Uma biblioteca sobre rodas anda por Almada a levar livros onde eles menos chegam

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Há uma carrinha que se distingue no largo da Junta de Freguesia de Charneca de Caparica e Sobreda. A sua pintura está repleta de livros coloridos e com títulos bem conhecidos, desde Anna Karénina, de Lev Tolstói, até Os Maias, de Eça de Queirós. A porta abre-se e surge Luís Barradas, o bibliotecário deste espaço a Biblioteca Itinerante de Almada. Lá dentro, há prateleiras repletas de livros: uns de culinária, outros de literatura estrangeira ou portuguesa, ou ainda os infantis. A um canto, está um computador para apontar as requisições das obras e o horário por onde esta “guardiã” ambulante de livros passará.

A Biblioteca Itinerante de Almada (mais conhecida como BIA) passa pelas freguesias do concelho para levar os livros onde eles menos chegam o largo da Junta de Freguesia de Charneca de Caparica e Sobreda é só um dos locais. Neste espaço, podem requisitar-se livros da colecção de todo o catálogo municipal das bibliotecas, que tem aproximadamente 106.000 obras, e pedir para se levantar outros objectos que também se podem emprestar, como instrumentos musicais e máquinas de costura.

Interior da Biblioteca Itinerante
Rui Gaudêncio

A BIA foi inaugurada a 21 de Março de 2024, o dia em que se comemora o Dia Mundial da Poesia. “A necessidade desta biblioteca surgiu porque há locais no concelho mais afastados das bibliotecas físicas”, assinala Luís Barradas. O bibliotecário exemplifica que as populações da Costa de Caparica e da Charneca de Caparica reivindicavam um espaço com este serviço e que a carrinha foi uma solução para dar resposta a essa exigência. “Havia muita reivindicação por parte dos nossos utilizadores, principalmente dos mais velhos, que têm dificuldade em se deslocar.”

Também Tânia Fernandes, Chefe de Divisão de Bibliotecas e Arquivos da Câmara Municipal de Almada, menciona a mesma necessidade: “O nosso objectivo é chegar especialmente às populações mais isoladas e conseguirmos ser um território de proximidade.” Neste momento, a Rede Municipal de Bibliotecas de Almada integra três físicas a Central, a José Saramago e a Maria Lamas. Há ainda pontos de leitura, como no Centro Cultural Juvenil de Santo Amaro ou no Solar dos Zagallos, em Sobreda.

Dessa vontade de chegar a mais pessoas, o município investiu cerca de 95.000 euros na carrinha (e a sua adaptação), que tem rampas para a tornar mais acessível e um painel solar para ser sustentável. Nas estantes estão à volta de 500 livros, mas existe uma rotação conforme um calendário que está preestabelecido. Pedidos de livros do catálogo podem ser sempre feitos independentemente das obras dentro da carrinha.

“Esta biblioteca funciona tal e qual como as outras bibliotecas físicas”, resume Luís Barradas. Há um cartão comum que pode ser usado em todas em Almada, mas agora nem é necessário porque basta apresentar o cartão de cidadão. O número de leitor passa assim a ser o do cartão de cidadão.

As actividades que aí vêm

A BIA tem itinerários de Inverno e outros de Verão, que podem ser consultados online. No Verão, a biblioteca está em mais locais de rua. Há também sítios específicos que já se tornaram “parceiros” da iniciativa e por onde a carrinha pára, como a Associação de Reformados, Pensionistas e Idosos do Laranjeiro/Feijó, o Centro Educação Especial de Almada, a Cooperativa para a Educação e Reabilitação de Cidadãos Inadaptados do Seixal e Almada, o Centro de Dia – Centro Social da Trafaria ou o Almada Fórum. Também vai participando em eventos específicos no concelho.

Tânia Fernandes (Chefe de Divisão de Bibliotecas e Arquivos da Câmara Municipal de Almada) e Luís Barradas, bibliotecário, no interior da biblioteca itinerante
Rui Gaudêncio

Até à chegada da BIA, de acordo com Luís Barradas, Almada não tinha tido uma biblioteca itinerante com excepção da passagem das Bibliotecas Itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian há uns anos. “A adesão tem sido muito boa”, nota o bibliotecário sobre a BIA. Em 2025, houve mais de 1100 empréstimos de livros e uma das freguesias com mais participação é a Costa da Caparica.

Já há uma calendarização de iniciativas em que esta biblioteca itinerante estará envolvida, segundo Tânia Fernandes. Em Março, será numa iniciativa conjunta do Departamento de Cultura e do Departamento de Espaços Verdes de Almada para se celebrar o Dia da Poesia e Dia Mundial da Árvore. Em Abril, está “na calha o festival não literário, o Raios Partam os Livros! Já em Outubro, estará na 2.ª edição do Festival É Proibido Proibir, que pretende promover o debate e pensamento crítico.

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