
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que as forças de Kiev conseguiram travar a ofensiva russa planeada para Março, sublinhando que a situação na linha da frente é actualmente a mais favorável desde meados do ano passado.
“A ofensiva que estavam a planear para Março foi travada pelas acções das nossas Forças Armadas”, disse Zelensky, acrescentando que, apesar da pressão contínua, “neste momento, não vemos uma ameaça em grande escala”.
A guerra, agora no seu quinto ano, continua a estender-se por mais de 1200 quilómetros de frente de combate. As tropas russas mantêm a pressão sobre as defesas ucranianas, mas Kiev tem conseguido contra-atacar e, segundo o Presidente, até recuperar terreno. No balanço mais recente, a Ucrânia estará “ligeiramente em vantagem”, tendo libertado cerca de 20 quilómetros quadrados.
Ainda assim, Moscovo parece estar a adaptar a sua estratégia. Nos últimos tempos, a Rússia intensificou ataques em larga escala durante o dia, numa tentativa de contornar as defesas antiaéreas ucranianas, que historicamente têm sido mais eficazes durante a noite.
Nesta sexta-feira, um desses ataques atingiu infra-estruturas civis nas regiões de Zitomyr e Kiev, causando pelo menos duas mortes. Zelensky classificou os ataques como uma “escalada de Páscoa”, acusando Moscovo de transformar um período que deveria ser de trégua num momento de intensificação militar.
“Os russos apenas intensificaram os seus ataques, tentando aumentar o número de vítimas civis, espalhar o medo e destruir infra-estruturas”, denunciou também a primeira-ministra Yulia Svyrydenko.
Apesar da intensidade dos bombardeamentos, a defesa aérea ucraniana conseguiu interceptar a maioria dos projécteis lançados, abatendo mais de 500 drones e a grande parte dos mísseis disparados num único período de ataques.
No terreno, os combates continuam particularmente intensos nas regiões orientais e sudeste. As forças russas estão a concentrar-se perto do importante centro logístico de Pokrovsk, na região de Donetsk, e também nas proximidades de Huliaipole, em Zaporijjia. Só nas últimas 24 horas foram registados cerca de 230 confrontos, sinal de que a intensidade dos combates tende a aumentar com a melhoria das condições meteorológicas.
Em Kharkiv, no Nordeste, ataques recentes com mísseis, bombas e drones causaram várias vítimas mortais e dezenas de feridos, num dos períodos mais violentos desde o início do ano.
Financiamento em risco
Enquanto a frente militar permanece instável, a Ucrânia enfrenta também uma crescente pressão financeira. Zelensky apelou esta sexta-feira ao Parlamento para aprovar com urgência legislação essencial que permita desbloquear financiamento externo, considerado vital para sustentar o esforço de guerra e manter o funcionamento do Estado.
Com necessidades de financiamento estimadas em 52 mil milhões de dólares para este ano — cerca de um quarto da economia do país — Kiev arrisca uma crise orçamental grave. O atraso nas reformas e no processo legislativo já levou ao incumprimento de prazos que condicionam a libertação de vários milhares de milhões de dólares por parte de credores internacionais.
“O financiamento depende directamente destas leis”, alertou Zelensky, insistindo que todos os partidos devem reconhecer a urgência da situação.
Parte do apoio internacional encontra-se bloqueado, nomeadamente um empréstimo da União Europeia de 90 mil milhões de euros, travado pela Hungria, cujo primeiro-ministro, Viktor Orbán, mantém relações próximas com Moscovo. Ao mesmo tempo, a Rússia poderá beneficiar indirectamente da subida dos preços globais do petróleo, impulsionada pela guerra no Médio Oriente e o bloqueio do estreito de Ormuz.
Economistas alertam que a Ucrânia está criticamente atrasada no cumprimento das condições do programa europeu Ukraine Facility, arriscando perder milhares de milhões adicionais. Sem avanços rápidos, os fundos disponíveis poderão esgotar-se já em Maio.
Neste contexto, os esforços diplomáticos continuam sem resultados concretos. Zelensky propôs recentemente uma trégua durante a Páscoa e chegou a convidar negociadores norte-americanos a deslocarem-se a Kiev, numa tentativa de relançar o diálogo que permanece praticamente suspenso.
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