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Pela primeira vez no Porto, no Norte de Portugal, o compositor brasileiro Harry Crowl — figura central da música contemporânea sul-americana —, apresentará o recital Harry Crowl: o Gênio e o Clarinete, neste sábado (18/04), às 18h, no Auditório do Conservatório de Música de Paredes, no distrito do Porto.
O projeto terá a participação do clarinetista Frederic Cardoso, acompanhado por Amália Iliescu (piano), Fátima Seabra (flauta transversal) e Ricardo Mano (piano). Diretor artístico da Orquestra Filarmônica da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o musicólogo mineiro, de 68 anos, que vive em Curitiba, conta que conheceu Frederic Cardoso há dois anos, em Portugal.
“Eu estabeleci contato com Frederic, que tem uma carreira muito importante em Portugal, no fim de 2024, depois que uma violinista portuguesa, que mora no Brasil, veio tocar em Portugal e apresentou um concerto para violino e percussão, que eu escrevi para eles, em homenagem à vereadora Marielle Franco (assassinada em 2018, no Rio de Janeiro), no Conservatório de Paredes. Na sequência, o Frederic entrou em contato comigo me perguntando se eu não tinha música para a família de clarinetes, porque ele toca todos os instrumentos. Eu disse: ‘olha, eu tenho música para todos’”, relembra Crowl.
O programa mostrará um conjunto de obras representativas de Crowl, incluindo peças para clarinete solo, clarinete e piano, clarinete baixo e formações de câmara com flauta transversal. Entre os destaques, Paisagem de Outono (2005), Grandes São os Desertos (2013) e Solilóquio VI (2015). Azulejarias (2025), que também faz parte da programação, foi um pedido de Frederic, explica o musicólogo.
“Ele me pediu uma peça para clarone, que, em Portugal, aliás, é clarinete baixo, que se chama Azulejaria. Eu quis trabalhar com a ideia dos azulejos portugueses, com toda a história e a importância cultural que eles têm. Em Curitiba, onde eu moro, o artista Poty Lazzarotto (1924-1998) fez vários painéis com azulejos. Então, fiz uma espécie de trajetória musical da viagem do azulejo de Portugal para o Brasil”, conta ele, que também é um pesquisador da música brasileira do período colonial. “Essa peça fará sua estreia mundial em Paredes”.
Marielle Franco
Crowl explica que também escreveu uma peça inspirada no poema Como um Vento na Floresta, de Fernando Pessoa, para flautas e clarinetes, em homenagem a Frederic e à esposa dele. A obra será apresentada no recital de Paredes. Apesar de a peça dedicada à memória de Marielle Franco não fazer parte do repertório deste ano, o musicólogo enfatiza que o assassinato dela e do seu motorista, Anderson Gomes, não pode ser esquecido.
“Eu fiquei muito indignado com esse crime. Ainda por cima vendo algumas pessoas de extrema-direita caçoando, achando aquilo normal. Ela era uma vereadora que representava uma comunidade mais pobre do Rio de Janeiro, negra e lésbica”, diz ele, que estudou música, letras e semiótica no Brasil e composição nos Estados Unidos, na prestigiada Juilliard School of Music, em Nova York.
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