O aparecimento de toneladas da macroalga invasora Rugulopteryx okamurage nas praias do Sul é um “problema sem solução à vista”. A espécie, afirmou o investigador da Universidade do Algarve (Ualg), Rui Santos “todos os anos contribui como mais 500 mil indivíduos por metro quadrado”. Das experiências feitas no Centro de Ciências do Mar (CCMar), frisou, não vêm aí boas notícias: “Com o aumento dos picos de temperatura e concentração de CO2 na atmosfera, a conclusão é que o crescimento da alga vai aumentar”.
O que os cientistas defenderam, numa conferência que decorreu nesta segunda-feira no Museu de Portimão, é encontrar formas de “valorização da alga”, com o envolvimento do sector industrial na fabricação de biometano e avaliar a sua aplicação na agricultura. Por seu lado, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) tem um plano nacional para “mitigar e monitorizar” os efeitos da alga, que deverá estar concluído até Julho, já que é “impossível” a erradicação total.
Rui Santos não vê, no curto prazo, uma solução para esta espécie invasora de origem asiática. “A erradicação da alga só é possível em fases iniciais, em zonas muito particulares da costa. A Rugulopteryx veio para ficar”, afirmou. No Verão de há dois anos, só da praia do Carvoeiro, foram retiradas 40 mil toneladas de algas, disse o presidente da Câmara de Lagoa, Luís Encarnação. O município, recordou o autarca, tem 15 praias, “mas só na praia do Carvoeiro conseguimos entrar com maquinaria pesada”. O material recolhido, com areia à mistura, foi enviado para aterro sanitário. Nas praias de Cascais, no ano passado, disse a bióloga Ana Ferreira, foram recolhidas 1300 toneladas desta alga, e a remoção teve um custo de meio milhão de euros.
A Rugulopteryx, afirmou Marta Florido, da Universidade de Sevilha, quando foi identificada pela primeira vez, em França, em 2002, começou por ser considerada como “não tendo comportamentos invasores”. No entanto, nos últimos cinco anos já chegou à Suécia, atingiu Marrocos, Itália, Grécia e as ilhas da Madeira e Açores. A bióloga marinha frisou ainda que nos sítios onde esta espécie surge, “tem um potencial de destruição de mais de 85%”. Na Península Ibérica, o estreito de Gibraltar e Andaluzia, devido ao aumento das temperaturas da água e correntes marítimas, são as zonas onde a alga está a causar mais problemas no sector pesqueiro e no turismo.
A aprendizagem sobre o que se está passar, afirmou Luís Encarnação aos jornalistas à margem da conferência, faz-se também pelo contam que os pescadores. “Há espécies que pura e simplesmente desapareceram da nossa costa”, sublinhou. O autarca exemplifica: “Desapareceram os ouriços-do-mar, navalheiras, sapateiras, santolas – inclusive há relatos de polvos mortos, dentro dos covos, por falta de oxigénio devido à alga”. A situação, acrescentou, repete-se nos concelhos de vizinhos de Silves, Portimão e Lagos. “Temos aqui um problema sério”. Por isso, na estratégia do plano nacional para a gestão da macroalga invasora Ruguloptreyx okamurae, defendeu, “tem ficar analisada a possibilidade de remoção [ da alga] ainda na coluna de água”, evitando que chegue às praias
Uma das soluções para transformar um problema num potencial negócio, preconizou Rui Santos, passa pela criação de bio-refinarias (fábricas de biometano). Outra das hipóteses, estudada pelos colegas espanhóis, afirmou, “poderá ser a utilização da biomassa na agricultura”. No entanto, para que o projecto possa avançar é necessário proceder à alteração de uma directiva comunitária: “Existe legislação comunitária que impede a comercialização de espécies invasoras, mas haverá volta a dar a isto [no seio da União Europeia]”.
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