
Se dúvidas ainda existissem, já sabemos que Samu Costa é um jogador a caminho do Mundial. Se dúvidas ainda existissem, já sabemos que Pedro Gonçalves está mais fora do que dentro. Se dúvidas ainda existissem, Mateus Fernandes só foi à América apresentar-se ao resto do grupo. Se dúvidas ainda existissem, já sabemos que Paulinho também deverá ver tudo no sofá – ou no estádio, que vai andar lá perto.
E se são estas as conclusões dos dois jogos amigáveis da selecção nacional, então podemos dizer que pouca coisa saiu destas duas partidas em matéria de previsão de convocados para o Mundial 2026. Depois do triunfo sobre os EUA (2-0), em Atlanta, as dúvidas são as mesmas e as certezas também pouco mudaram.
Estes jogos não ajudaram a definir o lugar de quarto central: António Silva e Tomás Araújo voltaram a dividir os minutos e voltaram a ter desempenhos semelhantes – sem especial fulgor, mas também sem falhas graves. A decisão poderá caber, em certa medida, a José Mourinho, em função dos minutos que lhes der até Maio.
A dúvida em relação ao segundo lateral-direito também continua de pé. Matheus Nunes não impressionou ao ponto de ganhar definitivamente o lugar a Nélson Semedo, pelo que Roberto Martínez terá de decidir entre a polivalência do jogador do Manchester City – e o perfil de lateral-interior – ou a experiência e antiguidade no grupo do lateral do Fenerbahçe.
No meio-campo houve uma certa clarificação. Samu Costa recolhe um apreço especial de Martínez, que lhe deu duas titularidades – só Bruno Fernandes e Gonçalo Ramos tiveram honra semelhante. O médio do Maiorca foi excelente? Longe disso – “empenou” a construção portuguesa nos dois jogos e não exibiu predicados de encher o olho, mesmo que tenha tido bons pormenores aqui e acolá, quer no ataque, quer na defesa. Ainda assim, parece ter um lugar provável nos convocados, sobretudo se a forma de João Palhinha não convencer o seleccionador até Maio.
O grande corte que Samu fez no jogo com o México, com celebração incluída, poderá ter sido apenas isso: um corte. Mas foi um lance de “encher o olho” e é um momento capaz de “vender” a abnegação e empenho do jogador, sobretudo num contexto competitivo no qual os colegas pareciam menos interessados. E isso, sobretudo para alguém como Martínez, não é de desdenhar.
Ponto de interrogação sobre Pedro Gonçalves
No ataque, parece mais ou menos evidente que Paulinho é quase uma obrigação para o técnico e a preferência do espanhol pela polivalência de Gonçalo Guedes deverá encaminhar a escolha a favor do jogador da Real Sociedad – até porque Paulinho voltou a não jogar sequer meio jogo com os Estados Unidos, algo que já tinha acontecido com o México.
Alguns poderão defender que o jogo associativo de Paulinho e a capacidade na área (até no jogo aéreo) fazem mais falta do que a explosividade de Guedes. Mas numa coisa Roberto Martínez é coerente: Guedes encarna melhor do que Paulinho o papel que era de Diogo Jota. Nesse sentido, a decisão é expectável.
Mais complexo é o caso de Pedro Gonçalves. Não jogou qualquer minuto, mas Martínez fez questão de dizer que foi por receio de que o relvado de Atlanta massacrasse demasiado um jogador que não tem estado fisicamente a 100%.
Ricardo Horta, em teórica competição directa com Pedro Gonçalves, deu uma boa resposta na segunda parte do jogo com os Estados Unidos. Mas, em rigor, não teve direito a jogar com o México e não pôde sequer ser titular nesta segunda partida. Não é evidente que tenha conquistado o lugar – e até pode acontecer que nenhum dos dois esteja na lista final, embora, em teoria, Rafael Leão e Bernardo Silva só precisem de “roubar” dois lugares entre Gonçalves, Horta e Mateus Fernandes.
Este último deverá ficar em casa, já que foi conhecer o grupo, fazer a estreia em campo e marcar posição para o pós-Mundial. Já Ricardo Velho, que também se estreou pela selecção, sabe que só ali esteve pela lesão de Diogo Costa, conforme comprova o estatuto de quarto guarda-redes que o seleccionador já lhe atribuiu.
No fim, a viagem à América serviu sobretudo para confirmar quem está dentro. E para lembrar aos restantes que o tempo está a acabar – e porventura até já acabou, mesmo que ainda não saibam.
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