidente dos EUA pode não saber o que anda a fazer no Irão, mas o primeiro-ministro de Israel sabe muito bem o que anda a fazer em Gaza, na Cisjordânia, no Líbano ou no Irão. Donald Trump oscila entre promessas de cessar-fogo e ameaças de invasão. Benjamin Netanyahu leva até ao extremo a ideia hegemónica do “Grande Israel”.

As tropas israelitas continuam a violar o cessar-fogo de Outubro do ano passado na Faixa de Gaza. As forças de Defesa de Israel bombardearam de novo o território, onde já destruíram mais de 90% das infra-estruturas, mataram mais seis pessoas, em Khan Younis, e dão toda a protecção aos colonos que atacam de forma selvagem os palestinianos da Cisjordânia. A organização não governamental israelita Btselem refere que cerca de 9500 presos palestinianos estão encarcerados em condições desumanas nas prisões israelitas, sem direito a defesa e sem condenação. O médico Abu Safiya, ex-director do Hospital Kamal Adwan, é um deles. Safiya terá sido sujeito a tortura e a outros tratamentos cruéis e degradantes, garantem especialistas da ONU.

A tortura sistemática nas prisões israelitas contra presos palestinianos tem sido sucessivamente denunciada, e o mais recente relatório elaborado por Francesca Albanese, relatora especial da ONU, reitera de novo a preocupação. Os sinais são por demais evidentes. As acusações a cinco soldados por agressão violenta e violação de um detido na prisão de Sde Teiman foram retiradas.

Os colonos brutalizam a população diariamente, saqueiam-na, matam os seus animais e destroem os seus bens. Desde Outubro de 2023, já morreram mais de 72 mil palestinianos em Gaza e 1050 na Cisjordânia, e mais de 80 presos morreram nas cadeias israelitas, transformadas em campos de tortura, nos quais os presos são sujeitos a constantes abusos e violência. “Eles atacam, destroem, incendeiam, humilham e matam. Se algo assim acontecesse com os judeus, você ficaria em silêncio?” Todos sabemos qual é a resposta à pergunta que a poeta e docente universitária Irit Keynan fez no Haaretz de domingo. Ninguém ficaria em silêncio, porque ninguém poderia ficar em silêncio perante tamanhas atrocidades. Então, porque é que o silêncio é ensurdecedor no caso de Gaza e Cisjordânia? Irit Keynan vai mais longe: o título do seu artigo naquele diário é: “Cada israelita é responsável pelos progroms antipalestinianos na Cisjordânia.”

Os crimes praticados por colonos ou por alguém em nome do Estado não são investigados. Pelo contrário, Israel aprovou a pena de morte, que, como diz a Btselem, “institucionaliza e legaliza um mecanismo estatal para executar palestinianos”. A impunidade está assegurada e é total. É mais fácil criticar Israel, como fez o Presidente e o Governo portugueses, por impedir um missa no Santo Supulcro do que pela violação de direitos humanos.

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