Uma história de dois criminosos de guerra

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Vivemos hoje num mundo em que uma crise económica, resultante de uma guerra ilegal, torna a vida de cada um de nós mais difícil. O direito internacional é ignorado e violado todos os dias e o respeito pela humanidade e os seus valores é coisa do passado. Impera a vontade do mais forte que se arroga o direito de ocupar o que bem entende, em especial se isso significar o seu enriquecimento. O assassínio dos dirigentes de outros países tornou-se uma prática vulgar, objeto de orgulho e demonstração da eficiência da máquina de guerra.

Esta guerra é liderada por dois dirigentes pouco recomendáveis. Do lado de Israel temos o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, arguido num processo por corrupção que não avança enquanto o conflito durar. Do outro lado do Atlântico mora o segundo parceiro, um indivíduo menos inteligente, mas com um ego do tamanho de uma catedral, alguém sem escrúpulos e sem valores morais, que só vê objetivos legítimos no que dê lucro, estando envolvido nessa teia vergonhosa que é o processo Epstein.

Netanyahu cedo percebeu que o parceiro americano podia ser facilmente convencido a entrar na guerra desde que lhe fosse prometido um fim rápido e glorioso do conflito e pudesse colher os louros de aparecer como líder da iniciativa. Bastou para isso insinuar que, assassinando a cúpula dirigente do Irão, o povo se revoltaria e mudaria o regime, o que falhou em toda a linha. Assim, tudo começou com um ataque ilegal, covarde e traiçoeiro contra os dirigentes iranianos quando estavam em curso conversações para arranjar uma solução pacífica e havia uma nova reunião dos negociadores marcada.

Israel procura um conjunto de vantagens: enfraquecer um dos seus inimigos declarados, expansão territorial (o sonho do “Grande Israel”), desviar a atenção do genocídio que decorre em Gaza e eliminação em definitivo da ideia de um Estado palestiniano. Pessoalmente, o líder Netanyahu vê o seu julgamento ser adiado sine die enquanto durar a guerra. Curiosamente, o parceiro de aventura americano até já sugeriu que fosse concedido um perdão ao colega de armas.

Um episódio recente devia terminar com todas as dúvidas e permitir declarar Israel um Estado pária e terrorista. O Parlamento de Israel acaba de aprovar uma lei que estabelece a pena de morte, por enforcamento, para palestinianos culpados de homicídio de um israelita, embora o inverso não se aplique. Foram publicados vídeos do espetáculo grotesco de parlamentares judeus a celebrar o feito com champanhe! Um deles até usava na lapela um pin que era uma forca. Na Cisjordânia, que deveria ser o futuro Estado palestiniano, os colonatos judeus ilegais têm vindo a ocupar as terras dos palestinianos que são expulsos, corridos a tiro e muitas vezes assassinados, tudo isto com apoio do exército de Israel. A partir de agora, se um palestiniano, em legítima defesa, matar um colono, será enforcado, embora nada aconteça ao israelita se assassinar o palestiniano, podendo ser até premiado com as terras do assassinado.

Na última terça-feira foi houve acordo entre os EUA e o Irão para uma trégua de duas semanas tendo em vista a preparação de um acordo definitivo, o que foi uma bomba para Israel que, aparentemente, não foi tido nem achado no processo e a quem só interessa, bem como a Netanyahu, prolongar a guerra. Era de prever que Israel faria todos os esforços para torpedear o processo de paz, o que não se fez esperar; ainda a tinta não tinha secado no acordo e já Israel procedia ao mais intenso bombardeamento do Líbano, protegido no acordo.

O primeiro-ministro do Paquistão, que mediou o acordo e que, portanto, tem uma posição independente, declarou que Irão, Estados Unidos e aliados tinham chegado a um acordo que contemplava o “cessar-fogo imediato em todo o lado, incluindo o Líbano e outras zonas”. Claro que Trump, eventualmente confrontado com a fúria de Netanyahu, deu uma de TACO (Trump always chickens out – Trump sempre se acobarda) e vem dizer que o Líbano não estava incluído, deixando as mãos livres ao parceiro de aventura bélica.

Note-se que o que escrevi não significa que tenha qualquer simpatia pelo regime vigente no Irão. Muito pelo contrário. Mas nenhum país tem o direito de bombardear outro só por não concordar com o seu governo. Sem um mandato explícito da ONU, essa intervenção é ilegal à luz do direito internacional. Não compreendo é como tudo é permitido a Israel sem qualquer punição séria, apesar dos milhares de mortos em Gaza, Cisjordânia, Líbano e Irão, da utilização da fome como arma de guerra, da redução de cidades a escombros, da ocupação ilegal de territórios e de leis discriminatórias como a referida anteriormente.

Tenho vergonha que Portugal não tenha tomado uma posição mais digna, ao permitir a utilização da base das Lajes, ao contrário do que fizeram outros países como a Áustria, Espanha, França ou Itália. E como desprezo esse ser falho de espinha dorsal que hoje preside à NATO e que passa a vida a lamber as botas de Trump. Mas em que mundo vivemos hoje…

O autor escreve segundo o acordo ortográfico de 1990

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