O incidente que marcou o jogo entre Benfica e Real Madrid na noite desta quarta-feira, no Estádio da Luz, com acusações de racismo e a interrupção da partida, está previsto no protocolo da UEFA para combater o fenómeno no futebol, na linha do que são as recomendações saídas do 74.º Congresso da FIFA, em 2024. Embora os princípios por trás da actuação do árbitro sejam os mesmos, há pequenas nuances em função da origem dos insultos.
Pouco depois do golo de Vinícius Jr, que valeu ao Real Madrid o triunfo na primeira mão do play-off da Liga dos Campeões, alguns jogadores envolveram-se numa troca acesa de palavras. Entre eles estavam o avançado brasileiro e o extremo do Benfica Gianluca Prestianni. A dada altura, Vinícius corre na direcção do árbitro para lhe comunicar que teria sido alvo de insultos racistas – percebe-se, através das imagens, que o jogador menciona a palavra “mono” (macaco, em castelhano).
O jogo foi interrompido nessa altura. Porquê? Porque, dando seguimento a uma circular da FIFA, de 28 de Maio de 2025, com novas disposições relativas à luta contra a discriminação, foi aplicada uma resolução da UEFA (Futebol Europeu Unido contra o Racismo) que defende que o futebol deve ser jogado “num espírito de paz, entendimento, fair play e sem nenhum tipo de discriminação” e que decreta “tolerância zero face ao racismo”. “Têm de ser impostas sanções mais severas a todos os tipos de comportamentos racistas que afectem o futebol”, acrescenta.
Para levar esta intenção à prática, determina a UEFA que “os árbitros devem interromper, suspender ou até abandonar um jogo, em caso de ocorrência de incidentes racistas”. Para este efeito, está previsto um protocolo de três passos: interrupção do jogo e emissão de um aviso público; suspensão do jogo durante um determinado período de tempo; eventual abandono do jogo, “caso os comportamentos racistas não tenham terminado”. Se assim for, a equipa responsável é punida com derrota.
Em tese, este guião parece aplicar-se mais ao comportamento dos adeptos (que podem ser, por exemplo, impedidos de frequentar os estádios), mas o protocolo também prevê, naturalmente, um incidente com agentes do próprio jogo. “Qualquer jogador ou membro de uma equipa que seja considerado responsável por actos racistas tem de ser suspenso por um mínimo de dez jogos (ou um período de tempo correspondente para os representantes dos clubes)”, detalha o ponto 7 da resolução.
“Racistas são cobardes”
Ora, no caso do incidente entre Vinícius e Prestianni, cumpriu-se o primeiro passo do protocolo, mas não foi possível provar o teor da troca de palavras entre os jogadores, já que quer o árbitro principal, quer o árbitro assistente mais próximo estavam longe do local. Resultado? Não houve qualquer tipo de punição e o jogo, depois de um hiato de 10 minutos, em que Vinícius chegou a sentar-se no banco de suplentes, foi retomado.
No final do encontro, o internacional brasileiro recorreu às redes sociais para lamentar o sucedido. “Racistas são, acima de tudo, cobardes. Precisam de colocar a camisa na boca para demonstrar como são fracos. Mas, eles têm, ao lado, protecção de outros que, teoricamente, têm obrigação de punir. Nada do que aconteceu hoje é novidade na minha vida e da minha família. Eu recebi um cartão amarelo por comemorar um golo. Ainda sem entender o porquê disso. Do outro lado, apenas um protocolo mal executado e que de nada serviu”, escreveu no Instagram.
Já na sala de imprensa, José Mourinho também foi instado a pronunciar-se sobre o tema. “Falei com o Vini e ele disse-me uma coisa, falei com o Prestianni e ele disse outra coisa. Podia ser ‘vermelho’ e dizer que só acredito no que o Prestianni me disse, e podia ser equilibrado e dizer que no mundo do futebol tento ser sempre mais equilibrado. Não quero dizer que o Vinícius é um mentiroso e que o Prestianni é um miúdo maravilhoso. Não quero dizer isso”, comentou o treinador do Benfica.
A resolução da UEFA, de resto, sugere que os actores principais do espectáculo devem tomar posição pública sobre o assunto, enquanto veículo pedagógico. “Os jogadores e os treinadores também têm de ser líderes na luta contra o racismo. Falar abertamente contra o racismo é um dever que têm para com o futebol”, assinala.
Nos últimos seis anos, Vinícius Jr. já motivou mais de 20 denúncias por racismo, a maioria da Liga espanhola mas também do Ministério Público, num caso em que foi utilizado um boneco enforcado com a camisola do jogador brasileiro, no contexto de um derby entre Real e Atlético Madrid. Foram incidentes registados dentro e fora do estádio e, em Junho de 2024, uma dessas denúncias culminou na condenação de três adeptos do Valência a oito meses de prisão e a dois anos de proibição de frequentar recintos desportivos.
Disclaimer : This story is auto aggregated by a computer programme and has not been created or edited by DOWNTHENEWS. Publisher: feeds.feedburner.com



