Nizan Guanaes cria a própria inteligência artificial e vê Portugal como estratégico

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Lenda do mercado publicitário brasileiro, com mais de 30 prêmios no Festival de Publicidade de Cannes, o baiano Nizan Guanaes escolheu Lisboa estrategicamente para comemorar seus 68 anos de idade, que serão completados neste sábado, 9 de maio. Ele está na fase final de elaboração de seu mais novo produto, o Nizai, inteligência artificial que vai reunir todo o seus conhecimento acumulado ao longo de décadas de trabalho para ajudar quem deseja montar uma estratégia para se comunicar e vender seus produtos.

“Estou completamente em pânico”, diz ele ao PÚBLICO Brasil, colocando as mãos na cabeça. Apesar de todas as honrarias que ostenta e das campanhas memoráveis que criou, cujos motes se transformaram em bordões usados pela população, ele sabe que está entrando em um mundo ainda a ser desbravado. “Por isso, estamos fazendo tudo com cautela. Queremos um produto que seja fácil de usar, nada muito elaborado, mas que possa ser aprimorado aos poucos. É impressionante como a IA pode ser moldada. Vamos sair com nota de partida cinco para ir aperfeiçoando”, acrescenta.

Nizan já teve uma experiência profunda no mundo da tecnologia. No início dos anos 2000, ele foi comandar uma empresa que criou a internet grátis, conhecida como IG. “Achei que ficaria multimilionário. Entrei no negócio pensando “how to be a millionaire” (como ser um milionário) e saí como um “survivor” (sobrevivente), depois do estouro da bolha da internet”, relembra. “Mas foi uma experiência enriquecedora, aprendi muito”, ressalta.

A meta é lançar o Nizai, que está sendo desenvolvido em parceria com a empresa Tiger Brand Tech, logo depois da Copa do Mundo, que começa em 11 de junho. Ele detalha que, nos seis meses de desenvolvimento da IA, foram inseridos em um banco de dados todos os comerciais que fez, todas as entrevistas que deu e todos os artigos que escreveu. “A partir desse material processado, o Nizai vai democratizar todo o meu conhecimento e toda a minha experiência”, explica.

Dinheiro na mesa

Sorvendo um café atrás do outro no bar do elegante Hotel Ritz, próximo à Avenida da Liberdade, a mais glamourosa de Lisboa, o publicitário conta que a ideia do Nizai, que visa, sobretudo, a comunidade lusófona — e Portugal será peça importante nesse processo — surgiu da conversa com amigos.

“Um dia, o [Guilherme] Benchimol (da XP Investimentos) me disse que estava precisando escrever um artigo e perguntou para a inteligência artificial como eu escreveria. Outro dia, o marido do [arquiteto] Sig Bergamin me contou que tinha escrito o prefácio do último livro dele perguntando para a IA como eu escreveria. Pensei: estou deixando dinheiro na mesa”, relata.

Nizan ressalta que esse mundo novo lhe escancarou que não é preciso grandes estruturas para obter bons resultados. Ele já se desfez de seus negócios duas vezes. Primeiro, quando vendeu parte do capital da agência DM9. “Tinha investido 1 milhão de dólares na empresa e, sete anos depois, faturei 100 milhões de dólares com a venda”, diz. Depois, ele vendeu todo o seu grupo, de cerca de 20 empresas, entre elas, a MPM, a África e o controle da DM9. “Cheguei a ter 4 mil empregados, todos pela CLT (carteira assinada, com benefícios previstos em lei)”, enfatiza.

Hoje, destaca o baiano, ele tem apenas a N.ideias, com 12 colaboradores, dos quais três com carteira assinada. “Tenho sete grandes clientes, com os quais só trato de estratégias, uma delas, dizer para um executivo que ele deve ficar de boca fechada”, afirma, rindo. “Sou obcecado com a minha saúde mental e a de quem trabalha comigo. Dou toda a liberdade para meus colaboradores fazerem trabalhos com outras empresas, desde que não haja conflitos de interesses. E ainda podem usar o nosso espaço para isso”, assinala.

Volta por cima

O Nizan de hoje, em plena forma, viveu momentos conturbados. Em 2006, pesando 150 quilos, ele decidiu fazer uma cirurgia bariátrica para emagrecer. “Fechei uma porta, mas abri outra, a do álcool”, afirma ele, que retratou sua história no livro Você Aguenta Ser Feliz?, escrito em parceria com o psicanalista Arthur Guerra.

O publicitário passou a ter sérios problemas com o alcoolismo. “Chegou um momento em que estava passando de todos os limites, tendo dificuldades até para trabalhar, perdendo credibilidade”, lembra. Foi numa consulta com seu cardiologista, Roberto Kalil Filho, que ele decidiu mudar essa história. “Kalil me disse que eu iria morrer, por beber, fumar e trabalhar demais. Meu pai tinha morrido aos 45 anos, do coração” complementa.

O esporte foi uma das pontes de salvação do baiano. “Passei a correr, virei maratonista, praticante de triatlon. Foi o meu tratamento”, sublinha. Esse novo Nizan diz estar com a cabeça fervilhando de ideias e acredita que tem muito a contribuir com aqueles que pretendem divulgar a própria marca, mas não têm dinheiro para pagar por grandes campanhas. “De início, vamos cobrar R$ 49,90 pela nossa IA e serei o co-autor desses trabalhos”, assinala.

Nizan afirma que sempre foi o menos intelectual dos publicitários brasileiros que marcaram gerações. “Os mais intelectuais e os grandes estrategistas foram Whashington Olivetto (que morreu em 2024, aos 73 anos) e Marcelo Serpa. Eu sou do povo, da linguagem fácil”, descreve-se. E avisa: “O Nizai será pautado pela ética, sem produtos infantis, sem pornografia e sem bets. Será um produto global, criado por apenas cinco pessoas”.

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